O que vai ser normal agora?

Depois de semanas sem aulas, vendo o mundo pela internet e um pedacinho dele pela janela, como nos sentiremos na volta à nova normalidade?

Depois de semanas olhando com nojo para a maçaneta, o corrimão e a portinhola do lixo  como vamos nos sentir ao circular no local de trabalho? Na sala de aula teremos de nos posicionar  a 2m de cada um? Com máscara? Afinal, não há vacina…

2019-05-16 Dep LEF

 

Ser citado numa tese vale menos que num artigo?

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Quase na mesma data em que a Web of Science divulga sua lista dos pesquisadores mais citados em 2019 (Highly Cited Researchers – 2019), chamou minha atenção um trecho num artigo de Ernesto Spinak no último boletim Scielo em Perspectiva, sobre a avaliação do impacto de pesquisas com base nas citações no Google Acadêmico (GA), na Web of Science (WoS) e na Scopus. O texto de Spinak reporta pesquisa que demonstra que,  quantitativamente, o GA ultrapassa as duas outras bases:

a simples evidência numérica constatou que o GA tem consistentemente o maior percentual de citações em todas as áreas (93%  96%), bem à frente do Scopus (35% – 77%) e do WoS (27% – 73%). O GA encontrou quase todas as citações do WoS (95%) e do Scopus (92%). A maioria das citações encontradas apenas pelo GA vem de fontes não pertencentes a periódicos (48% – 65%), incluindo teses, livros, documentos de conferências e materiais não publicados. Muitos documentos não estavam em inglês (19% – 38%) e tendiam a ser muito menos citados do que fontes que também estavam no Scopus ou no WoS

Spinak termina seu artigo ressaltando que sua fonte contrapõe à quantidade a qualidade das citações:

Tomados em conjunto, estes resultados sugerem cautela se o GA for usado em vez do WoS ou do Scopus para avaliação de citações. Sem evidência, não se pode presumir que as contagens mais altas de citações do GA serão sempre mais altas que as do WoS e do Scopus, pois é possível que a inclusão de documentos de qualidade mais baixa reduza o grau em que as contagens de citações reflitam o impacto acadêmico Por exemplo, algumas das citações de dissertações de mestrado podem refletir o impacto educacional. Portanto, dependendo do tipo de avaliação a ser realizada, pode ser necessário remover certos tipos de documentos de citações da contagem de citações, conforme sugerido por Prins, et al. (2016)

Retirem-se do cômputo as autocitações (já falamos disso anteriormente, em Posso citar a mim mesm@?; As citações por outro ângulo: o da ética). Mas  qual o problema se a citação surge numa dissertação ou tese? O problema seria porque  há poucas chances de esses trabalhos serem muito citados, diferentemente dos artigos publicados em revistas de luxo? Mas há quem afirme  que 90% dos artigos publicados em periódicos acadêmicos nunca são citados (Maho, 2007). Textos muito  usados em cursos de pós-graduação certamente são citados nas teses e dissertações daqueles que representam o futuro da pesquisa. Isso não deveria contar?


SPINAK, E. Google Acadêmico, Web of Science ou Scopus, qual nos dá melhor cobertura de indexação? [online]. SciELO em Perspectiva, 2019 . Available from: https://blog.scielo.org/blog/2019/11/27/google-academico-web-of-science-ou-scopus-qual-nos-da-melhor-cobertura-de-indexacao/

Um aplicativo que faz o dever de casa?

Fui apresentada ao Socratic  da Google. Minha colega estava encantada com a ajuda que esse aplicativo oferece aos estudantes. Baixei o Socratic para ver qual seria a minha impressão.

O funcionamento é simples: o aplicativo permite fotografar uma pergunta ou fazê-la em voz alta, clica-se em “pesquisar”  e ele fornece a resposta quase imediatamente. Pode lidar com conteúdos de Álgebra, Geometria, Trigonometria, Biologia, Química, Física, História e Literatura. Realmente essa parte — isto é, a constatação do desenvolvimento tecnológico acessível num num aparelho de celular —  encanta.

Fiz a primeira tentativa de teste com um exercício de Álgebra. A resposta veio como uma linda cola. Uma cola bem explicadinha. Ainda apareceu um “100” sobre a tela final. O segundo teste foi um pedido de demonstração matemática. O aplicativo jogou-me para uma pesquisa no próprio Google.

Tentei questões de uma prova minha antiga, dissertativa. O resultado não pareceu muito diferente de uma pesquisa no Google com uma palavra chave. Alguém reclamava na internet de que o aplicativo não dava respostas para  questão que contivesse texto.

A vantagem apresentada — a resposta de um problema e como se chegou a ela — pode ser uma ferramenta interessante para um bom aluno ou para um autodidata que se vê diante de um obstáculo que não consegue ultrapassar. A mesma vantagem pode ter um lado negativo: um aluno que recebe uma tarefa para casa pode tornar o aplicativo um recurso para copiar respostas. Nesta situação o aplicativo se torna uma versão sofisticada dos livros didáticos que trazem as respostas dos exercícios lá nas páginas finais.

É quase verão na Letras

Fotos: Maria Carlota Rosa
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A jaqueira que fica em frente ao Dept. de Linguística e Filologia (e também Letras Clássicas, Orientais e Eslavas) está magnífica.

 

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2019-11-12 Estátua

 

O pátio do café20191112_091017

O pátio entre os blocos D e F

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A jaqueira vista do térreo do bloco D (com alguém descansando perigosamente embaixo dela).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ficou linda!

Segundo o jornal  O Globo, foram cinco anos de tapumes, mas acabou e agora  a Biblioteca Nacional está belíssima. Um senão: não voltou aquela pequena área para cafezinho que havia no andar da entrada faz muitos anos. Uma máquina de expresso já servia.

 

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Saindo do 3º andar
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Área externa voltada para a rua México

 


Referências

Porcidonio, Gilberto. 2018. Após cinco anos de obras, beleza é devolvida à Biblioteca Nacional. O Globo, 31Maio2018. https://oglobo.globo.com/rio/apos-cinco-anos-de-obras-beleza-devolvida-biblioteca-nacional-22734626

Fotos na página: Maria Carlota Rosa, 07Nov2018.

 

 

A universidade ainda precisa do professor?

Ao se comemorar mais um Dia do Professor, a pergunta acima faz sentido  face à laudação a propostas de ensino  sem professores e sem livros que vêm surgindo em vários meios de comunicação. Repensar nosso trabalho como professores e o papel da instituição universidade num mundo em que o próprio livro  está em mudança é também parte do nosso trabalho.

O trecho abaixo faz parte da Introdução escrita pelo Professor de Literatura Comparada da UERJ João Cezar de Castro Rocha para Futuro da Universidade, título que faz parte de uma interessante Coleção Universidade, da Editora da UERJ, .

Na passagem do século XVIII para o XIX, muitos chegaram a supor que a figura do professor e mesmo a universidade haviam se tornado um evidente anacronismo. Afinal, por que frequentá-los, se as bibliotecas públicas, os clubes de leitura e as associações de ensino se multiplicavam com rapidez nunca vista? Recordemos que Karl Marx escreveu uma das mais importantes obras de todos os tempos, estimulando muitos a transformar o mundo em lugar de somente interpretá-lo, graças a seu cartão de leitor do “Reading Room” do British Museum. Comodamente instalado no sugestivo salão circular, viajou à roda da história, consultando livros e documentos  necessários para a redação de O capital. Salvo engano, não precisou de vínculo formal com universidade alguma para desenvolver sua pesquisa. Entretanto, dispunha de uma biblioteca que encantaria qualquer personagem de Jorge Luis Borges. 

[….] 

Portanto, ao contrário do que geralmente se acredita, a imprensa se revelou, num primeiro momento, uma séria ameaça à estrutura existente do ensino universitário. A visão do binômio universidade/biblioteca como sendo a imagem de um encontro perfeito somente pôde ser construída a partir da reinvenção do próprio conceito de ensino. Caso contrário, a biblioteca teria tornado a universidade uma curiosa relíquia. Enfrentar esse problema e propor uma solução realmente original foi o mérito maior do projeto preparado por Wilhelm von Humboldt para o Estado da Prússia, e que se revelou decisivo na fundação da Universidade de Berlim, em 1810. Humboldt inventou nada menos do que uma nova pedagogia, capaz de assimilar de forma criativa a tecnologia de informação que parecia condenar irremediavelmente a figura do professor a um triste e lento ocaso.

[….] a ciência é compreendida como um problema que nunca pode ser totalmente resolvido. Portanto, a pesquisa se transforma num esforço infinito. Pelo contrário, na escola a tarefa da instituição se limita à transmissão de conhecimento prontos, ou seja, conhecimentos previamente estabelecidos. Já numa instituição científica superior, o relacionamento entre professores e alunos adquire uma feição completamente nova, pois, neste ambiente, ambos existem em função da ciência.

A engenhosa solução encontrada por Humboldt criou o modelo moderno de universidade, no qual ensino e pesquisa dão-se as mãos, constituindo duas faces da mesma moeda, por assim dizer. Nesse modelo, o professor reencontra uma função nobre: como a pesquisa é um esforço contínuo e literalmente interminável, a presença física do mestre não pode ser substituída por nenhuma tecnologia de informação, tampouco pelo autodidatismo do aluno às voltas com os tesouros da biblioteca.”


Referências

Rocha, João Cezar de Castro. Antes que seja tarde: reflexões sobre o futuro da universidade. In: Casper, Gerhard & Iser, Wolfgang. Futuro da Universidade. Trad. Bluma Waddington Vilar. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2002. p. 22-25