Chegou o dia da defesa

As horas que antecedem a defesa da dissertação ou da tese são um misto de emoções, da alegria à ansiedade. Em geral tudo termina bem, mas vale a pena ter atenção a alguns detalhes.

  • A defesa é uma situação muito formal.

Pode-se medir a formalidade da situação pelo tempo de preparação para aquele momento e pela papelada para sua realização. Até tem ata!

Em algumas universidades de muitos séculos a formalidade chega ao vestuário, com normas sobre a vestimenta específica para esse ato: quem pode usar veste talar, beca, cinto, traje passeio… No Brasil não há normas determinando um vestuário específico. Em geral, a banca e o candidato ao grau estão um pouco mais arrumadinhos que nas aulas.

"Um pouco mais arrumadinhos" significa que não importa 
que neste Rio de Janeiro esteja a 43°: não é hora para shortinhos, 
bermudas, chinelos, camisa aberta. Não vai dar para mostrar 
a tatuagem? Certamente ninguém está lá por causa dela.
Nem é hora para aquele minivestido drapeado matador 
que ficou lindo (deixe esse para a comemoração).
  • Demonstre cortesia com a banca.

A banca precisa de tempo hábil para ler o trabalho. O exemplar da tese deve chegar a cada membro da banca, suplentes incluídos, cerca de um mes antes da defesa.

Apenas o exemplar, sem lembrancinhas que, certamente, 
causarão constrangimento e podem vir a ser mal interpretadas. 
  • A defesa é pública.

Em geral, respondem  à divulgação do evento com a presença outros pesquisadores do mesmo tema e colegas de pesquisa. Podem também assistir à defesa familiares e amigos. 

Na UFRJ a defesa fechada ao público, com cláusula de 
confidencialidade e sigilo é excepcional, 
podendo ser autorizada "mediante solicitação do orientador, 
acompanhada do acordo de todos os membros da banca, 
com aprovação da comissão deliberativa 
do programa de pós-graduação, 
da comissão de pós-graduação e pesquisa, se houver, 
da congregação ou colegiado equivalente 
e do conselho de coordenação do Centro Universitário" 
(Resolução CEPG 01/2006, Art. 56, par. único).
  • Não se atrase.

Chegue bem antes da hora marcada. Use o tempo para confirmar se a sala está liberada, se a aparelhagem está funcionando (em especial se parte dos membros participar  da banca por videoconferência). E para não ficar mais nervoso ainda.

  • Durante a espera…

À medida em que os membros da banca forem chegando, cumprimente cada um, mas nesse momento nenhum deles é “coleguinha”.

Certamente nenhum deles é parente do candidato.
Nem sócio. Nem qualquer membro da banca 
pode ser parente do orientador. Conflitos de interesse
não são bem vistos.

Nem pensar em distribuir presentes para a banca antes da defesa (na verdade, nem depois).

  • É indispensável ter em mãos uma cópia da dissertação ou tese durante a defesa.

Ela será necessária para responder à arguição e para anotar as passagens do texto que merecerem reparos da banca.

  • Vai começar. Celular desligado.

Atenção ao que está sendo dito. No correr da defesa  não confira se há novas mensagens no celular, nem tente postar selfies

  • E começou!

Em geral a defesa tem início com o presidente da banca (que pode ser o Orientador ou não — depende do regimento de programa de pós-graduação) dando início aos trabalhos. Nesse introito há a  apresentação dos componentes da banca, os agradecimentos a eles por terem aceitado participar da defesa e agradecimentos à presença dos demais.

Finda essa abertura, o presidente da banca passa a palavra ao candidato ao grau de mestre ou doutor para que faça uma apresentação do trabalho. A  duração dessa apresentação (e até se deve ou não haver uma apresentação) é estipulada pelas normas do programa de pós-graduação.

Terminada a apresentação, tem início a arguição. Cabe ao presidente da banca decidir a ordem dos arguidores. O arguidor escolhe se quer respostas a cada pergunta ou todas ao final das perguntas.

  • Quem pode ter uso da palavra.

No Brasil e em muitos países apenas a banca e o candidato têm direito à palavra, que  é concedida pelo presidente da banca. Os demais presentes, mesmo que especialistas na área, assistem em silêncio e não podem interromper a defesa. 

O candidato tem de deixar isso claro para seus convidados. 
O candidato está numa avaliação e não pode 
ter de se preocupar com o comportamento de outras pessoas.
Imagine que um convidado se levanta e começa a cantar  
em homenagem ao parente/amigo (posso garantir que é esquisito
para todos os presentes, mas, para o candidato é de perder o chão); 
ou pior: que um convidado resolve destratar os arguidores, 
porque demonstraram que não gostaram do trabalho. 

  • E acabou!

Após a leitura da ata pelo presidente com o resultado final, cumprimente todos os membros da banca e não saia para a comemoração antes de assinar todos os documentos necessários.

A regulamentação geral da UFRJ sobre a pós-graduação 
está na Resolução CEPG nº 01/2006. 
A Resolução CEPG nº 02/2015 introduziu a possibilidade 
de participação por videoconferência, mas com restrições.

Sugiro a leitura dos seguintes textos:

Enago Academy. 2019. Como Defender uma Dissertação/Tese. 16Jul2019. https://www.enago.com.br/academy/defender-dissertacao-tese/

Sgarbi, Adrian. 2013. O que não fazer em sua defesa de dissertação ou tesehttp://pesquisatec.com/new-blog/2013/9/2/o-que-no-fazer-em-sua-defesa-de-dissertao-ou-tese

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Apresentando um trabalho num encontro da área

 

Trabalho aceito, tudo arrumado… E a apresentação? Se for a primeira vez nessa situação,  o nervosismo é a norma. Como não estragar tudo?  Algumas sugestões.

1.  Mantenha-se dentro do tempo estipulado para a apresentação. 20 minutos são 20 minutos, não meia hora. Nem pensar em pedir mais uns minutinhos ao coordenador da mesa para focalizar um importantíssimo ponto do trabalho. Para o coordenador da mesa, permitir tempos desiguais para os participantes criaria justificado mal-estar; para a organização do encontro,  um atraso numa sessão é uma dor de cabeça em cadeia.

2. O computador e o programa PowerPoint são aliados nessa hora. Ou não. Vejamos:

  • já pensou que o sistema operacional pode ser outro? Que o PowerPoint desconfigura no Linux? Uma segunda versão, em pdf, por exemplo, pode ajudar numa hora dessas;
  • não há necessidade de ilustrar os slides; caso isso seja feito, certifique-se de que não existem direitos sobre as imagens utilizadas;
  • tenha certeza de que está com  a versão correta do trabalho; de que,  perante uma plateia, não terá de vasculhar todas as pastas do computador ou do pendrive para descobrir onde ficou a versão revisada para a apresentação;
  • se precisar de reprodução sonora, contacte a organização do evento com antecedência sobre a disponibilidade de caixas de som e programas compatíveis;
  • não use fontes menores que 28: são ilegíveis para a plateia;
  • se tem tempo para comentar 10 slides,  não faça uma apresentação com um montão de  slides a mais, que serão pulados: vai parecer que não se preparou para o evento e que está aproveitando um trabalho antigo;
  • prepare-se para uma eventual falta de luz ou pane de equipamento: a sessão pode não ser cancelada apesar disso.

3. Se tiver de pegar avião (pior: com conexões), ônibus, navio, leve o trabalho na bolsa de mão, com cópia em nuvem, no email …

4. Se houver perguntas, honestidade nas respostas: em princípio, todos na plateia são especialistas na área e tentar enrolar essa turma não é boa ideia.

5. E se alguém for grosseiro no questionamento do trabalho? Você não será o único a testemunhar a grosseria. Não desça do salto nessa hora; afinal, quem está assistindo às apresentações gastou dinheiro e tempo e estava ali pelo seu trabalho e pelo trabalho de todos na sessão e não para uma sessão de mal-estar. Pense neles, respire fundo e responda ao malcriado educadamente. Certamente o coordenador da mesa terá de intervir se a agressividade do participante continuar a interromper o trabalho.

6. Nossas tomadas brasileiras de três pinos não são usadas no resto do mundo. Se o encontro for fora do país, não esqueça de adaptadores.

 

Um prêmio estranho

 

IMAGEM 
"TROPHY DESIGN" by PROTOTYPUM, 
Martin Žampach is licensed under CC BY-NC-ND 4.0

 

A  Publons (agora da Clarivate Analytics) mais uma vez promoveu o Global Peer Review Awards, anunciado na Peer Review Week deste ano, que teve lugar entre 16 e 20 de setembro.  Em  2019 o prêmio contou com três categorias: os pareceristas top-10 , os pareceres de excelência e uma categoria para editores.

A Publons, cuja missão declarada é “speed up science by harnessing the power of peer review“, vem assumindo o papel de treinar a produção de pareceres e ajudar a indústria de publicações acadêmicas a encontrar nomes para atuarem como pareceristas (ver Crotty, 2018).

    O nome numa lista e …

    Em meio a muita discussão sobre o trabalho gratuito de pessoal altamente especializado  em prol de revistas científicas que cobram taxas muito caras dos autores para a publicação em acesso aberto e/ou de assinaturas também de preço elevado, publicadas por editoras cujos lucros andam na casa dos 40% — diferentemente da crise do mercado livreiro — não há como não se perguntar se esse prêmio é valorização suficiente para aquele que deixou de lado seu próprio trabalho e contribuiu de graça para uma indústria bilionária (em dólares ou euros); nem se esse prêmio não seria o equivalente da estrelinha que se ganhava na escola quando criança: confere algum status num pequeno círculo.

    Embora se diga que escrever pareceres sobre artigos acadêmicos submetidos a revistas científicas é parte do trabalho acadêmico, essa não é uma das cláusulas de qualquer contrato de trabalho como professor ou pesquisador (ver Watson, 2017).

    Trabalho necessário, mas que conta pouco para quem o faz

    Ninguém nega a importância do trabalho dos pareceristas. A divulgação do trabalho científico, no mundo atual ligada à avaliação por pares, é importante para a Ciência e igualmente importante nos processos formais de avaliação de professores e pesquisadores. Escrever pareceres é, porém, trabalho voluntário, certamente não prioritário na lista de afazeres.

    Agora, se esse trabalho é tão importante, se uma revista cobra alguns milhares de dólares do autor para publicar seu artigo por conta dos custos que alega ter com o preparo do manuscrito para a publicação, por que o par (ou trio) de pareceristas que recomendaram (ou não) a publicação não pode ser remunerado?

    Pode-se argumentar  que esse profissional terá seu nome listado como parecerista de uma revista de luxo. Mas, pensando bem: se um pesquisador concorre a uma vaga de professor ou pesquisador , ter uma enorme lista de pareceres  ou não incluir essa parte no lattes vai fazer diferença? Ter escrito críticas a trabalhos alheios, como notou Crotty (2018), impressiona mais uma banca que a qualidade do próprio trabalho? Por outro lado, para a revista ter um profissional renomado listado entre seus pareceristas é relevante.

    E as revistas em acesso aberto que não cobram taxas dos autores,
    caso da quase totalidade das revistas nacionais no Qualis? 
    Não são periódicos predatórios; têm papel importantíssimo na
    divulgação das pesquisas no país; 
    solicitam pareceres dentro de prazos razoáveis. 
    Atender ao convite de um desses periódicos para emitir um parecer
    continua sendo trabalho voluntário, não prioritário, 
    mas essas publicações, que não visam lucro e lutam para se manterem,
    merecem a colaboração, ainda que não remunerada,
    de todos nós.

     


     

    Crotty, David. 2018. Credit for Peer Review: What is it Worth? The Scholarly Kitchen, 18Out2018. https://scholarlykitchen.sspnet.org/2018/10/18/credit-for-peer-review-what-exactly-does-that-mean/

    Watson, Mick (@Biomickwatson). 2017. Let’s keep saying it, and say it louder: REVIEWERS ARE UNPAID. Opiniomics, 23Agos2017. http://www.opiniomics.org/lets-keep-saying-it-and-say-it-louder-reviewers-are-unpaid/

    A Revista da ABRALIN adota a taxonomia CRediT/Contributor Roles Taxonomy (Taxonomia das Funções do Colaborador)

    Em agosto de 2018 informávamos da adoção da taxonomia CRediT pela Scielo (Quem é o autor do trabalho afinal? Decisões sobre coautoria). Não obstante o número de autores por artigo em Linguística no Brasil estar, em geral,  em torno de dois ou três e de algumas revistas da área ainda trazerem instruções que remetem ao autor único, agora é a vez da revista da ABRALIN/ Associação Brasileira de Linguística adotar o CRediT .

    Os trabalhos com mais de um autor submetidos à Revista da ABRALIN deverão indicar a atribuição dos seguintes papeis:  Conceptualização –  Curadoria de Dados –  Análise Formal – Aquisição de Financiamento – Investigação – Metodologia –  Administração do Projeto –  Recursos – Software –  Supervisão –   Validação –   Visualização –  Escrita –  Escrita 

    Sai o autor, entra em cena o colaborador

    Como recentemente apontou Alex Holcombe, a atribuição de autoria em muitos periódicos leva em conta a definição de autor do ICMJE/ International Committee of Medical Journal Editors que não tem lugar para muitos tipos de colaboração necessários ao desenvolvimento de pesquisas.

    No caso da Revista da ABRALIN, a inovação no estabelecimento da autoria/colaboração vem juntar-se à revisão por pares aberta, anunciada recentemente e os dados abertos. Será muito interessante, portanto, acompanhar a implantação desse modelo na área da Linguística brasileira.

     

    Informações: http://www.abralin.org/circulares/rabralin/CRediT.pdf

    Holcombe, Alex. 2019. Farewell authors, hello contributors. Nature 571, 147 (05Jul2019)  https://www.nature.com/articles/d41586-019-02084-8

     

    As citações por outro ângulo: o da ética

    Imagem "Citation_needed" by Dawihi 
    is licensed under CC PDM 1.0 

    A construção de indicadores quantitativos tem traduzido para as agências de fomento e as instituições de ensino a importância do pesquisador e do periódico em que trabalhos são publicados e tornou-se talvez o principal pilar para promoções na carreira e solicitações de diversos tipos de auxílios.

    Nesse cenário de métodos bibliométricos, as tentativas de manipulação de indicadores começaram a se tornar fonte de preocupação. E levaram o COPE/ Committee on Publication Ethics a divulgar recentemente um documento que aponta práticas condenáveis relativas às citações (COPE, 2019). A preocupação também está presente na seção sobre Editor Roles and Responsibilities  do livro branco do Council of Science Editors, atualizado em 2018.  Em outras palavras: chama-se a atenção para o mau uso de citações.

    Se parte do problema seria quer de iniciativa dos autores — a autocitação que tem por objetivo inflacionar o número de citações do próprio trabalho ou a troca de citações (ing. citation swapping) entre colegas — quer da iniciativa de pareceristas que solicitam a inclusão de citações de seus trabalhos, outras práticas estão ligadas à editoria de periódicos. Por exemplo,  no nível do periódico, a autocitação transforma-se em citação coercitiva (ing. coercive citation): a demanda da editoria do periódico aos autores (particularmente se no início da carreira) para que façam a inclusão de citações de trabalhos publicados naquela mesma revista a fim de que o texto submetido tenha mais chances de ser aceito. As citações solicitadas são desnecessárias e sequer  se indica para os autores da submissão que deficiências seria necessário rever lançando mão de textos (quais?) anteriormente publicados no periódico que está recebendo a submissão.

    A citação honorária envolve a citação excessiva e desnecessária de nomes notáveis na área — como o editor da revista, por exemplo.

    O empilhamento de citações (ing. citation stacking) diz respeito a um acordo entre editores de diferentes periódicos para que os textos publicados em cada um deles reúnam citações dos demais periódicos desse grupo.

    Vale a pena participar desses esquemas?

    Em outras palavras: deixar de lado a integridade na vida acadêmica ajuda o pesquisador ou editores? Certamente não e isto vale para qualquer momento da carreira.

    Há seis anos atrás, em 2013, a empresa que detinha o Journal Citation Reports (JCR) acusou a prática de empilhamento de citações em quatro periódicos médicos brasileiros de longa tradição no país (Clinics, Jornal Brasileiro de Pneumologia, Revista da Associação Médica Brasileira Acta Ortopédica Brasileira) que haviam demonstrado grande melhora bibliométrica e os suspendeu do JCR por um ano. Todos os editores à época se defenderam da acusação, com argumentos sobre o cenário brasileiro de publicações nessa área específica e a necessidade de tornar os periódicos brasileiros mais atrativos. A biblioteca SciELO Brasil, de que os quatro periódicos fazem parte, determinou a retratação dos artigos em que os números revelados podiam ser interpretados como envolvimento nessa prática; já a CAPES/Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior levou a punição para além dos editores e autores retratados: nenhum dos artigos publicados nesses periódicos entre 2010 e 2012 foi contabilizado na avaliação trienal da pós-graduação de 2013 (van Noorden, 2013), retirados todos do Qualis (FAPESP, 2013). Artigos já aceitos para a publicação foram retirados a pedido de seus autores.

     Although such behavior may result in a short-term gain, the strategy may not work in the long term (CSE, 2018: 13)

     


     

    COPE – Committee on Publication Ethics. 2019. Citation Manipulation. COPE Discussion Document, Version 1: July 2019. https://publicationethics.org/files/COPE_DD_A4_Citation_Manipulation_Jul19_SCREEN_AW2.pdf 

    CSE-Council of Scientific Editors/ Editorial Policy Committee. 2018. CSE’s White Paper on Promoting Integrity in Scientific Journal Publications. https://www.councilscienceeditors.org/resource-library/editorial-policies/white-paper-on-publication-ethics/

    FAPESP.  2013. Punição para citações combinadas.  Revista Pesquisa FAPESP, 213. Nov.2013. https://revistapesquisa.fapesp.br/2013/11/18/punicao-para-citacoes-combinadas/

    Fong, Eric A. & Wilhite,  Allen W. 2017. Authorship and citation manipulation in academic research. PLoS ONE, 12(12): e0187394.  https://doi.org/10.1371/journal.pone.0187394

    Sampaio, Rafael. 2013. Índice internacional suspende revistas científicas brasileiras. G1/ Ciência e Saúde, 30Ago2013. http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/08/indice-internacional-suspende-revistas-cientificas-brasileiras.html

    University of Alabama in Huntsville. 2012. Research ethics: Coercive citation in academic publishing.  ScienceDaily, 2 February 2012. www.sciencedaily.com/releases/2012/02/120202164817.htm 

    Van Noorden, Richard. 2013. Brazilian citation scheme outed. Nature 500: 510-511. http://www.nature.com/polopoly_fs/1.13604!/menu/main/topColumns/topLeftColumn/pdf/500510a.pdf 

     

    CONCURSO PARA DESENVOLVIMENTO DE MARCA INSTITUCIONAL PARA O CENTRO DE LETRAS E ARTES | CLA

    O CLA/ Centro de Letras e Artes, instância da  Universidade Federal do Rio de Janeiro que reúne quatro Unidades — a Faculdade de Letras, a Escola de Música, a Faculdade de Arquitetura  e Urbanismo e a Escola de Belas Artes — lança um concurso para uma nova marca institucional do CLA.

    Podem concorrer os estudantes regularmente matriculados nos cursos de graduação ou de pós-graduação das unidades componentes do CLA. Inscrições até 25/10/2019.

    Para os interessados, o edital Edital Logo CLA

    E se esse texto nunca foi citado?

    É uma anedota na vida acadêmica  que um texto não citado é um episódio de fracasso. Ninguém leu? Não despertou interesse? Irrelevante, então. (Tem-se aqui em conta a citação feita por outros pesquisadores, de outros grupos de pesquisa, não a autocitação). Mais ou menos a mesma sensação que sentimos quando o livro que consultamos na biblioteca tem a ficha em branco. Bom, a foto que ilustra este texto é um indício de que essa visão é um tanto simplista.

    Num mundo em que as citações são contabilizadas e lançadas no curriculum vitae, em que pontuam os pedidos de progressão ou promoção é previsível que todos os pesquisadores queiram um índice-h igual a 18 — e reconhecimento em vida.  Mas isto não equivale a dizer que se um texto não recebeu citações ao longo de cinco,  dez anos é porque é trabalho sem valor.

    O impacto de  um trabalho durante o tempo de vida do autor pode enfrentar dificuldades completamente alheias à qualidade — problemas que vão da censura à língua em que um texto foi escrito.

     

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    Van NOORDEN, Richard. 2017.  The science that’s never been cited. Nature Briefing, 13Dez2017. https://www.nature.com/articles/d41586-017-08404-0

    Citações e referências: posso citar a mim mesm@?

    Eu ainda estava no Doutorado e numa conversa com o saudoso Carlos Franchi (1932-2001) no prédio da Praia Vermelha — onde tínhamos assistido a uma palestra do também saudoso Fernando Tarallo (1951-1992) —  ouvi do Prof. Franchi que não citava trabalhos dele mesmo. Aquela conversa ficaria na minha memória, junto com as palavras de Rodolfo Ilari na homenagem póstuma ao amigo: “a vontade de pesquisar com humildade” (Ilari, 2002: 87).

    Tornei a lembrar-me dessa conversa por estes dias: um estudo sobre um corpus de 100 mil pesquisadores muito citados mostrava que 250 deles, em pelo menos 50% das vezes em que foram citados, haviam citado a si ou recebido citação de seus co-autores; em alguns dos casos, em 94% das citações.

    Os tempos mudaram desde aquela conversa. Um pesquisador como o Prof. Franchi, cuja produção foi “altamente informal, tendo preferido a exposição em seminário ao impresso, e o working paper ao livro” (Ilari, 2002: 85), hoje seria forçado não só a publicar mais (o que nos faz lembrar da anedota de que Saussure atualmente não conseguiria lugar num programa de pós-graduação em Linguística porque não publicava — a respeito desse saussureano “horreur d’écrire”, ver Piller, 2013, texto já mencionado neste blogue), mas também a demonstrar o impacto de sua pesquisa pela contabilização de referências, de quantificação mais fácil que o respeito acadêmico e a influência sobre  alunos e colegas.

    Ao  longo das últimas décadas aumentou o número de grupos de pesquisa e, em paralelo, houve aumento no número de trabalhos referidos num artigo, não importa de que área. Nas Ciências Sociais, por exemplo, se na década de 1960 o número médio de citações por trabalho estava um pouco abaixo de 10 títulos, em 2015 a média já chegava a 50 (Van Noorden, 2017). Em 2005 surgia o índice-h, uma medida do impacto das pesquisas que toma por base as citações. E assim as citações entraram no cv Lattes, passaram a pontuar pedidos de progressão na vida acadêmica…

    Deixando de lado por enquanto os maus usos das auto-referências, em que situações citar/referir nosso próprio trabalho chega mesmo a ser necessário? Afinal, o mesmo estudo apontava 12,7 % como valor médio de auto-citações.

    Em primeiro lugar, em razão da continuidade da pesquisa: se estamos voltando a material que já publicamos — e, como aconselha o Prof. Ataliba de Castilho, especialmente se mudamos de ideia em relação a trabalho que publicamos no passado — temos de referir o que publicamos anteriormente. Em segundo lugar, se utilizamos material nosso anteriormente publicado, para evitar acusações de autoplágio (COPE, 2019,Legitimate Reasons for Self-Citation). Este segundo motivo era desconhecido até bem pouco tempo  e nem mesmo sua denominação era encontrada em português.

    Sobre autoplágio, neste blogue:
    Autoplágio ou reciclagem textual -1 
    Autoplágio ou reciclagem textual -2

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    COPE/ Committee on Publication Ethics. 2019. Citation Manipulation. COPE Discussion Document, Version 1: July 2019. https://publicationethics.org/files/COPE_DD_A4_Citation_Manipulation_Jul19_SCREEN_AW2.pdf

    Hirsch, J. E. 2005. An index to quantify an individual’s scientific research output.

    Ilari, Rodolfo. 2002. Humildade na pesquisa para construir o futuro. Revista do GEL/ Grupo de Estudos Linguísticos do Esta do de São Paulo. Número Especial.  “Em memória de Carlos Franchi (1932-2001), 2002, nº 0. São Paulo: Contexto. p. 83-87 https://revistas.gel.org.br/rg/article/download/178/154 

    Piller, Ingrid. 2013. Saussure, the procrastinator. Language on the Move, 30Out2013. https://www.languageonthemove.com/saussure-the-procrastinator/
    Van Noorden, Richard. 2017.  The science that’s never been cited. Nature Briefing, 13Dez2017. https://www.nature.com/articles/d41586-017-08404-0
    Van Noorden, Richard &  Chawla, Dalmeet Singh. 2019. Hundreds of extreme self-citing scientists revealed in new database. Nature Briefing, 19Ago2019

    https://www.nature.com/articles/d41586-019-02479-7

    Duas infrações à integridade acadêmica: cola e plágio

    O texto a seguir, de Roberto Imbuzeiro Oliveira, pesquisador titular do IMPA/ Instituto de Matemática Pura e Aplicada, foi publicado no blog “Ciência & Matemática“, de Claudio Landim, também do IMPA e Coordenador da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP).

    O foco central é a cola, a cópia de respostas de outrem  durante um teste ou prova. No passado “outrem” (entidade que ocupa o lugar que deveria ser das fontes de pesquisa) era um colega de sala, um livro ou anotações com o conteúdo previsto para o exame; com o avanço da tecnologia, “outrem” pode agora ser um indivíduo bem longe do local da prova ou mesmo um site. Se ao invés de um teste ou prova temos um trabalho, o uso impróprio das fontes é tratado como plágio.

    Oliveira, baseado em autores como McCabe (2005), ressalta a difusão desses comportamentos entre os estudantes dos diferentes níveis de ensino. E a dificuldade para mudar essa atitude. Até porque, como defende McCabe, a busca de mudança tem de vir do envolvimento da instituição e dos estudantes. Ambos difíceis.


    Sobre a cola

    Roberto Imbuzeiro Oliveira  – Pesquisador titular do IMPA

    Segundo o psicanalista Luiz Alberto Py, o aluno que cola numa prova está angustiado por desconhecer a matéria. Essa opinião foi transcrita no Jornal O Globo de 17 de maio de 1990 em uma matéria que falava do suicídio de um aluno do Colégio Militar do Rio de Janeiro. Celestino José Rodrigues Neto, de 14 anos, fora pego com um livro aberto numa prova de Geografia. Sua mãe foi chamada pelo colégio e ouviu pelos autofalantes da escola o nome de seu filho e sua punição pela transgressão. O menino não se perdoou pela humilhação da mãe e tirou sua própria vida.

    No chutômetro, diria que pelo menos 25% dos meus colegas de Ensino Fundamental e Médio colava regularmente. O número dos que colaram pelo menos uma vez por ano certamente era maior que 40%. Em geral, isso não era fruto de desespero: no máximo, o aluno sentia uma aflição mixuruca pensando na mãe braba com o boletim. Mesmo quem não colava, como eu, achava aquilo tudo natural e até engraçado.

    (Parêntese em nome da honestidade: eu nunca colei, mas dei cola em algumas ocasiões. Devo ter subido no conceito dos meus amigos com isso, mas fico triste em pensar que algum professor meu pode estar lendo isto aqui.)

    Na faculdade, as matérias ficaram mais difíceis e a cola, mais sofisticada. Meus colegas de turma eram excelentes alunos e quase todos estudavam bastante. Ainda assim, alguns trocavam informações durante os exames. Era como se fizessem a prova juntos! Alunos menos bons também colavam e plagiavam trabalhos. Inclusive, tirei zero num trabalho que um colega roubou da porta da sala do professor, copiou e devolveu pro lugar.

    De repente, eu me vi vítima da cola e do plágio alheios. O jogo era mais sério: todo mundo ali era maior de idade e a expectativa era que uma boa performance naqueles cursos renderia oportunidades futuras. Havia gente que, sem vergonha aparente, conseguia um “up” no histórico com base na malandragem.

    Do momento que eu fui prejudicado, deixei de achar a cola algo maroto e divertido. Daí para eu rever minhas ideias foi um pulo. A cola, o plágio e seus congêneres são, sim, trapaças e mentiras. É obrigação do estudante prezar pela própria formação e ter respeito pelos professores. Poucas coisas irritam tanto quanto descobrir a desonestidade de um aluno, mesmo que não seja meu. O caso do Colégio Militar continuou parecendo absurdo, mas, ao mesmo tempo, deixei de achar graça de quem colava.

    O problema no Brasil e no mundo

    Por alguns anos, minha descoberta me deu pretexto para falar mal daquele tipo chamado “o brasileiro,” aquele cara de quem, paradoxalmente, todo brasileiro fala. “O brasileiro” joga lixo no chão, fura a fila, suborna o guarda de trânsito e vaia o hino nacional alheio. Na certa “o brasileiro” também cola na escola e não acha nada demais dos filhos seguirem a tradição. Resolvi que era isso mesmo: nossa cultura ancestral de levar vantagem em tudo era a responsável por tantas trapaças.

    Infelizmente, não era só isso mesmo. Pode até ser verdade que há um “tabu” maior com relação a cola e plágio em outros países. Ainda assim, as trapaças também são bastante difundidas no resto do mundo.

    Há uma literatura acadêmica especializada nesse assunto. Donald McCabe, dos Estados Unidos, passou a vida estudando este tema. Sua conclusão é que a cola e o plágio são bem difundidos nos EUA e no Canadá, e os alunos não veem nada muito grave nisso [1]. Outros trabalhos corroboram esses estudos em outros países. Até um lugar como Cingapura, draconiano no combate ao chiclete, tem problemas parecidos no mundo dos alunos [2].

    Esse quadro global quase faz com que eu me sinta o alienista de Machado de Assis: de repente sou eu que estou doido. Não cheguei a esse ponto, mas observo que a linha de trabalhos descrita acima também se preocupa em estudar o porquê dos alunos colarem. Para além dos estudantes que acham que colar “tá de boa”, vê-se que há os que não se sentem acolhidos no ambiente acadêmico e os que sentem que os honestos ficam para trás [3]. Certamente há nisso um quê de angústia do doutor Py, mas, ao invés de virar um drama ou tragédia, ela se resolve num cálculo racional: muita gente cola e isso parece valer a pena.

    O que fazer a respeito?

    O quadro acima também sugere uma saída racional para as trapaças acadêmicas. Por um lado, o aluno tem de ser acolhido. Por outro, as falcatruas têm de valer menos a pena. Mas qual é a receita? Entre passar a mão na cabeça – o que parece errado –, dar zero em quem cola – que não parece adiantar – e o Colégio Militar do Rio – que, ao menos em 1992, chegava a ser cruel –, não é fácil decidir o que fazer.

    Como alguém que trabalha com saber e educação, meu sonho seria não alterar o comportamento dos alunos, mas sim seus sentimentos. Eu gostaria que cada aluno ouvisse da sua própria consciência que colar e plagiar é errado.

    Um ex-aluno meu que é professor disse que perdoaria mais facilmente um estudante que o esmurrasse do que aqueles que pega colando. Eu não chego a tanto, mas entendo esse sentimento. O nome dele é angústia e ele atinge também quem ensina e cria saber.

    Bônus: um “causo” esdrúxulo

    Como este texto está meio depressivo, parece boa ideia fechá-lo com uma história engraçada. Talvez eu ainda ache graça nisso de vez em quando.

    Eis o “causo”. Estava aplicando uma prova no IMPA. Na época não me preocupava em ficar em cima dos alunos 100% do tempo: era difícil imaginar pós-graduandos de um centro de elite colando. Por isso, como de costume, saí da sala e voltei várias vezes.

    Numa dessas saídas, acabei passando um bocado de tempo numa cabine do banheiro. De lá escutei uma pessoa chegar ao mictório e depois, outra. Depois dos barulhos esperados, os dois entabularam uma conversa:

    — E aí, cara? A prova tá difícil, né?

    — É.

    — Pois é, também achei.

    — É.

    Reconheci uma das vozes: era de um aluno fazendo a prova. A outra certamente era de outro estudante da mesma turma.

    Depois de uma pausa, voltou o papo.

    — As duas primeiras questões são fáceis, mas a 4 eu não sei…

    — É…

    Mais uma pausa — ou seria hesitação? — e o segundo aluno disse:

    — Na 4, o que você tem que pensar é o seguinte: …

    Caramba, dois mestrandos marmanjos estavam prestes a passar cola no banheiro!

    Pensei em esperar mais dois segundos, abrir a porta da cabine de repente e pegar os dois no flagra. Isso me causou um incômodo físico: era estranho eu fazer isso sem nem lavar as mãos. Além do mais, havia o incômodo moral: eu podia ser benevolente e impedir que o erro deles se consumasse. Foi o que resolvi fazer gritando com eles lá do “trono”:

    — OLHEM LÁ O QUE VOCÊS VÃO DIZER AÍ! O PROFESSOR TÁ ESCUTANDO VOCÊS!

    Muito se fala do poder da palavra; naquele dia, aprendi que a minha palavra tem o poder de desintegrar alunos espertos. Ou pelo menos foi o que pareceu, já que, depois de eu falar, fez-se silêncio absoluto no recinto. Era como se ninguém jamais tivesse passado por ali.

    Imagino que eles perceberam o bem que fiz, mas não sei se sentem gratidão. De um jeito estranho, acho que consegui ser a voz da consciência daqueles rapazes.

    —-

    [1] McCabe, D.. “Cheating among college and university students: A North American perspective,” International Journal for Academic Integrity,vol. 1, no. 1 (2005).

    [2] Lim, V. K. G.; See, S. K. B.. “Attitudes Toward, and Intentions to Report, Academic Cheating Among Students in Singapore.” Ethics and Behavior vol. 11, no. 3 (2001).

    [3] Norris, E. J.. “Academic integrity matters: five considerations for addressing contract cheating.” International Journal for Educational Integrity vol. 14, no. 15 (2018).


     

    Oliveira, Roberto Imbuzeiro. Sobre a cola. In: Landim, Claudio. Blog “Ciência e Matemática, 18Jul2019. https://blogs.oglobo.globo.com/ciencia-matematica/post/sobre-cola.html

    3º D-Ling/ Debates em Linguística

     

    logo D-Ling

    3º D-Ling / Debates em Linguística

    De 24 a 26 de setembro de 2019

    UFRJ/ FL/ Auditório E3 

    O Departamento  de  Linguística  e Filologia da Faculdade de Letras da UFRJ convida para o 3º D-Ling, que  objetiva integrar a pesquisa, o ensino e a extensão do Departamento de Linguística e Filologia como forma de divulgação das pesquisas de seu corpo docente e de convidados para incentivar nos estudantes de graduação o interesse pela Linguística e pela Filologia e pela continuidade nos estudos nessas áreas.

    O  tema da edição 2019 é Linguística: uma ciência com muitos percursos possíveis de pesquisa.

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    Inscrições para a apresentação de pôsteres até 09/09/2019  através do link bit.ly/dling-poster.

    Inscrições em minicursos até 23/09/2019 pelo link bit.ly/dling-minicurso

    ALGUMAS INFORMAÇÕES DE HORÁRIOS:
    Palestras da manhã: 
    terça e quinta 10h às 11h15
    quarta 11h15 às 12h30
    
    Palestras da tarde: 14h às 15h15
    Palestras de noite: 18h às 19h15
    
    Sessões de pôsteres: terça e quinta de 11h15 às 12h30 
    
    Minicursos:
    1) “Coisas legais em Linguística” 
    Diogo Pinheiro (UFRJ) e Alessandro Medeiros (UFRJ)
    terça e quinta de 15h45 às 17h45
    
    2) “Voz, fala e expressividade”
    Letícia Rebollo Couto (UFRJ)
    terça, quarta e quinta de 8h às 9h30
    
    Coffee breaks:
    Manhã – 9h30 às 10h / Tarde – 15h15 às 15h45
    

     

    Comissão Organizadora: Prof. Adriana Leitão Martins (Coordenação); Prof. Alessandro Boechat de Medeiros; Prof. Deise Cristina de Moraes Pinto; Prof. Maria Carlota Amaral Paixão Rosa.

    Plataforma Brasil: problemas com o Mozilla

    A seguir, o informe da  Unidade Técnica Plataforma Brasil



     

    Prezados (as) Usuários (as),

    Devido à incompatibilidade com o versão atual do Mozilla Firefox, a Plataforma Brasil tem apresentado inconsistência no momento da emissão dos pareceres, tranzendo informações cruzadas neste documentos. Visando mitigar essas falhas, recomendamos que façam a instalação da seguinte versão do Mozilla Firefox ou utilizem o Google Chrome:

    Mozilla Firefox ESR

    https://download.mozilla.org/?product=firefox-esr-next-latest-ssl&os=win64&lang=pt-BR (64 bits)

    https://download.mozilla.org/?product=firefox-esr-next-latest-ssl&os=win&lang=pt-PT (32 bits)

    Caso ainda apresente erro, pedimos que entrem em contato pelos canais de atendimento da Plataforma Brasil para que possamos averiguar melhor os casos.

    Desde já agradecemos pela paciência.

    Atenciosamente,

    Unidade Técnica Plataforma Brasil

     

     

    Na UERJ/ São Gonçalo, extensão universitária, Língua Portuguesa e inclusão social: o Projeto LetraJovem,vencedor do I Pitching Social do Canal Futura

    A Universidade do Estado do Rio de Janeiro/ UERJ, através da sua Faculdade de Formação de Professores, no campus São Gonçalo, desenvolve desde 2014 o Projeto LetraJovem/Oficinas de Língua Portuguesa para Jovens e Adultos em Situação de Vulnerabilidade Social em parceria com o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e com o Centro de Recursos Integrados de Atenção ao Adolescente (CRIAAD), de São Gonçalo, unidade do DEGASE/ Departamento Geral de Ações Socioeducativas que trabalha com medidas socioeducativas de semiliberdade.

    O Projeto, coordenado pela Prof. Márcia Lisbôa Costa de Oliveira, tem como público:

    • jovens de 16 a 24 anos que cometeram infrações e cumprem ou cumpriram medida socioeducativa em semiliberdade ou em liberdade assistida;
    • jovens de 18 a 24 anos oriundos de famílias de baixa renda ou em situação de risco social;
    • pais e mães de famílias em risco social e
    • egressos do sistema penitenciário.

    (Fonte: cv lattes da Coordenadora)

    Não é difícil perceber a importância do Projeto face aos números: dados da Pesquisa Nacional de Medidas Socioeducativas em Meio Aberto realizada em fevereiro/março de 2018 pelo Ministério do Desenvolvimento Social  mostravam que o Brasil, àquela época, contava com 117.207 adolescentes e jovens em cumprimento de medidas socioeducativas de liberdade assistida e/ou prestação de serviços à comunidade. Sem liberdade, internados em 461 estabelecimentos socioeducativos existentes no país, mais 22.640 jovens, em dados de novembro de 2018. Em situação de vulnerabilidade, os números ampliam-se exponencialmente.

    E o que Língua Portuguesa, a temida disciplina escolar, tem a ver com isso? As variedades linguísticas da maioria desses falantes não têm prestígio; a evasão escolar entre essa população é altíssima: em torno de 70%. Sendo assim, “alguns desafios do projeto são combater o preconceito linguístico e discutir o ensino de língua portuguesa em contextos de exclusão”, “desenvolver metodologias de ensino voltadas aos jovens, principalmente quanto à leitura e à produção de textos”.

    Mais informações: um documentário de 15 minutos sobre o Projeto está agora disponível na internet. É o “Todas as línguas”, vencedor do I Pitching Social do Canal Futura, disputado entre universidades do SE e CO com projetos sobre o tema “Juventudes”.  O Canal Futura apoiou financeiramente a realização do documentário e o colocou em sua grade de programação em julho passado.


     

    UERJ/Futura. 9Jul2019. Todas as línguas. Direção Cássia F. Andrade.  Duração: 15 min.  https://www.youtube.com/watch?v=Eh-tfuPPHC0 

    [Ministério do Desenvolvimento Social /Secretaria Nacional de Assistência Social]. s.d. Relatório da Pesquisa Nacional de Medidas Socioeducativas em Meio Aberto no Sistema Único de Assistência Social.  http://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/relatorios/Medidas_Socioeducativas_em_Meio_Aberto.pdf

    Recomeçando o CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO DE LÍNGUAS INDÍGENAS / CELIN do Museu Nacional da UFRJ

    O incêndio que em 2 de setembro de 2018 destruiu o Palácio do Museu Nacional fez com que o acervo do CELIN virasse cinzas. Uma pálida ideia do que o CELIN conservava ainda nos chega numa página de internet,  legado da comemoração dos 200 anos do Museu —  projeto para 2018, agora uma lembrança nostálgica.

    “Sobramos nós, que estamos aqui e vamos recomeçar”

    Com o espírito sintetizado nessas palavras da Prof. Marília Facó Soares, cujo conhecimento daquele acervo e dedicação ao Museu Nacional da UFRJ nos legou a organização do Guia de fontes e bibliografia sobre línguas indígenas e produção associada/ Documentos do CELIN, publicação de 2013, começa agora o esforço de reerguer o CELIN.

    O auxílio pode tomar uma das formas a seguir:

    RECONSTITUIÇÃO DO ACERVO DO CELIN SOB FORMA DIGITAL: enviar a colaboração por e-mail para

    • marilia@acd.ufrj.br  (responsável pelo CELIN)
    • lcristac@gmail.com (bibliotecária do CELIN).

    DOAÇÃO AO CELIN-MN/UFRJ DE LIVROS, PERIÓDICOS, MATERIAIS LINGUÍSTICOS
    TEXTUAIS, MATERIAIS EM SUPORTE FÍSICO (CDs/DVDs, fotografias, mapas,
    microfichas) doação pelos Correios para

    Centro de Documentação de Línguas Indígenas – CELIN-MN/UFRJ -–LINGUÍSTICA       Setor de Protocolo
    a/c Prof. Marília Lopes da Costa Facó Soares 
    Museu Nacional – prédio da Biblioteca
    Av. Gen. Herculano Gomes, s/n
    Quinta da Boa Vista – São Cristóvão
    Rio de Janeiro – RJ
    CEP 20941-360

    AJUDA FINANCEIRA AO CELIN:

    Passo 1: fazer um depósito identificado em favor do CENTRO DE
    DOCUMENTAÇÃO DE LÍNGUAS INDÍGENAS – MUSEU NACIONAL/UFRJ
    (CELIN-MN/UFRJ).para:

    Associação Amigos do Museu Nacional
    Banco do Brasil (001)
    Agência: 3010-4
    Conta: 60618-9
    CNPJ: 30024681/0001-99

    Passo 2: enviar o comprovante digitalizado do depósito por e-mail com duplo endereçamento, para:

    (i) sosmuseunacional@samn.org.br

    (ii) marilia@acd.ufrj.br

    Importante:  deixar claro, no e-mail, que o depósito se dá em favor do CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO DE LÍNGUAS INDÍGENAS – MUSEU NACIONAL/UFRJ (CELIN-MN/UFRJ).


    Referências

    SOARES, Marília Facó (org.).2013. Guia de fontes e bibliografia sobre línguas indígenas e produção associada/ Documentos do CELIN. Rio de Janeiro: Museu Nacional UFRJ. http://www.museunacional.ufrj.br/dir/celin/docs/Soares_org_2013_Guia_CELIN.pdf

    Dados abertos e avaliação por pares aberta chegam à linguística brasileira

     

    A discussão sobre os pareceres abertos apresentada nas postagens A avaliação por pares em discussão – Partes 1, 2 e 3 ganhará forma, em breve, na Revista da Abralin, periódico da Associação Brasileira de Linguística. Mas não só.

    Numa circular aos associados datada de 16 de julho de 2019, as editoras-chefes da revista, argumentando que “[a] ciência vive um momento de crise, que vai muito além da crise da replicabilidade; […] uma crise de credibilidade, que decorre da falta de transparência no processo, que é, no cenário brasileiro, majoritariamente financiado pelo contribuinte”; que “o processo de revisão duplo cego (em que pareceristas não sabem quem são os autores, e vice-versa) não tem se mostrado transparente“;  que “o trabalho do parecerista, essencial para o aprimoramento do texto e com contribuições substanciais para a forma final, não é reconhecido publicamente” , solicitam aos associados já doutores  que se cadastrem como pareceristas para uma nova fase da revista: “a partir de 2020, as submissões à Revista da Abralin passarão por processo de revisão aberto, em que autor e parecerista não são anônimos“.

    Não será a única parte da inovação. Ainda na sequência de decisões que colocam o periódico no movimento Ciência Aberta, no tocante às submissões de manuscritos serão priorizadas as submissões à Revista da Abralin “que apresentarem a indicação de compartilhamento dos conjuntos de dados de análise, instrumentos, scripts de análise estatística, roteiros e materiais adicionais, que devem estar em repositórios online abertos, tais como OSF e Figshare, por exemplo”.

    Também serão priorizadas as submissões “que se comprometerem a contribuir com um texto de popularização a ser publicado na Roseta, revista da Associação Brasileira de Linguística voltada para a popularização científica, de modo a promover a Ciência Cidadã”.

    A circular pode ser lida em http://revista.abralin.org/index.php/abralin/announcement/view/4

    Autoplágio ou reciclagem textual – 2

     

    Algumas situações em que um trabalho já publicado ganha nova publicação:

    • na tradução para outra língua;
    • na apresentação do trabalho para um público diferente.

    Isso é problema?

    Nenhum problema, mas a publicação anterior deve ser claramente indicada e, se for o caso, o novo editor deve ser avisado quando da submissão do manuscrito. Isso diminui as chances de publicação? Muito provavelmente. Mas é muito melhor do que ter um trabalho retratado.

    E se for apenas a reutilização de porções de texto já publicado num novo texto?

    Uma saída é tratar esses trechos como citação de trabalho anterior, com aspas e referência.

    Mas se reapresentar um trabalho, no todo ou em parte, é autoplágio, se assim é não posso colocar meu manuscrito no meu blogue ou num servidor de preprints? Até a Scielo está construindo um repositório de preprints (que está no âmbito da questão mais ampla do acesso aberto)! 

    Bom, aí complica, porque revistas têm políticas próprias, que podem ou não permitir essa prática. No que respeita a preprints, a Wikipedia arrolou vários periódicos com alto fator de impacto e apontou a política de cada um quanto a essa publicação prévia.


    FAPESP. Aos 20 anos, SciELO planeja plataforma de preprints. Pesquisa FAPESP, 272. Out2018. https://revistapesquisa.fapesp.br/2018/10/22/aos-20-anos-scielo-planeja-plataforma-de-preprints/

    Roig, M. 2010. Plagiarism and self-plagiarism: What every author should know Biochemia Medica,20(3):295-300. https://www.biochemia-medica.com/en/journal/20/3/10.11613/BM.2010.037

    Wikipedia contributors, “List of academic journals by preprint policy,” Wikipedia, The Free Encyclopedia, https://en.wikipedia.org/w/index.php?title=List_of_academic_journals_by_preprint_policy&oldid=899808896 .

    [Parte 1] [Parte 2]

    #dealforscience e o Brexit

    A preocupação com o Brexit chegou à ciência: uma petição online solicita que a União Europeia e o Reino Unido cheguem a um acordo quanto à colaboração científica. A preocupação envolve recursos para a ciência: o Reino Unido poderia perder acesso, por exemplo, ao Horizon 2020 (por ano, no período 2014-2020, £ 1,5 bilhão por ano para o Reino Unido) ou ao seu sucessor, o Horizon Europe , ao Erasmus+. Alguns registros dessa preocupação:

     

    A petição: KEEP THE EU AND UK COLLABORATING IN SCIENCE #DEALFORSCIENCE https://www.openpetition.eu/petition/online/keep-the-eu-and-uk-collaborating-in-science-dealforscience


    Brexit é um cruzamento vocabular (ou blend, ou palavra-portmanteau) formado a partir das palavras inglesas Britain e exit; denomina a saída do Reino Unido da União Europeia. Segue o mesmo modelo de Grexit, palavra criada para denominar o movimento que solicitava que a Grécia deixasse a zona do euro (e que na Grécia foi denominado ελλέξοδος, de Ελλάς + έξοδος).


    Imagem:

    Wikimedia Commons contributors, “File:UK location in the EU 2016.svg,” Wikimedia Commons, the free media repository,  https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=File:UK_location_in_the_EU_2016.svg&oldid=344772331

    Autoplágio ou reciclagem textual – 1

    Autoplágio é termo recente que vem sendo definido como a republicação de um trabalho no todo ou em parte, pelo autor, sem que se informe ao leitor da publicação anterior — em suma: apresenta-se como novo algo que não é novo. Daí a denominação alternativa reciclagem textual.

    Pode causar estranheza considerar essa uma atitude censurável: afinal, plágio diz respeito a lançar mão do trabalho de outrem como se fosse próprio. Por que, então, reapresentar um trabalho próprio é considerado má conduta?

    Esse comportamento é problemático se revela a intenção de inflacionar a produção no próprio cv, mas também se incorre em problemas ligados a copyright.

    [Continua]

    [Parte 1] [Parte 2]

    Aceito ou não o convite para um parecer?

    O COPE/ Committee on Publication Ethics apresenta, em forma de fluxograma, um guia para ajudar na decisão a se tomar quando se é convidado a emitir parecer para uma revista.

     

    COPE - peer review

    O COPE sugere que se levem em conta dois conjuntos de critérios. O primeiro levanta:

    a) a respeitabilidade do periódico (e sugere, para isso, uma consulta ao site Think. Check. Submitb) a política de revisão por pares apresentada; e c) os potenciais conflitos de interesse.

    Resolvida essa parte, a decisão deve levar em conta: a) se o trabalho poderá ser entregue no prazo estipulado; e b) se o texto a ser avaliado se enquadra em nossa área de especialidade.


    Referências

    COPE/ Committee on Publication Ethics. What to consider when asked to peer review a manuscript.  https://publicationethics.org/node/34241

    Think. Check. Submit. https://thinkchecksubmit.org/

    A terceirização na avaliação por pares -2

    A defesa da terceirização dos pareceres toma por base, em geral, a necessidade de treinamento nessa tarefa acadêmica. Se a questão é o treinamento de orientandos,  há formas mais eficazes. McDowellKnutsen, GrahamOelker & Lijek  apresentam o modelo implementado por uma professora  da University of California Santa Cruz, Needhi Bhalla, transcrito abaixo. Há também treinamentos online, como, por exemplo:

    Já a não inclusão do nome do colaborador foi  justificada, na pesquisa, com argumentos como esconder dos editores que o parecerista convidado, ao nomear os colaboradores no parecer, demonstraria ter quebrado o sigilo da avaliação; mais estranho foi o argumento  de não haver um campo no formulário para incluir a colaboração.

    O nome de quem escreveu ou teve co-autoria deveria receber créditos. Se alguém escreve um parecer mas outrem o assina, estamos diante de uma prática conhecida como autoria fantasma. Não é uma boa prática.

     


    Template from Dr. Needhi Bhalla (UCSC) for peer review training using preprints

    Assignment description

    “Your assignment is to pick a cell biology preprint from biorxiv (http://biorxiv.org/collection/cell-biology) and review it. This assignment is due [DATE] [TIME], Please submit your review as a word document so that I can edit it.

    I’ll assess, edit and grade your review. Afterwards, you will email your edited review to the corresponding author(s), cc’ing me on this email. Your grade is contingent upon submission of your review to the authors.

    I’d like you to organize your review as follows:

    Part 1. Summary (less than 500 words):

    Write a brief overview of the author’s findings and provide a general assessment on the quality of the work: strengths and weaknesses.

    Part 2. Detailed comments:

    Address each of the questions below, providing specific examples to justify your comments.

    1. Significance 

      Does the author provide justification for why the study is novel and how their results will influence the field?

    2. Observation

      Are the author’s descriptions of the data accurate and are all key experiments and hypotheses covered? Are the author’s arguments logically and coherently made? Are counterbalancing viewpoints acknowledged and discussed? Are they sufficiently detailed for a non-expert to follow? Do they include superfluous detail?

    3. Interpretation

      Are the inferences supported by the observations? Do you agree? If not, what experiments would you need to see to be convinced? Please limit any requests for new work, such as experiments, analyses, or data collection, to situations where the new data are essential to support the major conclusions. Any requests for new work must fall within the scope of the current submission and the technical expertise of the authors.

    4. Clarity

      Is the manuscript easy to read and free of jargon, typos, and grammatical or conceptual errors? Is the information provided in figures, figure legends, boxes and tables clear and accurate? Is the article accessible to the non-specialist?

      Tips:

      It is important to provide a helpful review that you would want to receive. Critical thinking does not need to be negative to be convincing!

      Let me know if you’d like to consult with me about your choice of papers or have any questions.”

     


    McDowell, Gary S. et alii. Co­reviewing and ghostwriting by early career researchers in the peer review of  manuscripts.  bioRxiv preprint first posted online Apr. 26, 2019; doi: http://dx.doi.org/10.1101/617373.

    [Parte 1] [Parte 2]

    A terceirização na avaliação por pares – 1

     

    Três postagens anteriores (A avaliação por pares em discussão – Partes 1, 2 e 3) focalizaram a discussão que atualmente envolve diferentes possibilidades de implementação da avaliação por pares aberta. Todas as propostas em discussão reconhecem o tanto de trabalho que a atividade soma à já sobrecarregada vida acadêmica, mas consideram a figura o avaliador único.

    Um artigo de Benderly no magazine Science, porém,  traz para primeiro plano uma prática obscura: a terceirização de pareceres, assinados por pesquisadores de ponta, mas escritos de fato por pesquisadores em início de carreira: pós-graduandos ou pós-docs.

    [Continua]

     


    Benderly, Beryl Lieff.  Early-career researchers commonly ghostwrite peer reviews. That’s a problem. Science/Taken for Granted, 6Maio2019.  https://www.sciencemag.org/careers/2019/05/early-career-researchers-commonly-ghostwrite-peer-reviews-s-problem

    McDowell, Gary S. et alii. Co­reviewing and ghostwriting by early career researchers in the peer review of  manuscripts.  bioRxiv preprint first posted online Apr. 26, 2019; doi: http://dx.doi.org/10.1101/617373.

    [Parte 1] [Parte 2]

     

    Na InterFORENSICS 2019, uma sessão para a Linguística como Ciência Forense

    A InterFORENSICS/ Conferência Internacional de Ciências Forenses é “o maior evento integrado de Ciências Forenses da América Latina”, com 13 grandes áreas das Ciências Forenses.

    Na edição de 2019, que teve lugar na última semana em São Paulo, a Linguística teve espaço na programação da tarde de sexta-feira, 24/Maio, na área temática ICMedia –  Ciências Forenses em Multimídia e Segurança Eletrônica:

    14h às 14h30 – SALA 6, com tradução
    Videoconferência – The relevance of Phonetics/Linguistics to the field of Forensic Speaker Comparison.
    Peter French – University of York
    14h30 às 15h – SALA 12
    A contribuição da Linguística de Corpus para a área forense.
    Tony Berber – PUC/SP
    15h às 16h – SALA 12
    Painel Comparação Forense de Locutor: o que é necessário para o fazer competente.
    Plínio de Almeida Barbosa – Unicamp
    Tiago Petry – IGP/SC
    Rafael de Oliveira Ribeiro – Polícia Federal

    A avaliação por pares em discussão – Parte 3

    As alternativas ao modelo de avaliação por pares hegemônico na atualidade —  referidas como open peer review (OPR) — são um conjunto de combinações de abertura como indicado na postagem de 20 de maio passado e começam a gerar pesquisas na comunidade científica. Assim, em julho de 2018, o repositório do Consejo Superior de Investigaciones Científicas/ DIGITAL.CSIC publicava os resultados de uma enquete com 158 pesquisadores da Espanha (Bernal & Román-Molina, 2018) . Ao assumirem o papel de revisor ou de autor, os pesquisadores consultados demonstraram sua preferência pelo duplo-cego:

    CSIC- duplo cego autor

    CSCI-duplo cego revisor

    Dentre as conclusões da pesquisa chama a atenção a falta de consenso em relação à implantação de mudanças:

    Los encuestados valoraron las oportunidades y los beneficios de una posible reforma del sistema dominante de revisión por pares de manera dispar. Así, algo más del 60% de los encuestados piensa que hacer públicas las revisiones de los artículos científicos puede ser beneficioso como información complementaria para los lectores y que la calidad de las propias evaluaciones aumentaría. Por otro lado, no existe consenso entre los encuestados sobre el riesgo de que un sistema de revisiones públicas actuara como obstáculo para realizar evaluaciones especialmente críticas, con casi 47% de respuestas tendentes a pensar que tal riesgo existiría. Finalmente, algo más del 50% de los encuestados piensa que publicar la identidad de los revisores ayuda a reducir posibles conflictos de intereses.

     

    CSCI- Contra e a favor

    Nassi-Caló (2015) arrola seis argumentos favoráveis à revisão aberta por pares e cinco contrários. Entre os riscos Nassi-Caló vê um aspecto mais grave que uma possível represália: “Certos comentários nos pareceres poderiam ser distorcidos e descaracterizados para reduzir a credibilidade da pesquisa, de uma área do conhecimento ou da ciência como um todo. Esta probabilidade seria maior em periódicos que publicam pesquisa com maior risco de discussão política”. Nota que a aceitação ou rejeição da OPR não é a mesma em todas as áreas; que pesquisadores mais jovens estão mais propensos a concordar com sua implantação. Para os editores, a adoção de um modelo que publicasse não só o artigo em sua forma final, mas outras versões submetidas, comentários dos pareceristas, respostas dos autores e decisão do editor não seria “trivial”.


     

    Bernal, Isabel &  Román-Molina, Juan. 2018. Encuesta sobre evaluación por pares y el módulo “Open Peer Review” de DIGITAL.CSIChttp://digital.csic.es/bitstream/10261/167425/3/encuesta_DC_peer_review_oprm_2018.pdf

    NASSI-CALÒ, L. Potenciais vantagens e desvantagens na publicação de pareceres [online]. SciELO em Perspectiva, 2019 . https://blog.scielo.org/blog/2019/04/30/potenciais-vantagens-e-desvantagens-na-publicacao-de-pareceres/

    [Parte 1]   [Parte 2] [Parte 3]

    300m de imagens em uso gratuito

    A Creative Commons lançou em abril a nova versão do CCSearch, com 300 milhões de imagens, mantida a possibilidade de filtragem para modificar e adaptar a imagem e de seu uso comercial. Informam, porém, que

    Please note that CC does not verify whether the images are properly CC licensed, or whether the attribution and other licensing information we have aggregated is accurate or complete. Please independently verify the licensing status and attribution information before reusing the content. For more details, read the CC Terms of Use.

    O banco de imagens pode ser pesquisado em  https://search.creativecommons.org/  ou, na versão antiga, em https://oldsearch.creativecommons.org/

    A avaliação por pares em discussão – Parte 2

    Quais são as alternativas? São muitas. Ernesto Spinak (2018), com base na literatura sobre o tema, organizou um quadro das alternativas em discussão:

    OPR - Spinak

    [Continua na Parte 3]

     


    SPINAK, E. Sobre as vinte e duas definições de revisão por pares aberta… e mais [online]. SciELO em Perspectiva, 2018 https://blog.scielo.org/blog/2018/02/28/sobre-as-vinte-e-duas-definicoes-de-revisao-por-pares-aberta-e-mais/

    [Parte 1]  [Parte 2]  [Parte 3]

    A avaliação por pares em discussão – Parte 1

    Considerada o alicerce das publicações científicas, a avaliação por pares é cada vez mais o centro de discussões em que surgem processos alternativos a serem adotados. Em foco, o nível de transparência no processo.

    A forma mais comum de avaliação por pares é aquela que preserva o anonimato —  seja porque o autor não toma ciência dos nomes dos pareceristas (simples-cegoing. single-blind), seja porque os autores não sabem quem são os pareceristas nem os pareceristas sabem quem são os autores (duplo-cegoing. double-blind) — e o sigilo que envolve os pareceres exarados, endereçados apenas ao editor e ao autor.

    Em meados desta década, Nassi-Calò (2015) apontava novas alternativas a esses processos:

    Recentemente, novas formas de revisão por pares vem sendo consideradas, como alternativas aos métodos simples e duplo-cego. Revisões totalmente abertas, em que a identidade de autores e revisores é conhecida por ambos; revisões abertas publicadas ao final do artigo, abrindo espaço para discussões pós-publicação; e a substituição da revisão por pares por revisão pós-publicação estão entre as alternativas que ganharam destaque como formas da evolução do processo original de peer review.

    Em que consistem essas alternativas? [Continua na Parte 2]


     

    Bernal, Isabel &  Román-Molina, Juan. Encuesta sobre evaluación por pares y el módulo “Open Peer Review” de DIGITAL.CSIChttp://digital.csic.es/bitstream/10261/167425/3/encuesta_DC_peer_review_oprm_2018.pdf

    Nassi-Calò, Lilian. 2015. Avaliação por pares: modalidades, prós e contras. Scielo em Perpectiva, 27Mar2015. https://blog.scielo.org/blog/2015/03/27/avaliacao-por-pares-modalidades-pros-e-contras/#.XJWQoVVKiXI

    [Parte 1]  [Parte 2] [Parte 3]

    Citações e referências: por que preciso disso?

    Ao elaborar um texto acadêmico há algumas razões para fazer referência a outros textos.

    • Uma delas é situar a discussão do problema focalizado numa linha teórica e, assim, mostrar ao leitor em que propostas o trabalho se apoia.
      books school stacked closed
    • Ao fazer isso, também se demonstra o aprofundamento da pesquisa — ou não, caso as fontes  sejam apenas fontes não acadêmicas ou não haja fonte alguma.
    • Também se dá ao leitor a chance de buscar mais informação (e de confirmar o conteúdo de nossa própria referência).
    • Por outro lado, se uma ideia — ou um texto, gráfico, tabela … — não é minha nem faz parte do conhecimento comum tenho de dar crédito a quem de direito. Não fazer isso é incorrer em plágio*.

     

    *
    UFRJ. Diretrizes sobre integridade acadêmica.
    MIT. Academic Integrity at MIT: A Handbook for Students

    Há diversos estilos de apresentação das referências. Alguns deles:

    [Post 1] [Post 2] [Post 3] [Post 4] Post 5]


    Foto por Pixabay em Pexels.com

    Posso citar a Wikipedia?

    Há algum tempo dedico uma aula das minhas disciplinas a uma conversa sobre pesquisa e fontes confiáveis. Uma pergunta recorrente é “E a Wikipedia?“. Tanto que passei a incluir um slide nessas apresentações com a pergunta:

    Wiki

    As fontes, isto é, onde vamos buscar informação, são um aspecto crucial de uma pesquisa. São fontes possíveis livros e artigos, mas também material disponível na internet, que podem incluir outras bibliotecas, blogues, dados governamentais, videos …. Estejam na internet ou numa prateleira da biblioteca, as fontes têm de ser avaliadas.

    A internet como fonte

    A internet pode ser fonte de pesquisa, mas ela não é como a biblioteca da universidade, nem como a bibliografia das diferentes disciplinas (neste blogue já houve diversas postagens que focalizaram a revisão por pares), além de exigir um tipo de cuidado desnecessário na biblioteca: warning

    o site que aparece na busca pode colocar a segurança do computados em risco;

    As obras de referência

    Tradicionalmente a biblioteca distingue as obras de referência, aquelas que apenas consultamos para obter informação, como enciclopédias e dicionários, e aquelas que vamos não apenas consultar, mas ler, como artigos periódicos científicos, por exemplo. No tocante a obras de referência há aquelas que são gerais e as que são especializadas. A Encyclopedia of Language and Linguistics é uma enciclopédia especializada; a Wikipedia é uma enciclopédia geral.

    A Wikipedia é uma enciclopédia livre, colaborativa. Qualquer pessoa pode escrever ou modificar um artigo da Wikipedia, seja ou não um especialista na área. Isso faz com que a qualidade dos artigos possa variar. Mais ainda: colaboradores podem incluir artigos absolutamente falsos, os hoaxes. Um exemplo famoso: The Bicholim Conflict, uma guerra entre portugueses e o Império Maratha no século XVII, contribuição à Wikipedia de um colaborador de nome  A-b-a-a-a-a-a-a-b-a (Lewis, 2014). A guerra nunca aconteceu, os livros na bibliografia referida não existem …

    Mas não é preciso jogar fora o bebê junto com a água do banho…

    A Wikipedia periodicamente supervisiona o material disponibilizado e mantém um registro dos enganos intencionais, que são apagados: Wikipedia:List of hoaxes on Wikipedia Quem atualmente procurar pelo artigo-hoax anteriormente mencionado encontrará a informação de que se tratava de um hoax e pode mesmo ver a imagem pública do artigo agora apagado: https://www.wikidata.org/wiki/Q21510193

    Isso nunca aconteceria no papel! (Mesmo?)

    A  inclusão de uma entrada fictícia nunca aconteceria em obras de referência mais canônicas? Não é bem assim.

    Quem conhece a fotógrafa Lillian Virginia Mountweazel (1942-1973), cuja vida mereceu um artigo na The New Columbia Encyclopedia (New York: Columbia University Press, 1975)?

    Mountweazel, Lillian Virginia, 1942-73, American 
    photographer, b. Bangs, Ohio. Turning from 
    fountain design to photography in 1963, 
    Mountweazel produced her celebrated portraits of the 
    South Sierra Miwok in 1964. She was awarded 
    government grants to make a series of 
    photo-essays of unusual subject matter, 
    including New York City buses, the cemeteries of Paris,
    and rural American mailboxes. 
    The last group was exhibited extensively abroad 
    and published as Flags Up! (1972) 
    Mountweazel died at 31 in an explosion 
    while on assignment for Combustibles magazine.
    
    William H. Harris and Judith S. Levey, eds,Mountweazel, Lillian Virginia”, 
    The New Columbia Encyclopedia, 
    New York: Columbia University Press, 1975.
    

    A biografia dessa figura fictícia foi intencionalmente inserida na obra, como forma de armadilha para violações de direito autoral.

    E quem conhece a palavra inglesa esquivalience?

    esquivalience —n. the willful avoidance of  one’s official  responsibilities … late 19th . cent.: perhaps .from French esquiver , “dodge, slink , slink away.” 

    Esquivalience pode ser  considerada um mountweazel (sim, um neologismo criado a partir do sobrenome da Lillian com dois eles): uma entrada fictícia, criada como solução editorial  para a detecção de plágio e, portanto, tão intencional como um hoax do mundo digital.

    Vale a pena ler o artigo de  Henry Alford para The New Yorker em 2005 
    com o título Not a Word.
    Alguns embaraços decorrentes

    O episódio de Bicholim gerou um livro (The Bicholim Conflict), que pode ser comprado sob demanda; de modo semelhante, um erro na leitura de um texto medieval português —  detectado por Carolina de Michaëlis de Vasconcelos (1895) — criara os cantos de ledino e essa leitura  levou Ernesto Monaci (1844-1918) a escrever um livro sobre algo inexistente (Cantos de Ledino tratti dal grande canzoniere portoghese della biblioteca Vaticana) .

    Quanto a palavras criadas como armadilha para plagiadores de dicionários, a linguista Rochelle Lieber  (2010:  29) chamava a atenção para o fato de que essas fake words ou mountweazels podem ganhar vida: ela reporta 55300 retornos no Google em Dez2006 para esquivalience.  Deixava, então, no ar a pergunta se o que inicialmente era um mountweazel não podia vir a tornar-se uma palavra real.

    Posso citar ou não?

    Citações, bem como referências, são menções ao  material pesquisado (as fontes) na elaboração de um texto acadêmico. A própria Wikipedia dedicou uma entrada a seu uso acadêmico: Wikipedia: Academic Use.  Nessa entrada há a seguinte observação:

    Remember that any encyclopedia is a starting point for research, not an ending point. 

    An encyclopedia, whether a paper one like Britannica or an online one, is great for getting a general understanding of a subject before you dive into it, but then you do have to dive into your subject; using books and articles and other higher-quality sources to do better research. Research from these sources will be more detailed, more precise, more carefully reasoned, and more broadly peer reviewed than the summary you found in an encyclopedia. These will be the sources you cite in your paper. There is no need to cite Wikipedia in this case.

    Em resumo

    As críticas e  as proibições a citações da Wikipedia (não à consulta)  em instituições de ensino estão fundamentadas em diferentes tipos de argumentos:  a confiabilidade das fontes empregadas na pesquisa, a profundidade do conteúdo, mas principalmente a formação do aluno como agente na construção de seu conhecimento, o que implica  a leitura de fontes primárias e secundárias e não apenas de resumos, por melhores que  estes sejam.

    As enciclopédias gerais, como a Wikipedia, sempre foram um bom ponto de partida quando não se conhece nada sobre um tema. Um passo muito adiante desse tipo de obra é a enciclopédia especializada, com material escrito por profissionais de renome, rica nas referências de cada artigo, o que permite ao usuário partir para a busca de outras fontes.

    À medida em que alguém se aprofunda num tema, a enciclopédia (como o dicionário) vai sendo deixada de lado.  “Posso citar a Wikipedia?” Talvez a questão seja outra: quando citar uma fonte que resume trabalhos?

    [Post 1] [Post 2] [Post 3] [Post 4] [Post 5]


    Alford, Henry. 2005. Not a Word. The New Yorker, 29Ag2005. https://www.newyorker.com/magazine/2005/08/29/not-a-word

    Brown, Keith (ed.). Encyclopedia of Language and Linguistics (2nd Edition) .Boston: Elsevier, 2006. 14vv.

    Lewis, Dan. 2014. The Bicholim Conflict. Now I Know, 28Fev2014. http://nowiknow.com/the-bicholim-conflict/

    Lieber, Rochelle. 2010. Introducing Morphology. Cambridge: Cambridge University Press.

    Vasconcelos, Carolina Michaëlis de. 1895. Uma passagem escura do “ Chrisfal”. In: Revista Lusitana , 3 (4): 347-362 http://cvc.instituto-camoes.pt/conhecer/biblioteca-digital-camoes/etnologia-etnografia-tradicoes.html

    Wikipedia:List of hoaxes on Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:List_of_hoaxes_on_Wikipedia

    Wikipedia: Academic use. https://en.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Academic_use

    Posso citar um trabalho que foi retratado? – Parte 2

     

    Um exemplo de problemas que podem surgir caso se decida sustentar a argumentação tendo como referência um trabalho retratado por má conduta.

    Digamos que estamos às voltas com uma pesquisa sobre aspecto verbal e que fiquemos encantados com as conclusões de um artigo de 2013 na Psychological Science que afirmava que falantes de inglês, ao relatar experiências emocionais passadas com o uso do imperfectivo (como I was crying) ou do perfectivo (como I cried), demonstravam o quanto estavam próximos ou distantes afetivamente das memórias relatadas  —- e assim demonstrariam seu estado de humor e  de felicidade:

    I propose that the aspect used in describing past emotional experiences can influence memory for them and thereby influence current mood and happiness. (p. 1)

    I hypothesized that using the imperfective (vs. perfective) aspect to describe a pleasant past experience should more effectively reinstate the positive affect associated with that experience (and should result in a more positive mood). Likewise, I predicted that using the imperfective (vs. perfective) aspect to describe an unpleasant past experience would more effectively reinstate the negative affect associated with that experience (and should result in a more negative mood). [….] I hypothesized that using the imperfective aspect to describe an unpleasant past experience should reduce happiness compared with using the perfective aspect, and that using the imperfective aspect to describe a pleasant past experience should enhance happiness compared with using the perfective aspect. (p.2)

    O trabalho chegou a ser citado diversas vezes e foi tema de uma coluna de jornal. Seria retratado algum tempo depois. Motivo alegado? Um aluno de graduação, não listado como autor, teria alterado  as respostas obtidas nos experimentos (Retraction Watch, 17Fev2017), para que elas confirmassem as hipóteses.

    Se os dados são fabricados, que fazer com quaisquer  conclusões, a não ser descartá-las?

    Além disso…

    1. O estudante de graduação acusado de manipulação não é nomeado, nem como autor, nem nos agradecimentos. Segundo o autor único no artigo, o estudante só coletou dados e por isso não preencheria os critérios de autoria (mas ver neste blogue Na lista de autores ou nos agradecimentos?; A autoria múltipla: o primeiro, o último, só um “et alii”?).

    Caso o estudante não preenchesse os critérios de autoria da revista,  teria de obrigatoriamente receber agradecimentos.  Estranhamente o artigo não tem qualquer seção de agradecimentos e, como notou um dos comentários na postagem da Retraction Watch, todo o texto está na primeira pessoa do singular (I analyzed, I used correlational procedures , I conducted four experiments ...).

    2. Os problemas com o desenho dos experimentos foram objeto de comentário em Morey (2017); os resultados não foram confirmados  em Vera (2014).

    Se os dados foram manipulados, vamos sustentar nosso trabalho com base em dados fabricados?


    Referências

    Hart, William. 2013. Unlocking past emotion: Verb use affects mood and happiness.  Psychological Science, 24, 19–26.  [Retratado em Psychological Science, 28(3) : 404. 2017]

    Markman, Art.  2013. Language Changes Distance and Mood. The Huffington Post,  02/06/2013 https://www.huffingtonpost.com/art-markman-phd/language-changes-distance_b_2577109.html?ec_carp=6715025389107967054

    Morey, Richard D. 2017. About that Hart (2013) retraction… Attention to detail is critical in peer review. https://medium.com/@richarddmorey/about-that-hart-2013-retraction-79cfdaea5cb0

    Retraction Watch. 17Fev2017. Study about words’ effect on mood to be retracted after investigation finds evidence of data manipulation. https://retractionwatch.com/2017/02/07/study-words-effect-mood-retracted-investigation-finds-evidence-data-manipulation/

    Vera, Juan Diego. 2014. Does Verb Use Affects Mood and Happiness? Florida State University. A Thesis submitted to the Department of Psychology in partial fulfillment of the requirements for graduation with Honors in the Major  http://diginole.lib.fsu.edu/islandora/object/fsu:204778/datastream/PDF/view

    [Parte 1] [Parte 2]

    Posso citar um trabalho que foi retratado? Parte 1

     

    A retratação é um mecanismo para corrigir a literatura e alertar os leitores sobre publicações que contêm dados tão falhos ou errados que não se pode confiar em suas descobertas e conclusões. Dados não confiáveis podem resultar de simples erro  ou de má conduta na pesquisa.

    COPE/Committee on Publication Ethics. Retraction guidelines.

    A pergunta que abre esta postagem começa a ser mais ouvida, acompanhando o aumento no número de retratações, mesmo em Linguística: no início de janeiro de 2019, uma busca na Retraction Watch Database retornava 60 trabalhos retratados na área em razão de plágio, de duplicação, de problemas de autoria e mesmo de falsificação de dados.

    Pode parecer estranho, mas trabalhos retratados continuam a ser citados, mesmo quando as retratações decorreram de casos de grande repercussão, como demonstraram Bornemann-Cimenti, Szilagyi, &  Sandner-Kiesling (2015), tomando para exemplo os 21 artigos retratados de Scott Reubencujas conclusões foram tão fabricadas quanto eram falsos os pacientes que formaram o universo da pesquisa inexistente.

    O que fazer?

    Vamos a um exemplo concreto, apresentado por um leitor de Retraction Watch (05/01/2018): parte da inspiração para a pesquisa viera de um trabalho posteriormente retratado. Houve a retratação, mas houve também uma influência positiva para o leitor que apresentou o problema. A recomendação do blogue foi a seguinte:

    It’s perfectly fine to cite a retracted paper, as long as the retraction is noted. Ideally, the we’d suggest citing both the paper and the retraction notice, which (according to best practices) should have different DOIs. And you can check for retracted papers in our database.

    Citar: é mesmo necessário?

    Embora haja quem defenda que trabalhos retratados ainda assim podem ter partes citáveis, há aqui um problema. Em princípio, a retratação é uma decisão tão grave que, se o problema diz respeito a apenas um trecho do trabalho, em geral os editores preferem publicar uma nota de correção.

    Se um trabalho foi retratado porque apresentou dados falsos ou dados fabricados, ele não serve de nada. Se foi retratado porque plagiou outro trabalho, que se vá ao original. Se os dados estão tão errados que não se pode confiar no que lá está, de novo: não serve de nada.

    E se foi retratado por conta de uma briga de autoria, por exemplo? Melhor ler a nota de retratação com cuidado e discutir o caso com o orientador.

    E se a nota é vaga e não dá para saber o motivo da retratação? Discuta com o orientador se vale a pena contactar a revista.

     


    Referências

    Bornemann-Cimenti, Helmar; Szilagyi, Istvan S. &  Sandner-Kiesling, Andreas. 2015. Perpetuation of Retracted Publications Using the Example of the Scott S. Reuben Case: Incidences, Reasons and Possible Improvements Science and Engineeng Ethics, Publ. online: 7Jul2015.

    Retraction Watch, 05Jan2018. Ask Retraction Watch: Is it OK to cite a retracted paper? http://retractionwatch.com/2018/01/05/ask-retraction-watch-ok-cite-retracted-paper/

    Retraction Watch Database.http://retractiondatabase.org/RetractionSearch.aspx?  

    [Parte 1]  [Parte 2]

    Após consulta pública, em preparação uma nova versão para o Plano S

    O Plano S, que deve entrar em vigor no próximo 1º de janeiro, deverá contar com uma nova versão.

    A seguir, reproduz-se o artigo “Reação ao Plan S”, de Bruno Pierro.


    Reação ao Plan S

     Consulta recebe mais de 600 sugestões para mudar estratégia de acesso aberto a artigos científicos.

     

    Iniciativa da Comissão Europeia com apoio de agências de 14 países, o Plan S propõe que, a partir de 2020, os resultados de pesquisas financiadas com dinheiro público sejam divulgados em revistas científicas de acesso aberto, aquelas que qualquer pessoa pode consultar sem pagar por isso. A transformação que o plano irá produzir se for adotado por muitos países produziu uma grande mobilização de vários segmentos da comunidade científica. Uma consulta pública sobre a iniciativa, encerrada no início de fevereiro, recebeu mais de 600 sugestões vindas de universidades, agências de fomento, editoras e cientistas de mais de 40 países. “Nunca se viu um debate tão amplo sobre o futuro da comunicação científica como esse”, disse, em nota, David Sweeney, copresidente do cOAlition S, o consórcio internacional responsável pelo plano.

    O conteúdo das mensagens não foi publicado pelo consórcio, que vai analisar as recomendações. Mas parcela significativa dos comentários foi divulgada por seus autores. A plataforma digital Open Access Tracking Project (OATP) reuniu mais de 420 avaliações. Na mídia social Reddit, um fórum sobre o assunto expôs cerca de 105 pareceres. O texto do Conselho de Pesquisa da Noruega (RCN) tem 885 páginas.

    O desafio será buscar pontos de convergência em meio a uma diversidade de vozes e interesses. Em linhas gerais, os comentários refletem preocupações com a forma como seria feita a transição para um modelo de publicação totalmente aberto e propõem uma extensão do prazo para a iniciativa entrar em vigor. Também há sugestões para poupar das restrições do plano as revistas de sociedades científicas, que desempenham um papel importante e dependem da venda de assinaturas. A Sociedade Europeia de Física, por exemplo, considera que uma transição forçada para um sistema exclusivamente de acesso aberto corre o risco de minar a viabilidade econômica desses periódicos.

    Limite para taxas
    Vários comentários questionam se é factível fixar um teto para os valores das taxas cobradas dos autores para publicar artigos em acesso aberto, as chamadas APCs. Um dos objetivos do Plan S é controlar os gastos com essas taxas, cujo valor pode ir de US$ 1,5 mil até US$ 5 mil por paper. “É importante que o limite não fique abaixo dos custos de revisão e publicação em periódicos de qualidade”, recomendou a European Molecular Biology Organization (Embo), sediada em Heidelberg, na Alemanha.

    A decisão de submeter o projeto à avaliação do público foi tomada em novembro, depois de uma forte reação de editoras e grupos de cientistas. Em sua proposta original, o Plan S condena a publicação de artigos em revistas híbridas, em que os trabalhos ficam disponíveis para assinantes, mas o autor pode pagar uma taxa extra para que seu paper seja divulgado sem restrições na web – essa prática é vista como abusiva. Pesquisadores de várias áreas queixaram-se da perda de liberdade de publicar em periódicos de maior impacto, que na maioria são híbridos (ver Pesquisa FAPESP nº 276).

    As grandes editoras, com exceção da holandesa Elsevier, também divulgaram suas considerações sobre o Plan S. A norte-americana Wiley declarou que o plano vai excluir a maioria das revistas científicas ao impor restrições excessivas e lembrou que já existem muitos caminhos para se publicar em acesso aberto. “O Plan S não defende um modelo específico, mas apenas determina o acesso imediato aos resultados de pesquisa”, disse à Pesquisa FAPESP um dos mentores da iniciativa, o holandês Robert-Jan Smits, conselheiro sênior em Acesso Aberto da Comissão Europeia. “Acreditamos que a iniciativa contribuirá para o surgimento de novos periódicos de acesso aberto com qualidade. Isso ocorrerá gradualmente”, afirma Smits. Uma nova versão do guia de implementação do Plan S deverá ser apresentada ainda no primeiro semestre de 2019.


    Pierro, Bruno de. Reação ao Plan S. Consulta recebe mais de 600 sugestões para mudar estratégia de acesso aberto a artigos científicos. Pesquisa FAPESP,  277.   http://revistapesquisa.fapesp.br/2019/03/14/reacao-ao-plan-s/

     

    Material adicionado: sobre resumos

    Na aba DOCS neste site, uma ajuda para quem começa a escrever seus primeiros resumos para participação em evento científico: uma checagem de aspectos a serem considerados. Logicamente essa checagem antecede o aval do orientador. O link está em  Fazendo o primeiro resumo para um encontro científico. 

    Apresentando a comprovação dos dados lançados no cv Lattes

     

    A entrega da comprovação das informações inseridas no currículo Lattes requer alguns cuidados. Nada de entregar um monte de folhas soltas,  amarradas com barbante. Não é só feio: imagine se o barbante rasga as folhas; se, ao soltar o barbante, o material cai da mesa de trabalho  ou  sopra uma rajada de vento…

    Em geral esse material é avaliado em conjunto pela banca examinadora. A banca faz a colação do que se diz  no Lattes com a documentação comprobatória e preenche uma tabela para a pontuação do material.

    Algumas sugestões:

    • Faça a coindexação da informação no Lattes e de sua comprovação, para facilitar a conferência.
    • Se está no Lattes mas não está comprovado, não pontua. Peça a um colega para testar se está fácil encontrar os documentos comprobatórios das informações prestadas no cv e  se faltam documentos.
    • Se um documento incluído não está ligado a qualquer item na tabela de pontuação,  ele não pontua — veja  se não preencheu mal o cv e está perdendo pontuação.
    • Observe se nos critérios de avaliação de cv há pontuação diferenciada para alguns itens de uma das dimensões da avaliação. Por exemplo: a banca examinadora encontrará facilmente a classificação dos seus artigos no indicador Qualis se houver pontuação diferenciada para isso nos critérios?
    • Veja qual a opção de modelo de currículo para impressão que mais lhe interessa (Resumido, Ampliado, Completo, Personalizado) e as demais opções apresentadas para gerar a impressão. Um exemplo: no modelo de impressão resumido desaparece a informação sobre os congressos serem internacionais ou locais, ficando apenas o título (Apresentação de Trabalho/Outra). Essa diferença conta naquela avaliação?

    Uma sugestão final: mantenha o Lattes sempre atualizado. Desse modo se torna mais difícil esquecer de alguma informação. E arquive organizadamente a comprovação.


     

    Rosa, Maria Carlota. 2018. Para a imagem acadêmica.

     

    A FAPESP lança seu “Plano S”

     

    Entra em vigor nesta semana a Portaria CTA nº 01/2019 da FAPESP  que institui a “Política para Acesso Aberto às Publicações Resultantes de Auxílios e Bolsas FAPESP”, aplicável “à publicação de qualquer artigo ou outro tipo de comunicação científica, que contenha resultados originados de pesquisas apoiadas, parcial ou totalmente, pela FAPESP, em qualquer modalidade de apoio”. 

    A portaria estabelece que “os textos completos de artigos ou outros tipos de comunicação científica, originados de pesquisas e projetos por ela financiados, parcial ou totalmente, e publicados em periódicos internacionais sejam depositados em repositório institucional de trabalhos científicos, seguindo-se a política para disponibilização em acesso aberto de cada revista, logo que os manuscritos sejam aprovados para publicação ou em prazo compatível com as restrições de cada revista”.

    Os repositórios das instituições públicas de ensino superior de São Paulo  — da CRUESP, que congrega USP, Unicamp e Unesp, da UNIFESP e da UFSCAR — ganham mais peso  como vitrine da produção científica de cada universidade pública de São Paulo.

    Leia aqui a íntegra da Portaria.


    FAPESP/ Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo . Portaria CTA Nº 01/2019.

    http://www.fapesp.br/12632?fbclid=IwAR1QVe9sxxDWIWMXTxtCLTChzvhsTaEwSxU2Ce65lQM2-EF_WaQyR0AlcN0.

     

    Livros em acesso aberto

    Estão disponíveis  em acesso aberto,  isto é, sem custos para o leitor e sem infringir alguma lei, bibliotecas de livros de diferentes áreas. Alguns endereços:

    Logo Scielo Livros

    http://books.scielo.org/

     

     

    DOAB      https://www.doabooks.org/

     

    logo internet archive                             https://archive.org/

     

    Logo Biblioteca Nacional Digital                      http://bndigital.bn.gov.br/

    Logo - Brasiliana UFRJ

     

    http://www.brasiliana.com.br/

    Logo BBM                        https://www.bbm.usp.br/

    Logo BNP                   http://purl.pt/index/geral/PT/index.html


    Temas específicos

    Corpus Lexicográfico do Português  http://clp.dlc.ua.pt/DICIweb/default.asp?url=Obras

     

    Material adicionado: “Por que deu essa nota na minha redação?”

     

    Está agora na aba “Sobre” um link para meu primeiro Relatório na UFRJ,  pesquisa desenvolvida entre os anos de 1984 e 1986 sobre avaliação de redações e agora publicada na Confluência – Revista do Instituto de Língua Portuguesa .

    Embora nunca o tivesse publicado antes, Por deu essa nota na minha redação? vem circulando como manuscrito e tem tomado parte na bibliografia de algumas disciplinas de cursos de  licenciatura em Letras — e essa a razão de publicá-lo no formato original (o que explica o emprego de “Primeiro Grau”, por exemplo).

    A alegria foi dupla: de um lado, saber que um texto escrito há cerca de 30 anos ainda desperta interesse; de outro,  poder fazer parte da homenagem ao Professor Evanildo Bechara, concretizada nesse número da revista.


    Rosa, Maria Carlota. 2018. Por que deu essa nota na minha redação? Confluência, 55: 143-161. http://llp.bibliopolis.info/confluencia/rc/index.php/rc/article/view/270/162 

    A “Dra. Anna Fraude”

     

    Uma personagem fictícia, criada por quatro pesquisadores, materializou-se num spam enviado a 360 periódicos científicos.

    Anna-olga-szust
    Anna O. Szust

    Ela se candidatava a editora. Seu nome:  Anna O. Szust, uma brincadeira com a palavra polonesa oszust, ‘fraude’. O perfil criado para a Dra. Anna era fraco: basicamente a tese de doutorado  “Adult females’ (Homo sapiens) born during the spring season are more physically attractive” e capítulos de livros inexistentes  atribuídos a editoras inexistentes. 48 publicações caíram no embuste, sendo que uma  propôs a divisão  do lucro 60-40. O relato dessa experiência por seus autores:

    Sorokowski, Piotr;  Kulczycki, Emanuel; Sorokowska, Agnieszka  Pisanski, Katarzyna. 2017. Predatory journals recruit fake editor.   Nature 543, 481–483 () https://www.nature.com/news/predatory-journals-recruit-fake-editor-1.21662



    Imagem: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Anna-olga-szust.jpg

     

    As palavras do ano de 2018 segundo os dicionários Oxford e Merriam-Webster

    Levados em conta o volume de buscas no seu próprio site e o aumento significativo dessa consulta em relação ao ano anterior, famosos dicionários de inglês elegeram palavras diferentes como a palavra do ano 2018. Demonstraram desse modo que as preocupações que predominaram nos EUA e no Reino Unido não foram semelhantes, ao menos no que resultou em consulta a dicionários.

    Para o selo norte-americano Merriam-Webster, JUSTICE foi a palavra do ano de 2018.  https://www.merriam-webster.com/video/2018-word-of-the-year-behind-the-scenes (vídeo em inglês) .

    Já os dicionários Oxford apontaram TOXIC  como a palavra de 2018  https://en.oxforddictionaries.com/word-of-the-year/word-of-the-year-2018

    Em ambos os links,  o emprego de cada uma das palavras (e suas novas combinações) conduz a uma retrospectiva local de 2018.

     

     

    Recebi emails de uma revista internacional desconhecida interessada em que eu dê pareceres para artigos

     

    Há um tipo de spam que se concretiza como uma mensagem lisonjeadora a nosso trabalho e nos convida a publicar numa revista de que nunca se ouviu falar, apesar de alardear um fator de impacto extremamente alto. A publicação quase imediata se faz mediante pagamento de taxas que a mensagem (ou o site do grupo editorial) faz questão de frisar que estão abaixo dos preços de mercado (comentado em Recebi emails de uma revista internacional interessada em publicar minha pesquisa/)

    Esse tipo de caça-níqueis dirigido especificamente a autores acadêmicos vem-se expandindo: aos spams com um convite para publicar num determinado periódico  há  também aqueles que convidam para atuar como  parecerista. Se o filtro de endereços não foi muito bom, podemos  receber uma solicitação de parecer para um trabalho em área muito diferente da nossa, como no exemplo a seguir.

    Peer review convite 2

    Fosse o convite feito para analisar um texto de nossa área, como decidir?

    Bom, há detalhes a considerar em mensagens desse tipo.

    • Uma consulta ao DOAJ/Directory of Open Access Journals retorna o nome da revista? (Mas podia ser uma revista recém-criada, por exemplo).
    • O nome do grupo editorial dessa publicação já aparecia na antiga lista de Beall ? (Mas a lista foi alvo de críticas).
    • Talvez o mais importante: um passeio pelo site do periódico, porque ele nós dá  ideia do que foi publicado: os textos têm qualidade? Os prazos decorridos entre o recebimento do manuscrito e sua publicação contam-se em dias apenas?  Enfatiza a cobrança de taxas abaixo das cobradas no mercado?

    O convite para parecer tinha interesse de fato num parecer?

    Vamos ao exemplo acima. Foi possível rastrear o trabalho mencionado no convite e constatar que entre a data de recebimento do artigo pelos editores, avaliação e publicação na internet  correram apenas 23 dias e £999 (em torno de 5 mil reais); entre o email acima e o final do processo, 11 dias.  

    Respondo a uma mensagem como essa? (Ou : devo responder a um spammer tão amável?)

    Não.

    Um desdobramento indesejável

    Conseguir nomes que aceitem ser associados a uma revista predatória ajuda a revestir de respeitabilidade um negócio eticamente discutível. Mas para quem permitiu ter seu nome associado a um desses periódicos o cenário muda.

    Laine & Winker (2017), em artigo no site da WAME/ World Association of Medical Editors, propunham que “Ideally, academic institutions should also identify academics who are listed as editors or Editorial Board members for journals established as predatory, and require that their affiliation with the institution is removed”. 

    É uma proposta apenas. Mas ilustra o dano à reputação que pode trazer.


    Laine, Christine & Winker Margaret A. Identifying Predatory or Pseudo-Journals. World Association of Medical Editors. February 15, 2017. http://wame.org/identifying-predatory-or-pseudo-journals

    Uma nota

    Estimados alunos e demais leitores:

    Uso uma versão gratuita desta ferramenta de internet. Por isso os leitores das páginas e do blog  veem comerciais variados que eu própria não vejo quando estou logada no site.

    O fato de aparecerem anúncios para os leitores foge a meu controle e este site não é financiado por qualquer empresa.

    Aparentemente o tipo de produto anunciado varia em acordo com as buscas na internet feitas por cada um que acessa o site.

     

    Livro adicionado

    Está disponível o livro “Escrita acadêmica: primeiros passos” em Home/Docs neste site. Voltado especialmente para os pós-graduandos do Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFRJ, pode servir de orientação a outros alunos no processo de se tornarem autores acadêmicos.

    O livro se compõe de três partes. A primeira parte tem como suporte a macro-organização dos maiores desafios do início do percurso acadêmico:  a dissertação de mestrado e a tese de doutorado, mas também a monografia de final de curso de graduação.  Feito o trabalho, a pergunta: onde publicar? É o tema da segunda parte. A terceira parte trata de um problema crescente: a publicação que compromete o currículo.


    Rosa, Maria Carlota. 2018. Escrita acadêmica: primeiros passos. Rio de Janeiro: M.C.A.P.Rosa.

    O Plano S europeu: Acesso Aberto (OA) para pesquisas com dinheiro público

    Em setembro de 2018, com o apoio da Comissão Europeia e do Conselho de Pesquisa Europeu, foi lançado na Europa o Plano S,  uma proposta que pretende obrigar a veiculação de trabalhos científicos realizados com financiamento público em acesso aberto a partir de 1 de janeiro de 2020.

    “By 2020 scientific publications that result from research funded by public grants provided by participating national and European research councils and funding bodies, must be published in compliant Open Access Journals or on compliant Open Access Platforms.”

    O Plano S conta com 10 princípios  que preveem, por exemplo, que o autor manterá os direitos autorais, sem restrições; que o modelo híbrido de publicação (isto é, revistas com OA e assinaturas) não será compatível com o novo modelo; que as taxas de publicação serão padronizadas e limitadas em toda a Europa.

    A reação de grandes grupos editoriais que não publicam em acesso aberto teve início, porque, segundo um dos representantes da Elsevier,  “if you think that information should be free of charge, go to Wikipedia” (Wikipedia, Plan S). Veio também de pesquisadores, em especial da área da Química, numa carta aberta, “Reaction of Researchers to Plan S: Too Far, Too Risky.


    Sobre o tema:

    cOAlition S.  2018. Plan S : Making full and immediate Open Access a reality. https://www.coalition-s.org/

    cOAlition S. 2018. 10 Principles .  https://www.coalition-s.org/10-principles/

    Plan S Open Letter. Reaction of Researchers to Plan S: Too Far, Too Risky. https://sites.google.com/view/plansopenletter/home

    USP/ SIBI.  s.d. O Plano S e a revolução do Acesso Aberto. http://www.sibi.usp.br/noticias/revolucao-no-acesso-aberto-conheca-o-plano-s/ 

    Velterop, Jan. 27Nov2018. Plano S — e Taxas de Processamento de Artigo (APCs). SciELO em Perspectiva, 2018

    https://blog.scielo.org/blog/2018/11/27/plano-s-e-taxas-de-processamento-de-artigo-apcs/

    Wikipedia contributors. Plan S. https://en.wikipedia.org/wiki/Plan_S

     

    Itaú Cultural devolve obras roubadas à Biblioteca Nacional

    A seguir, a notícia publicada no Estado de São Paulo , 3Dez2018 https://cultura.estadao.com.br/noticias/artes,itau-cultural-devolve-obras-roubadas-a-biblioteca-nacional,70002631952

     


    O Itaú Cultural devolveu nesta segunda, 3, mais quatro peças roubadas da Biblioteca Nacional em 2004 e que estavam em seu acervo. São elas: a litografia Rio de Janeiro Pitoresco (1842-1845), de Buvelot e Moreau e três desenhos de Keller-Leuzinger que retratam a Amazônia, feitos entre 1865 e 1868.

    O perito Joaquim Marçal revelou que os desenhos foram mais fáceis de serem identificados, já que há farta documentação sobre eles. Já a litogravura, outrora monocromática, foi raspada e colorida recentemente com lápis diferente do usado no início do século 19. Com uma luz especial, os técnicos puderam identificar o número do cofre em que ficava na BN.

    O imbróglio teve início quando Laéssio Oliveira, ladrão confesso dessas e de outras obras, mandou, da prisão, no começo do ano, uma carta a várias pessoas e instituições em que contava que as gravuras de Emil Bausch pertencentes à coleção do Itaú Cultural tinham sido roubadas por ele e vendidas ao colecionador Ruy Souza e Silva – que, por sua vez, as vendeu ao Itaú. Silva é ex-marido de Neca Setubal, herdeira do banco, e disse à época que tinha comprado o material numa loja de Londres. Em março, uma perícia confirmou que as gravuras era da Biblioteca Nacional. Em abril, as duas instituições assinaram um convênio para avaliar todas as obras sob suspeita.

    Foram enviadas, ao todo, 102 obras em três lotes, das quais foram confirmados esses quatro itens devolvidos agora. De todo o lote, apenas 32 foram descartadas como não pertencentes à Biblioteca Nacional. O laudo foi inconclusivo para as demais, já que elas foram manipuladas, lavadas ou recoloridas.

    Segundo a Biblioteca Nacional, ela foi vítima de dois grandes roubos em 2004 e 2005, enquanto era presidida pelo editor e colecionador Pedro Correa do Lago, que também é o curador da coleção Itaú. Um inquérito foi instaurado pela Polícia Federal, que está ouvindo os envolvidos na história.

     

    E os agradecimentos? (Em especial, na dissertação ou na tese)

    Num texto acadêmico, os agradecimentos dizem respeito a contribuições que não se qualificam como autoria. Um exemplo: o financiamento. Sem bolsa de uma FAP (i.e., de uma das Fundações de Amparo à Pesquisa) ou do CNPq, da CAPES não teria sido possível o desenvolvimento do trabalho; por conseguinte, essa agência específica estará nos agradecimentos (certamente essa exigência já estava no contrato assinado).

    Do mesmo modo, quem  prestou ajuda técnica com aparelhos, quem permitiu acesso a dados ou quem revisou a redação  contribuiu, mas não é autor. Nos Agradecimentos, então.

    Quem tem de estar nos agradecimentos

    Têm de estar listados nos agradecimentos de tese, dissertação, monografia: a) no caso de bolsista, a agência de fomento (com o nome da bolsa e o número do auxílio); b) o orientador, sem o qual  sequer haveria defesa.

    • Se não houver agradecimentos ao orientador, fica implícito que orientador e orientando estavam em guerra.
    • Fica implícita a mensagem de que o orientador não orientou se o agradecimento ao orientador:
      • vier lá pelo meio de uma lista de agradecimentos, ou
      • se aparecerem como orientadores (pior: antes do orientador oficial) outros orientandos do orientador.
    (Vale a pena deixar o registro do mal-estar para a posteridade?)

    Especifique em que consistiu a contribuição de cada nome arrolado.

    O que é opcional (mas recomendável incluir) nos agradecimentos 

    No caso de dissertações, teses e monografias:

    • a instituição em que o trabalho foi desenvolvido, que disponibilizou sua infraestrutura, como bibliotecas, laboratórios;
    • outra instituição em que tenha feito estágio, bolsa sanduíche;
    • os responsáveis pela liberação ou diminuição de carga horária no trabalho;
    • leitores de versões prévias.

    No caso de artigo, aos pareceristas que tenham contribuído para a melhoria do trabalho.

    No caso de periódicos, há os que exigem 
    autorização por escrito daquele a quem se agradece 
    para que o nome possa ser mencionado nos agradecimentos.
    Evitam, desse modo, que pesquisadores-seniores
    pareçam dar peso a um trabalho cuja existência 
    possam mesmo desconhecer. 
    
    

    Quem (ou o que) não deve estar nos agradecimentos

    Em artigos são raros, uma vez que não há espaço, mas têm sido comuns em monografias, dissertações e teses brasileiras, ao menos em Linguística, o que poderíamos classificar como agradecimentos afetivos. São agradecimentos relativos ao incentivo ou ao suporte, emocional e/ou financeiro, recebido de parentes, amigos e até de  animais de estimação. Também são comuns os agradecimentos religiosos.

    Podem ser comuns, mas é estranho abrir uma dissertação, tese ou monografia e encontrar agradecimentos não acadêmicos, como os exemplos a seguir. Expõem desnecessariamente e num contexto inapropriado a intimidade do autor:

    • Agradeço ao meu namorado, XXXXX, com quem eu sei que passarei o resto da minha vida. 
    • Primeiro de tudo, gostaria de agradecer a Deus por manter a minha mãe ao meu lado. 
    • À minha cadela, que sempre quando eu estava triste me alegrou (mesmo sem dizer uma palavra) com todo o seu amor. 
    • Aos meus amigos que acreditaram em mim. 
    • Às minhas tias que sempre se alegram com minhas conquistas acadêmicas e pessoais.
    Mas e os amigos do café antes das aulas? 
    As tias? O namorado? 
    Chame-os para uma comemoração!
    Num trabalho longo como a tese, o afeto por
    essas pessoas (e o amor a Deus) poderia achar lugar na Dedicatória. 

     É caso de agradecimento ou de coautoria?

    Teses e dissertações não trazem esse problema.

    Comece a preparar o arquivo dos agradecimentos 
    quando estiver começando o trabalho. 
    Garanta desse modo que colegas e professores que 
    contribuíram com sugestões ou comentários 
    relevantes, bibliografia, dados não sejam esquecidos.
    
    

     


    Vale ler os artigos:

    Hayashi, Maria Cristina Piumbato Innocentini. 2018.  Agradecimentos em artigos científicos: o ponto de vista de pesquisadores. Prisma, 37: 55-70. http://ojs.letras.up.pt/index.php/prismacom/article/download/4708/4401

    MONTEIRO, Rosangela et al. 2004. Critérios de autoria em trabalhos científicos: um assunto polêmico e delicado. Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular .19 (4): III-VIII.  http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-76382004000400002&script=sci_arttext

    MONTENEGRO, Mano R.  & ALVES, Venâncio A. Ferreira. Critérios de autoria e coautoria em trabalhos científicos. Acta Botanica Brasilica [online]. 1997, 11 (2): 273-276   http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-33061997000200014&script=sci_arttext


    Referências

    Parte do material desta postagem reproduz

    Rosa, Maria Carlota. 2015. Guia para trabalhos monográficos originais. Material para os orientandos.

    Uma ajuda com a formatação de referências no estilo ABNT

    Desenvolvido pela  Universidade Federal de Santa Catarina- UFSC,  o MORE – Mecanismo Online para Referências é uma ferramenta gratuita para formatação de referências no estilo da ABNT. Esse estilo não está coberto, por exemplo, no gerenciador de fontes bibliográficas do Word (na aba “Referências”).

    O MORE está disponível em http://novo.more.ufsc.br/#  . Se o texto tiver DOI é facílimo de preencher; sem ele há vários campos a completar (e aí é tão maçante quanto o Word, Mendeley…).

     

    A Unicamp inova: premiados em olimpíadas de conhecimentos podem pleitear vaga de graduação

     

    Até dia 10 de janeiro de 2019 os premiados em olimpíadas de conhecimentos de ensino médio podem pleitear uma dentre as 90 vagas oferecidas para alguns dos cursos de graduação da Unicamp.

     

     

    Um Brasil sem livros? As editoras universitárias

    Um outro lado do problema, discutido pelo Prof. Paulo Franchetti em número especial do Jornal da USP.

     

    “Em 2012, quando a Edusp fez 50 anos, foi realizado um notável simpósio, que reuniu editores de algumas das mais importantes editoras universitárias do mundo. Na ocasião, como dirigisse a da Unicamp, fui convidado a apresentar um depoimento e alguma reflexão sobre o trabalho e as perspectivas da edição acadêmica no Brasil. Nesse evento, pela primeira vez se descortinou para mim uma perspectiva internacional, podendo verificar, nas falas dos convidados, as zonas de convergência e de radical diferença no trato do livro universitário nos vários países ali representados. Os textos foram posteriormente coligidos no volume Livros e Universidades, ao qual voltei há poucos meses com muito proveito, na preparação de uma conferência a fazer no Instituto de Estudos Brasileiros de Coimbra. A diferença é que, desta vez, além de refletir sobre a minha própria experiência, estava empenhado em traçar um panorama da edição universitária no Brasil e, sobretudo, em encontrar uma explicação para o seu extraordinário crescimento em número e qualidade nas décadas de 1990 e 2000.

    Nesse processo, voltei à minha singela colaboração ao Livros e Universidades, que agora passava a ser a parte final do novo texto, com várias alterações: cortadas umas tantas páginas, sobre uma questão que já não vem ao caso (os motivos e propósitos da recém-constituída Liga de Editoras Universitárias), outras foram acrescentadas, hierarquizando melhor as questões decisivas que ali se apresentavam. Acresce que essas questões eram dinamizadas pelas reflexões ao longo do texto, que abriam uma perspectiva nada otimista sobre o futuro das editoras universitárias em nosso país.\Assim que terminei o texto, enviei-o a Plinio Martins Filho – com quem tanto aprendi e a quem devo muito do que pude fazer ao longo de 11 anos de trabalho editorial –, para que me dissesse o que achava. Com alegria ouvi dele a resposta decisiva, sobre a pertinência do que ali expunha: “Eu gostaria de publicar”! Vinda de um editor, e desse editor em especial, não há melhor avaliação. Mas o texto já tinha destino. Entretanto, aventou ele a possibilidade de publicar nesta revista a parte final, que era a retomada de questões que tinham surgido em 2012, agora filtradas por seis anos de acontecimentos marcantes na configuração do poder federal e na economia das universidades e, em consequência, de suas editoras.
    E é essa parte que aqui se transcreve, com a esperança de que o tom algo elegíaco em que deságua a reflexão não se justifique plenamente ao longo dos próximos anos.

    “Editoras universitárias para quê?” A resposta a esta pergunta varia muito conforme o perfil da editora, do ponto de vista da sua vinculação: uma coisa é formular essa questão quando se trata de uma editora vinculada a uma universidade pública, outra, quando pertence a uma universidade privada.

    É que para as editoras de universidades privadas a principal questão que o setor público pode formular, assim como o mercado tem formulado, não se apresenta: ou seja, qual o sentido e a propriedade de destinar recursos públicos à atividade editorial no âmbito da universidade? Nesse sentido, embora produza livros para o mercado universitário, uma editora de universidade privada é, no final das contas, uma editora privada, sujeita à discrição e conveniência do proprietário ou da instituição mantenedora.

    De mais a mais, quando analisamos o panorama editorial brasileiro, é evidente que a contribuição realmente inovadora em termos de edição e de construção de catálogos de primeira linha se circunscreve ao círculo das editoras vinculadas a universidades públicas – mesmo que, na sua forma de atuação, sejam relativamente independentes da máquina estatal, como é o caso da Editora da Unesp, que é uma fundação pública de direito privado. Isto é, uma fundação que não tem fins lucrativos, que é dirigida por um conselho curador em que o órgão público tem poder decisório e cujo patrimônio, em caso de dissolução, retorna à universidade.

    A reação mais simplista é afirmar que uma editora universitária se justifica por ser um canal de difusão da produção da própria universidade. Ora, a pesquisa realizada nos níveis iniciais da carreira acadêmica, quais sejam, a iniciação científica e o mestrado, de modo geral, ou não tem interesse para além da sua realização como etapa formativa, ou pode ser consultada em forma eletrônica. Já a produção posterior ao doutorado, nas áreas de exatas e tecnológicas, sempre se difundiu por meio de periódicos especializados e indexados, preferencialmente em inglês. Apenas nas áreas das humanidades a forma tradicional de divulgação de pesquisa tem sido o livro. Mas justamente nessas áreas não parece difícil encontrar interesse de publicação dos trabalhos de mais impacto por editoras comerciais de primeira linha. Além disso, a pressão para uniformizar a avaliação da produção de pesquisa nas áreas de humanidades com a das áreas das ciências naturais tem sido tão forte, que é cada vez menor o número de livros concebidos desde o início como monografias – com exceção das monografias de fim de curso de mestrado e doutorado, que, por sua vez, são de imediato divulgadas em forma eletrônica.

    Restariam, portanto, os livros didáticos produzidos pelo corpo docente da universidade, mas justamente nesse campo é dificílima a competição de trabalhos desenvolvidos localmente com manuais elaborados por equipes de pesquisadores e testados e aperfeiçoados ao longo dos anos. E há um fator que não pode ser desprezado: uma editora universitária raramente consegue, por conta da sua própria forma de produção e distribuição, oferecer aos autores de bons livros didáticos de circulação ampla as mesmas condições concedidas pelas editoras comerciais especializadas.

    Por outro lado, é verdade que uma boa parte dos resultados da pesquisa acadêmica que demanda a forma de livro não desperta – ao menos no Brasil – o interesse das editoras de mercado, seja porque se destina apenas a um conjunto relativamente pequeno de especialistas, seja porque o assunto não esteja na moda ou não ocupe um lugar importante nas preocupações do presente. Mas, do ponto de vista da divulgação dos resultados da pesquisa, esse pequeno conjunto de obras não justificaria a constituição e a manutenção de uma editora: muito mais econômico e eficaz, do ponto de vista da difusão, seria, para a universidade, subvencionar de alguma forma a publicação de obras de seus pesquisadores por editoras comerciais ou – o que tem sido uma reivindicação e uma tendência nos últimos anos – disponibilizar gratuitamente à comunidade o fruto do trabalho de pesquisa por ela financiado com salários, instalações, equipamentos e custeio.

    Não parece razoável, portanto, criar e manter uma editora tendo como finalidade principal divulgar a produção de pesquisa gerada na própria universidade – mesmo quando essa universidade se distingue pela pesquisa de ponta. Fosse esse o objetivo principal, já essa editora traria uma pesada marca de origem, pois nesse caso a endogenia não é um bom caminho para a qualidade, e ter como objetivo principal abrigar a produção interna tem sido o caminho curto – principalmente nas universidades sem expressiva produção científica e cultural – para o rebaixamento do interesse e da respeitabilidade do catálogo.

    Tanto é assim que uma análise rápida do catálogo das mais conceituadas editoras universitárias do país – justamente aquelas cujas universidades se destacam no panorama internacional de pesquisa – permite verificar que, seja qual for a proporção de autores da casa nele representados, uma parte muito significativa dos seus títulos é constituída de livros produzidos por docentes e pesquisadores externos.

    Na verdade, uma análise desses catálogos, por mais rápida que seja, permite dividir a produção em dois grandes blocos: livros originalmente escritos em português e livros traduzidos. E esses dois blocos se dividem por sua vez em três outros: livros de referência para a pesquisa nos vários campos do saber, livros que apresentam inovações significativas nas suas áreas de conhecimento e livros destinados à utilização em sala de aula, normalmente agrupados em coleções específicas e temáticas.

    E aqui já se delineia uma boa razão para uma grande universidade possuir uma boa editora: sem prejuízo da publicação da pesquisa de qualidade realizada na instituição, as editoras das grandes universidades atuam de forma decisiva na composição de bibliotecas acadêmicas, por meio da publicação seletiva de trabalhos produzidos no país e do investimento na tradução de obras fundamentais para os cursos universitários de graduação e pós-graduação.

    É certo que as editoras de mercado também se dedicam ao segmento acadêmico e publicam também esses três tipos de obras, inclusive com mais agilidade de produção e difusão. Mas aqui se delineia um segundo motivo para ter uma editora: o que distingue uma boa editora universitária de uma editora de mercado é que o argumento decisivo para a publicação de uma obra não é o retorno financeiro, mas sim o acadêmico, ou seja, o impacto da obra na consolidação, na expansão ou no aprimoramento de um determinado campo do saber. Assim, entre uma obra de qualidade inferior que promete retorno auspicioso do investimento e uma obra de qualidade superior que, na melhor hipótese, permite prever a recuperação do investimento ao longo de um período largo de tempo, não há dúvida sobre qual a escolha de uma boa editora universitária.

    Por não visar ao retorno imediato, uma editora universitária pode contemplar de modo diferente a publicação de obras de um campo do saber já consolidado e de um campo do saber ainda em formação no país, assumindo os custos de fazer livros para leitores potenciais que só existirão a partir do momento em que um conjunto significativo de livros daquela área específica estiver disponível no mercado. Da mesma forma, uma editora acadêmica, apoiada em pareceres especializados, pode optar responsavelmente por investir numa obra ou numa série de obras que só a médio ou longo prazo produzirão resultados, seja do ponto de vista financeiro, seja do ponto de vista científico e cultural. Mais que isso: uma editora acadêmica não foge aos seus objetivos, nem trai os seus princípios (pelo contrário) se constatar que vários de seus títulos não produziram nenhum lucro, embora tenham contribuído para o aprimoramento do saber.

    O diferencial da editora universitária se apresenta ainda com clareza quando se considera o seu catálogo de traduções. Um livro traduzido e bem revisado por um especialista implica investimento enorme, como todos sabemos. Primeiro, é preciso fazer um adiantamento ao editor estrangeiro, para obter a licença. Depois, é preciso investir na tradução propriamente dita, bem como na revisão técnica da tradução. Só depois desse investimento alto é que começa a segunda fase de produção, que corresponde à de um livro na língua do país: preparação, revisão, composição e impressão. Entre o pagamento do adiantamento e a comercialização do primeiro exemplar decorre tempo tanto mais longo quanto mais especializada e complexa for a obra a traduzir. Ora, no campo científico, são justamente as obras mais especializadas e mais complexas que dispõem de menor (mas não menos importante) público. De modo que, se as traduções de textos relevantes para o universo acadêmico se fizessem apenas segundo os critérios de mercado, as lacunas bibliográficas seriam maiores do que são hoje no Brasil. Além disso, há que considerar que a relação que se estabelece entre um autor-pesquisador e uma editora universitária é muito diferente da relação entre esse mesmo autor e uma editora de mercado: por não visar ao lucro e ter como objetivo a difusão do conhecimento e a produção de bibliografia, e por contar com um corpo de pareceristas de alto nível, uma editora universitária pode trabalhar a produção de um livro relevante de modo a ressaltar suas qualidades, o que uma edição que visasse ao retorno do investimento dificilmente faria.

    Tomemos um exemplo, para não ficar apenas no nível abstrato. Ou melhor, dois exemplos. O primeiro é o livro A Erótica Japonesa na Pintura e na Escritura dos Séculos XVII a XIX, de autoria de Madalena Natsuko Hashimoto Cordaro, publicado pela Edusp – depois de longo trabalho editorial – em 2017. Acompanhei muito de perto esse trabalho, porque em princípio seria uma coedição com a Editora da Unicamp. O livro é a edição de uma tese de livre-docência defendida em 2011, na própria USP. Como tese, tinha a aparência e organização de um texto do gênero. Mas o material que trazia, a profusão de ilustrações nunca antes impressas no Brasil e provavelmente nunca reunidas em publicação acessível, perderia imensamente com uma edição plana, em tamanho pequeno e papel convencional. E, disponibilizada num site para download, certamente manteria interesse apenas pelo texto e comentários analíticos. Quando a tese foi apresentada à Edusp, Plinio Martins Filho encaminhou-a para parecer de mérito, e o parecerista, entusiasmado embora com o estudo, fez várias sugestões de ajustamento do texto e também de organização do material. E então entrou o trabalho do editor: definidos os dois volumes e a divisão das partes, o que avultou foi a qualidade do trabalho gráfico, com aproveitamento máximo das imagens em alta resolução e uma diagramação que permite que os volumes sejam percorridos ou como álbum de gravuras ou lido, em busca da tradução dos textos japoneses e dos comentários especializados sobre eles e sobre as ilustrações. É claro que um livro desse porte e qualidade, se feito com vistas ao retorno do investimento, seria um problema. Mas aqui se mostra uma das vantagens da editora universitária: a capacidade de investir na qualidade do trabalho, sem a consideração do lucro. E como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo aprovou, dada a qualidade do trabalho, um aporte financeiro na forma de auxílio à editora, foi possível contar, na bibliografia brasileira, com esse livro único.

    Outro exemplo é a tradução de Anatomia da Melancolia, de Robert Burton, publicada em 2014 pela Editora da Universidade Federal do Paraná. A UFPR tem se destacado, no panorama nacional, no que diz respeito à tradução de obras literárias, tendo seus professores recebido seguidamente os mais prestigiosos prêmios na categoria. Nada mais natural, portanto, que a editora dessa universidade abrisse espaço e realizasse os investimentos necessários à publicação de uma obra tão monumental quanto o tratado de Burton, em quatro volumes. E nada mais justo que o autor da tradução, Guilherme Gontijo Torres, reconhecesse o papel de uma boa editora universitária na realização do projeto. Diz ele:

    “[…] penso que as editoras universitárias cumprem um papel fundamental para a cultura do livro no Brasil. Elas podem publicar obras que, até segunda ordem, não teriam apelo comercial, porque estão debruçadas sobre autores ainda pouco ou nada conhecidos. Por serem quase sempre tocadas por pesquisadores, as editoras universitárias também compreendem que a pesquisa e a tradução podem tomar muito tempo, se quisermos atingir um determinado nível num autor especificamente difícil. Mais que isso, elas compreendem que a tradução pode estar absolutamente entrelaçada com a pesquisa. Eu mesmo levei mais de três anos traduzindo a Anatomia, o que é um prazo que me permitiu não só traduzir, como pesquisar sobre Burton, entender melhor como o livro foi escrito para traduzir de acordo com esses problemas”.

    Temos aí claramente indicado um dos lugares privilegiados de atuação das editoras universitárias e uma das suas principais funções no sistema de ensino e pesquisa do Brasil. E é um lugar que, no final das contas, se define também pelo fato de que essas editoras não apenas são dirigidas por intelectuais e contam com as indicações e controle de qualidade da comunidade dos pesquisadores e professores – que conhecem as lacunas existentes e emitem os pareceres de mérito e sugestões de adequação –, mas também estão dispensadas da urgência de obter resultados de vendas para distribuir dividendos entre sócios ou acionistas.

    Por fim, outro ponto de destaque nos catálogos das editoras universitárias de primeira linha são os livros que consubstanciam uma experiência de sucesso no ensino e na formação de estudantes. São os livros para uso em sala de aula, tanto em nível de graduação quanto de pós-graduação. Especial atenção merecem aqueles que, moldados pelas necessidades de faculdades de alto nível e de ponta no desenvolvimento de um campo do saber, não teriam acolhida em editoras de mercado, pois não se aplicariam indistintamente aos demais cursos universitários do país. Constituem eles, assim, não só um investimento na consolidação da experiência acumulada pela instituição, mas também uma forma de permitir a inovação e a prática diferenciada que caracterizam uma boa instituição de ensino superior.

    Como deve ter ficado evidente, ao refletir sobre a função e os fins da editora universitária no Brasil, a atenção ficou concentrada naquelas que desenvolvem um trabalho de excelência e relevância acadêmica. É que é nelas que se encontra o que parece ser a única razão convincente, a única justificativa para a manutenção de uma editora numa universidade pública. Ou seja, na sua atuação pautada pela comunidade acadêmica e na sua função cultural e científica é que encontramos a sua razão de ser, aquilo que as distingue das editoras de mercado e justifica sua existência. O que se quer dizer com isso é que as editoras universitárias devem ser vistas como parte do fim maior da universidade, que é a produção do conhecimento e a formação de profissionais para a sociedade.

    Portanto, se as universidades públicas no Brasil são gratuitas, se o custo de sua atividade formadora é considerado investimento social para desempenho de atividade-fim do Estado, se os cursos de graduação e pós-graduação, bem como as atividades de extensão comunitária, o atendimento à saúde, os museus, orquestras, rádios, TVs, jornais e outros vários instrumentos de produção, conservação e difusão científica e cultural não se pensam nem se gerenciam tendo em vista a autossustentabilidade, por que essa demanda deve ser apresentada à editora universitária?

    Não que a autossustentabilidade seja algo de menor importância ou indesejável. Pelo contrário. Mas o que importa ter em mente é que a expectativa ou a cobrança nesse sentido, ou a avaliação da editora universitária a partir de parâmetros de investimento e retorno do investimento, obscurece a verdadeira relação custo-benefício da atividade.

    Nas melhores editoras universitárias brasileiras (em minha avaliação, claro), o objetivo nunca foi o lucro, nem mesmo o custeio da atividade com recursos próprios. Foi, acima de tudo, a manutenção e a elevação do padrão de qualidade acadêmica. Daí que sempre tenham contado com conselhos editoriais, integrados por reconhecidos especialistas, inquestionados nos seus campos de saber, e que se tenham valido de outros especialistas para avaliação ad hoc dos textos apresentados. E nisso se delineou uma característica essencial das boas editoras universitárias: elas se constituíram e foram reconhecidas como lugares de autoridade cultural e científica e de seleção segundo o mérito intelectual.

    Por esse conjunto de razões, a editora universitária não precisa nem deve concorrer com o mercado. Como tampouco a universidade compete com a indústria ou a pesquisa nas corporações. Na verdade, assim como a indústria oferece formação específica e dirigida, e a universidade, formação básica e ampla, também as melhores e mais importantes editoras universitárias do Brasil têm sido as que se revelam mais firmemente centradas no oferecimento de produtos diferenciados, importantes não do ponto de vista da quantidade de leitores ou do retorno financeiro, mas da qualidade do público especializado e do investimento consequente em pesquisa básica.
    Isso quer dizer que às editoras universitárias de primeira linha se reserva um lugar importante no sistema de trocas baseado no livro. E esse lugar insubstituível é, mais exatamente, não um lugar concorrente com as editoras de mercado, mas o lugar que elas ocupam e que ninguém mais ocupa no mercado editorial. Seu papel, do meu ponto de vista, é formar catálogos especializados, de retorno financeiro baixo ou mesmo nulo, mas de relevante impacto científico e educacional. Em resumo, seu lugar é o da autoridade intelectual. E é por isso que se justificam num mundo de produtos abundantes, de crescimento enorme na oferta de títulos. São como filtros: o que publicam e chega às prateleiras das livrarias vem com a marca da excelência acadêmica da universidade que as mantém e que o seu catálogo confirma.

    É ainda relativamente fácil hoje, no Brasil, apesar da crise, pagar com verbas de origem vária a publicação de uma tese ou de uma coletânea de artigos numa editora qualquer. E algumas editoras de fato se especializaram em recolher essas verbas, publicando livros que não circulam e não passaram ou não passariam pelo crivo de especialistas. Mas numa editora como as que referi, o fato de o autor possuir recursos para publicar um livro não quer dizer nada: o decisivo é a avaliação criteriosa pelos pares. E o diferencial é a capacidade propriamente editorial de investir na obra os recursos que ela exige para sua melhor realização científica e estética.
    Assim entendido o papel da editora universitária, a pergunta “editoras universitárias para quê?” tende a ser subsumida na pergunta “universidades públicas para quê?”. E enquanto for possível responder a esta última indagação, será possível encontrar, no bojo da resposta, um reflexo de luz para a primeira.

    O preocupante, na maré obscurantista que vem recobrindo a política, a economia e a sociedade brasileira – sacudida por violentos surtos de ódio à intelectualidade e aos serviços do Estado – é que justamente a última pergunta tem sido formulada de modo cada vez mais agressivo e insistente, a partir de pontos de vista com variados graus de barbárie e insensatez. E mais preocupante ainda é o fato de que a parte aparentemente mais frágil da estrutura, e que por isso recebe mais imediatamente os ataques, são as humanidades. Se essas forças ganharem corpo, e se também ganharem peso ainda mais decisivo as formas de avaliação da produção acadêmica importadas das ciências da natureza, então é possível que daqui a poucos anos o período áureo das editoras universitárias brasileiras seja apenas história. Mas será sempre uma bela história, que merece ser recontada. E contada entre as boas coisas que a inteligência nacional foi capaz de produzir.”

    PAULO FRANCHETTI é professor titular do Departamento de Teoria Literária da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

     

     

     

    Fonte

    Franchetti, Paulo. s.d. Editoras universitárias, até quando? Jornal da USP Especial http://jornal.usp.br/especial/revista-usp-117-editoras-universitarias-ate-quando/

     

    Um Brasil sem livros? As editoras comerciais em crise

    Abaixo a carta aberta do editor da Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, divulgada ontem, 27 de novembro de 2018. A recuperação judicial da Cultura e da Saraiva num primeiro momento significaram o fechamento de lojas; agora, o fechamento de editoras.

     

    “O livro no Brasil vive seus dias mais difíceis. Nas últimas semanas, as duas principais cadeias de lojas do país entraram em recuperação judicial, deixando um passivo enorme de pagamentos em suspenso. Mesmo com medidas sérias de gestão, elas podem ter dificuldades consideráveis de solução a médio prazo. O efeito cascata dessa crise é ainda incalculável, mas já assustador. O que acontece por aqui vai na maré contrária do mundo. Ninguém mais precisa salvar os livros de seu apocalipse, como se pensava em passado recente. O livro é a única mídia que resistiu globalmente a um processo de disrupção grave. Mas no Brasil de hoje a história é outra. Muitas cidades brasileiras ficarão sem livrarias e as editoras terão dificuldades de escoar seus livros e de fazer frente a um significativo prejuízo acumulado.

     

    As editoras já vêm diminuindo o número de livros lançados, deixando autores de venda mais lenta fora de seus planos imediatos, demitindo funcionários em todas as áreas. Com a recuperação judicial da Cultura e da Saraiva, dezenas de lojas foram fechadas, centenas de livreiros foram despedidos, e as editoras ficaram sem 40% ou mais dos seus recebimentos— gerando um rombo que oferece riscos graves para o mercado editorial no Brasil. 

     

    Na Companhia das Letras sentimos tudo isto na pele, já que as maiores editoras são, naturalmente, as grandes credoras das livrarias, e, nesse sentido, foram muito prejudicadas financeiramente. Mas temos como superar a crise: os sócios dessas editoras têm capacidade financeira pessoal de investir em suas empresas, e muitos de nós não só queremos salvar nossos empreendimentos como somos também idealistas e, mais que tudo, guardamos profundo senso de proteção para com nossos autores e leitores.

    Passei por um dos piores momentos da minha vida pessoal e profissional quando, pela primeira vez em 32 anos, tive que demitir seis funcionários que faziam parte da Companhia há tempos e contribuíam com sua energia para o que construímos no nosso dia a dia. A editora que sempre foi capaz de entender as pessoas em sua diversidade, olhar para o melhor em cada um e apostar mais no sentimento de harmonia comum que na mensuração da produtividade individual, teve que medir de maneira diversa seus custos, ou simplesmente cortar despesas. Numa reunião para prestar esclarecimentos sobre aquele triste e inédito acontecimento, uma funcionária me perguntou se as demissões se limitariam àquelas seis. Com sinceridade e a voz embargada, disse que não tinha como garantir.

     

    Sem querer julgar publicamente erros de terceiros, mas disposto a uma honesta autocrítica da categoria em geral, escrevo mais esta carta aberta para pedir que todos nós, editores, livreiros e autores, procuremos soluções criativas e idealistas neste momento. As redes de solidariedade que se formaram, de lado a lado, durante a campanha eleitoral talvez sejam um bom exemplo do que se pode fazer pelo livro hoje. Cartas, zaps, e-mails, posts nas mídias sociais e vídeos, feitos de coração aberto, nos quais a sinceridade prevaleça, buscando apoiar os parceiros do livro, com especial atenção a seus protagonistas mais frágeis, são mais que bem-vindos: são necessários. O que precisamos agora, entre outras coisas, é de cartas de amor aos livros.

     

    Aos que, como eu, têm no afeto aos livros sua razão de viver, peço que espalhem mensagens; que espalhem o desejo de comprar livros neste final de ano, livros dos seus autores preferidos, de novos escritores que queiram descobrir, livros comprados em livrarias que sobrevivem heroicamente à crise, cumprindo com seus compromissos, e também nas livrarias que estão em dificuldades, mas que precisam de nossa ajuda para se reerguer. Divulguem livros com especialíssima atenção ao editor pequeno que precisa da venda imediata para continuar existindo, pensem no editor humanista que defende a diversidade, não só entre raças, gêneros, credos e ideais, mas também a diversidade entre os livros de ambição comercial discreta e os de ambição de venda mais ampla. Todos os tipos de livro precisam sobreviver. Pensem em como será nossa vida sem os livros minoritários, não só no número de exemplares, mas nas causas que defendem, tão importantes quanto os de larga divulgação. Pensem nos editores que, com poucos recursos, continuam neste ramo que exige tanto de nós e que podem não estar conosco em breve. Cada editora e livraria que fechar suas portas fechará múltiplas outras em nossa vida intelectual e afetiva.

     

    Presentear com livros hoje representa não só a valorização de um instrumento fundamental da sociedade para lutar por um mundo mais justo como a sobrevivência de um pequeno editor ou o emprego de um bom funcionário em uma editora de porte maior; representa uma grande ajuda à continuidade de muitas livrarias e um pequeno ato de amor a quem tanto nos deu, desde cedo: o livro. “


    Fonte

    GZH. Editor da Companhia das Letras divulga carta sobre crise do setor: ‘riscos graves para o mercado editorial no Brasil’, 27Nov2018.

    https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/livros/noticia/2018/11/em-meio-a-crise-do-mercado-editorial-diretor-da-cia-das-letras-faz-apelo-emocionado-por-cartas-de-amor-aos-livros-cjp070khg0h2401pim7v5jw0s.html

    Na lista de autores ou nos agradecimentos?

     

    Uma pesquisa com cerca de 6000 entrevistados

    No início deste ano de 2018, Patience et alii publicaram um preprint em que relatavam uma pesquisa sobre o que, na prática,  seria ou não considerado autor. As respostas vieram de diferentes países (Quadro 1),

    autoria-paises
    Quadro 1

    de diferentes áreas de conhecimento. Poucas foram as respostas enviadas pelo que foi classificado como literatura (apenas 36) e como filosofia (38) (Quadro 2), afinal, a autoria múltipla não é tradição nessas áreas e  “[t]he Researchers in the humanities, mathematics, theoretical physics, and economics stated that most of the questions did not apply to them“.
    autoria-areas
    Quadro 2

     

    Para muitas das atividades discriminadas no questionário, as respostas demonstravam que podiam ser incluídas como autoria “quase sempre” ou “quase nunca” praticamente na mesma proporção (Quadro 3).
    Autoria - atividades
    Quadro 3 
    O artigo pode ser facilmente consultado, porque está num servidor de preprints, o bioRxiv . A referência completa:

     

    Patience, Gregory S.; Galli, Federico; Patience, Paul & Boffito, Daria C. 2018.Intellectual contributions meriting authorship: Survey results from the top cited authors across all science categories. bioRxiv preprint first posted online May. 17, 2018; doi: http://dx.doi.org/10.1101/323519  

    Se o programa de pós-graduação da UFRJ permitir, agora teses e dissertações podem ser escritas em espanhol

    Mais uma vez o artigo 53 da Resolução CEPG* Nº 1 de 2006 (a Regulamentação Geral da Pós-Graduação Stricto Sensu da UFRJ) foi alterado. Para os programas da Faculdade de Letras é uma boa notícia.  A Resolução CEPG Nº 02, de 20 de julho de 2018 passa a permitir também o espanhol como uma das opções para a redação do texto de teses e de dissertações. Abre ainda a possibilidade de outras línguas.

    O referido artigo passa a valer com a seguinte redação:

    Art. 53. A dissertação ou a tese poderá estar redigida em português, ou em inglês, ou em espanhol, podendo a parte pós-textual estar redigida em outras línguas.

    §1º – O regulamento ou resolução específica do Programa de Pós-graduação deverá estabelecer as línguas para a redação da dissertação ou tese.
    §2º – A redação da dissertação ou tese em outra língua que não as previstas no regulamento ou resolução específica do Programa de Pós-graduação deverá ser aprovada pela comissão de pós-graduação e pesquisa à qual o programa está vinculado quando houver.


    * CEPG = Conselho de Ensino para Graduados da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    Lançado no feriado o Programa Institucional de Pós-Doutorado na UFRJ (PIPD)

    Foi publicada no Boletim da UFRJ do último dia 15 de novembro a Resolução CEPG Nº 4 de 2018, que cria  o  Programa Institucional de Pós-Doutorado na UFRJ.

    Fonte

    Boletim da UFRJ, Nº 46, de 15 de novembro de 2018. p. 54-55  http://siarq.ufrj.br/images/bufrj/2018/46-2018.pdf 

     

    A autoria múltipla: o primeiro, o último, só um “et alii”?

     

    Any issue of Nature today has nearly the same number of Articles and Letters as one from 1950, but about four times as many authors. The lone author has all but disappeared. In most fields outside mathematics, fewer and fewer people know enough to work and write alone. If they could, and could spare the time and effort to do so, their funding agencies and home institutions would not permit it. (Greene, [2007])

    Embora o excerto acima seja relativo à revista Nature, o número de trabalhos em colaboração vem crescendo, mesmo em áreas em que essa não era a tradição, caso da Linguística, especialmente em algumas de suas especialidades.

    Se levarmos em conta, por exemplo, os cinco últimos números da Revista Linguística,  foram 54 os artigos publicados;  28 deles  tinham mais de um autor, sendo que o primeiro número de 2018  tinha um autor em apenas três dos 10 artigos publicados. Mesmo assim, dos sete artigos com mais de um autor, apenas dois tinham mais de dois autores: um com três autores e outro, com oito. Ainda bem longe, portanto, dos números em áreas como a Física ou a Biologia levantados este ano:

    One quarter of the top 500 cited articles in nuclear physics averaged 1160 authors (WoS, 2010 to 2015)* [21]. Author counts biomedical journals are not so high 69 but 19 of the 244 articles Lancet publsihed [sic] in 2017 had more than 40 authors, 10 had  more than 480 authors, and one had 1039 [22]. (Patience et alii, 2018: 3)

    Esses números de autores por trabalho são impensáveis em Linguística.

    __________________
    * WoS = abreviatura para Web of Science, serviço de propriedade da Clarivate Analytics. Essa plataforma pode ser consultada via Portal de Periódicos da CAPES, mas está disponível apenas para os acessos com IP identificado das instituições participantes do Portal. Não faz parte do conteúdo gratuito do Portal. 

    _______________

    A Revista da ABRALIN (Associação Brasileira de Linguística)
    tem implícita a tradição da área nas instruções 
    para submissão de artigos (ênfase adicionada):
    
    
    "Na primeira página, deverão constar o título do trabalho 
    em letras maiúsculas em português ou inglês 
    e o nome do autor com letras maiúsculas somente nas iniciais. 
    No rodapé, deverá ser indicada a qualificação do autor e, 
    se for o caso, sua condição de bolsista do CNPq, CAPES ou FUNCAP".
    
    

    Com o crescente número de autores por trabalho (e com o fato de a publicação científica ter-se tornado um negócio milionário), um conceito que parecia simples tornou-se um tópico em discussão: quem pode ser arrolado como autor afinal?

    Uma situação que parece ter feito a área biomédica se preocupar tanto com o conceito de autor deriva de terem vindo a público casos do que se convencionou chamar “autoria fantasma“:  uma empresa farmacêutica, por exemplo, dentro de sua campanha de marketing prepara um artigo que será assinado por alguém com destaque na área e publicado numa revista famosa. Os nomes ligados ao fabricante que trabalharam no artigo fornecendo as informações que deveriam chegar ao público não aparecem, o que  esconde  que o trabalho é uma peça para incentivar a venda de determinado produto e que não se trata de uma análise independente dos benefícios e riscos de uma droga (ver Moffatt, 2013).

    Quem é autor? Algumas propostas de  editores científicos

    Para os editores, a autoria está ligada ao direito autoral.

    LSA – Linguistic Society of America (como no caso da ABRALIN, não se discutem critérios de autoria; o conceito não traz maiores problemas):

    Authorship. Complete and accurate identifying information for all authors, along with their email addresses, where possible, must be provided on the initial submission of a manuscript.  The corresponding author should be clearly indicated. Changes to a paper’s authorship after the fact must be requested in a letter to the Editors clearly stating why the change is necessary, and must be confirmed by the non-corresponding authors in a brief email message to the Editors. The ultimate decision to make changes after the initial submission rests with the Editors

    ESA – Ecological Society of America (os critérios da ICMJE parecem fundamentar a lista de critérios da área, mas não há necessidade de atender a todos eles):

    Publication: The following principles of ethical professional conduct apply to members reviewing, editing, or publishing grant proposals and papers in the professional literature in general, and particularly to all ecologists seeking publication in the Society’s journals.

    1. Researchers will claim authorship of a paper only if they have made a substantial contribution. Authorship may legitimately be claimed if researchers
      1. conceived the ideas or experimental design;
      2. participated actively in execution of the study;
      3. analyzed and interpreted the data; or
      4. wrote the manuscript.
    2. Researchers will not add or delete authors from a manuscript submitted for publication without consent of those authors.
    3. Researchers will not include as coauthor(s) any individual who has not agreed to the content of the final version of the manuscript. [….]

    WAME – World Association of Medical Editors  (o grupo decide):

    Authorship implies a significant intellectual contribution to the work, some role in writing the manuscript and reviewing the final draft of the manuscript, but authorship roles can vary. Who will be an author, and in what sequence, should be determined by the participants early in the research process, to avoid disputes and misunderstandings which can delay or prevent publication of a paper.

    EASE – European Association of Science Editors    (segue a ICMJE):

    Lista de autores, isto é, todas as pessoas que contribuíram significativamente para o planejamento do estudo, coleta de dados ou interpretação dos resultados e escreveram ou revisaram criticamente o original e aprovaram a versão final do mesmo e consideram-se responsáveis por todos os aspectos do trabalho. Todas as pessoas que cumpram o primeiro critério devem poder participar na elaboração e aprovação da versão final (ICMJE 2016). Os autores mencionados primeiro devem ser aqueles que tiveram maior participação. A ordem dos nomes dos autores deve ser determinada antes de enviar o artigo. Quaisquer alterações feitas depois do envio devem ser aprovadas por todos os autores e explicadas ao editor do periódico (Battisti et al. 2015, ver COPE flowcharts).

    ICMJE –  International Committee of Medical Journal Editors (ou critérios de Vancouver) – na área biomédica, certamente o conjunto de critérios mais referido:

    1. Contribuições substanciais para a concepção e planejamento do trabalho, ou a aquisição, análise ou interpretação de dados para o trabalho;  E
    2. Redação prévia ou revisão crítica no que respeita ao conteúdo intelectual; E
    3. Aprovação final da versão a ser publicada;  E
    4. Concordância em poder prestar contas de todos os aspectos do trabalho, assegurando que questões relativas à precisão e integridade de qualquer parte do trabalho sejam apropriadamente investigadas e resolvidas.

     

    E se um pesquisador do grupo morrer antes da submissão?
    Não preencheria os dois últimos critérios da ICMJE.
    A pergunta é estranha, mas já mereceu 
    consideração, por exemplo, em
    Teixeira da Silva & Dobánszki, 2015.
    
    E se ninguém preenche os quatro critérios?
    Ver uma interessante discussão em Moffatt, 2013.
    
    

     


    O primeiro, o último, em ordem alfabética ou … 

    Com a autoria múltipla, surge a questão da ordem dos nomes: atendida a Norma NBR 6023/2002, da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, a citação de um trabalho de mais de três autores  transforma  todos que não o primeiro autor em et alii  ou et al. (lat. ‘e outros’).

    Cada área de conhecimento (e cada país) parece ter sua cultura.

    Um critério de ordenação é respeitar a ordem alfabética dos sobrenomes. Uma crítica à ordem alfabética é que iguala a todos. Alguém de sobrenome Abreu terá mais chances de ser o primeiro autor que alguém com o sobrenome Xavier e, no caso de mais de três autores, algo como Abreu, Leão, Oliveira & Xavier seria Abreu et alii [condenando às trevas do esquecimento todos os demais … Muito dramático!]. Se todos trabalharam, isso não deveria ser um problema.

    Se o critério para listar autores for a contribuição, o primeiro autor é o que mais contribuiu.

    Dependendo da área de conhecimento, a tradição pode levar o nome de mais prestígio e responsável pelo desenho do projeto para o último lugar na lista de autores (Borenstein &  Shamoo, 2015: 272; Dance, 2012). Isso não é o mesmo que dizer que o último nome só está ali para dar peso a nomes em início de carreira, ou que é o dono da sala, que impôs seu nome … e que sequer leu o manuscrito.

    E se o trabalho resulta de uma colaboração 
    internacional interdisciplinar? 
    Não haverá vários pesquisadores com prestígio envolvidos?

    Mas não é tão simples. Na Índia, por exemplo, o Conselho de Medicina reviu em 2015 os critérios para a promoção de professores de instituições médicas e, no tocante às publicações, para ser promovido há a exigência de ser indicado como primeiro ou segundo autor nas publicações  (Aggarwal, Gogtay,  Kumar  &  Sahni, 2016).

    Uma área cinzenta:  quem fica no meio da lista? Há quem diga que ninguém lê aqueles nomes.

    E onde fica o autor correspondente ?

    Em trabalhos com autoria múltipla, o autor correspondente  (ing. corresponding author ou  CA) — que pode não ser nem o primeiro nem o último autor — é o nome responsável  pela comunicação com os editores: 

    This means she needs to ensure that all authors are aware that the manuscript is being submitted and have had a chance to read it and sign off on it; that the potential conflicts of interest of each author are surfaced and thoughtfully collated; and that at least one author has seen, reviewed, and can vouch for the veracity of ALL of the data in the paper. (Marcus, 2016)

    Mas não só: é o nome responsável  também pela comunicação com os leitores e aquele a ser contactado no caso de qualquer questão que porventura surja após a publicação.

    Na China (Borenstein &  Shamoo, 2015: 272) — mas certamente não só lá e na dependência da área de conhecimento — confere prestígio ser o nome indicado como o autor correspondente, atribuição que demonstraria tratar-se de um pesquisador-sênior. 

    Na área Letras e Linguística no Brasil a figura do autor que responde pelo trabalho coletivo junto aos editores do periódico começa a surgir, acompanhando o aumento do número de autores por trabalho. Já está, por exemplo, nas instruções aos autores  da Revista de Estudos da Linguagem, embora com denominação um pouco distinta (ênfase adicionada):

    For multiple author submissions, all authors must be registered as users of the journal; additionally, all authors must be listed on the the submission page by the submitting author. All authors must have ORCIDIDs and these have to be inserted in the Metadata section of the article [….].The submitting author must declare each author’s contribution to the paper upon submission. [….]

    The submitting author must declare each author’s contribution to the research and paper under submission. This information release is incombent on the submitting author and should be inserted in the “Comments to the Editor” section.

    Vem surgindo uma nova figura na publicação de
    trabalhos com autoria múltipla e com dados originais: 
    o guarantor (algo como 'fiador', 'garante'), que atesta
    que teve acesso aos dados e garante a integridade
    e correção do que foi feito por cada autor. 
    Nem sempre é clara a distinção 
    entre o guarantor e o autor correspondente.
    
    

    Strange (2008), com base nos quatro critérios de autoria do ICMJE, propôs que a ordenação da área seguisse os critérios no quadro a seguir.

    Autoria -ICMJE
    A significação a extrair da ordenação de autores de um artigo da área biomédica segundo  Strange (2008) .

    Posso escrever um artigo científico anônimo?
    Não. Trabalho individual ou em grupo, um artigo científico
    tem de estar assinado. Quem assina é responsável pelos
    achados apresentados.
    
    Posso usar um pseudônimo?
    Também não! Mas ... há casos famosos de pseudônimos na
    vida acadêmica. 
    1)  Zoroastro Azambuja Filho e Euclides Rosa foram heterônimos 
    do famoso matemático Elon Lages Lima (1929-2017). Não eram 
    apenas pseudônimos porque deu vida a eles, a ponto de 
    criar um conflito entre ambos
    (entrevista pelos 50 anos do IMPA - Instituto de Matemática 
    Pura e Aplicada, p. 110-111).
    
    2) Nicolas Bourbaki, por sua vez, é um pseudônimo coletivo
    de um grupo de matemáticos fundado na década de 1930, 
    cujos membros iniciais foram 
    Henri Cartan (1904-2008), Claude Chevalley (1909-1984), 
    Jean Delsarte (1903-1968), 
    Jean Dieudonné (1906-1992) e André Weil (1906-1998) 
    (Wikipedia, Nicolas Bourbaki).  
    
    3) O homem que calculava fez parte da 
    iniciação à Matemática de muita gente no Brasil.
    O autor, Malba Tahan foi pseudônimo de Júlio César de Melo e Sousa
    (1895-1974).
    Mas eram outros tempos...

    É preciso mesmo fazer um ranque de importância de participações?

    Uma disputa sobre quem deveria estar, por exemplo, em sétimo ou em oitavo numa lista de 10 autores soa estranha; afinal diz muito pouco para o leitor de um artigo.

    Por outro lado, se o oitavo nome 
    não tivesse feito sua parte como ficaria o artigo?

    Na lista de autores ou nos agradecimentos?

    Levada às últimas consequências, esses critérios também podem retirar alguém da lista de autores e movê-lo para a lista de contribuições que merecem agradecimento e isso nem sempre é fácil e não há consenso nem dentro de uma única área sobre inclusão e exclusão.

    Vejam-se os exemplos (Strange, 2008) de tarefas que não permitiriam a inclusão de um nome na lista de autores, apenas nos agradecimentos na área biomédica.

    Autoria - exclusao
    Nos agradecimentos apenas (Strange, 2008)

     

    Quem é autor? A prática na área da Linguística

    Os critérios da ICMJE são estranhos a Letras e Linguística. Um exemplo. Quem gravou entrevistas, trabalhou na transcrição e trabalhou na anotação linguística do corpus deveria ser incluído como autor? A aplicação dos critérios do ICMJE para a definição de autor em Linguística diria que não seria autor se a participação se limitou a essas atividades. Como se vê, os critérios não são universais.

    E se todo esse conjunto de dados
    for usado por outros grupos de pesquisa que
    sequer conhecem aqueles colaboradores que concretizaram o corpus?
    
    

    Consultei informalmente três expoentes da Linguística no Brasil que sempre trabalharam com grandes grupos de pesquisa. Suas respostas confirmam que, nesta área,  os critérios são decididos no grupo (“os autores do texto decidem quem é quem, e assim procedem à sequenciação dos nomes“) e que mesmo líderes de um grande grupo de pesquisa não são necessariamente coautores, seja em trabalhos com autoria múltipla ou mesmo em dupla (“Raramente publico em dupla –só o fiz duas vezes“). A tradição de publicações monoautorais ainda tem força.

     


    Uma tentativa de evitar conflitos

    Cada área de conhecimento (e cada país) parece ter sua cultura para incluir ou excluir nomes de uma lista de autores de um trabalho. Melhor discutir com o grupo os nomes que serão incluídos numa publicação e sua ordenação ─ vale a pena fazer dessa  uma decisão clara no grupo. De preferência antes de o trabalho começar. E durante o trabalho também. E deixar claro na publicação em que consistiu a colaboração de cada um.


    Referências

    ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. Informação e documentação –
    Referências – Elaboração – NBR 6023, Ago. 2002.

    Aggarwal, R., Gogtay, N., Kumar, R., Sahni, P., Indian Association of Medical Journal Editors. 2016. The revised guidelines of the Medical Council of India for academic promotions: Need for a rethink. Journal of Ayurveda and integrative medicine, 7(1): 3-5. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4910577/

    Borenstein, Jason &  Shamoo, Adil E. 2015.  Rethinking Authorship in the Era of Collaborative Research, Accountability in Research, 22: 267-283. http://nursing.msu.edu/research/Resources%20for%20Researchers/Reccomended%20Reading%20Articles/Rethinking%20authorship%20in%20the%20era%20of%20collaborative%20research.pdf

    Dance, Amber. 2012. Authorship: Who’s on first? Nature, 489: 591–593. https://www.nature.com/naturejobs/science/articles/10.1038/nj7417-591a

    Greene, Mott. [2007]. The demise of the lone author. History of the Journal Nature. https://www.nature.com/nature/history/full/nature06243.html

    ICMJE – International Committee of Medical Journal Editors . Who Is an Author?  http://www.icmje.org/recommendations/browse/roles-and-responsibilities/defining-the-role-of-authors-and-contributors.html

    IMPA – Instituto de Matemática Pura e Aplicada. 2003. IMPA 50 Anos. http://w3.impa.br/~webnew/publicacoes/livro_impa_50_anos/livro_impa_50_anos_pdf.pdf

    Moffatt Barton. 2013. Orphan papers and ghostwriting: The case against the ICMJE
    criterion of authorship. Accountability in Research, 20:59-71.

    Marcus, Emilie. 2016. What does it mean to be the corresponding author? Cell’s “Crosstalk”, 8Mar2016.  http://crosstalk.cell.com/blog/what-does-it-mean-to-be-the-corresponding-author

    Patience, Gregory S.; Galli, Federico; Patience, Paul & Boffito, Daria C. 2018.Intellectual contributions meriting authorship: Survey results from the top cited authors across all science categories. bioRxiv preprint first posted online May. 17, 2018; doi: http://dx.doi.org/10.1101/323519 

    Revista de Estudos da Linguagem .  http://www.periodicos.letras.ufmg.br/index.php/relin/index

    Revista Linguística. https://revistas.ufrj.br/index.php/rl

    Strange, Kevin. 2008. Authorship: why not just toss a coin?. American journal of physiology. Cell physiology , 295 (3): C567-75. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2544445/

    Teixeira da Silva, Jaime & Dobánszki, Judit. 2015. The Authorship of Deceased Scientists and Their Posthumous Responsibilities. Science Editor. https://www.csescienceeditor.org/article/the-authorship-of-deceased-scientists-and-their-posthumous-responsibilities/

    Wikipédia, Contribuidores da. Malba Tahan 

    Wikipédia, Contribuidores da. Nicolas Bourbaki

    3 – Alguns comentários sobre as partes 1 e 2 anteriores: ainda a autoria

     

    Autoria não é presente, como já se ressaltou aqui anteriormente. Somos responsáveis pelo que assinamos.  Autoria também não é uma cortesia a se fazer com colegas, amigos, parentes. Menos ainda se for uma cortesia-surpresinha, da qual o agraciado não é avisado, como parece ter acontecido em dois dos trabalhos retratados do Dr. Reuben.

    Quem assina um trabalho tem de “estar ciente de como os resultados foram apresentados e estar disposto a defender o manuscrito final“, afirmam Padula, Somerville & Mudrak, 2018. Resumem, desse modo, o quarto e último dos critérios de autoria estabelecidos pelo  International Committee of Medical Journals Editors (ICMJE) que têm de ser satisfeitos por cada autor,  a saber:

    • Contribuições substanciais para a concepção e planejamento do trabalho, ou a aquisição, análise ou interpretação de dados para o trabalho;  E
    • Redação prévia ou revisão crítica no que respeita ao conteúdo intelectual; E
    • Aprovação final da versão a ser publicada;  E
    • Concordância em poder prestar contas de todos os aspectos do trabalho, assegurando que questões relativas à precisão e integridade de qualquer parte do trabalho sejam apropriadamente investigadas e resolvidas.
    Mas tenho de responder pelo que não fiz no trabalho? 
    Essa parte nem é minha área!
    No famoso caso Imanishi-Kari, David Baltimore, um dos autores 
    e,já na época, Prêmio Nobel, assim se referiu aos dados
    do artigo da Cell: 
    "It was the kind of work I didn't know how to do, 
    had never done, 
    and I had collaborated with Imanishi-Kari 
    for that reason" (Kleves, 1996: 99)
    

    O comentário de Baltimore vai ao encontro da crítica de que o quarto critério do ICMJE  não é razoável ou viável para todos os membros de uma equipe:

    For example, many undergraduate researchers do not have the authority or expertise to handle the associated responsibilities contained with ICMJE’s criterion. Along these lines, postdoctoral fellows are often at the mercy of a lab director in terms of their professional future and do not always have robust support systems in place to protect them from reprisal if they seek to uphold the “accuracy or integrity” of a project. [….] The power differential between junior and seniors researchers is hard to ignore. Furthermore, one collaborator may effectively have no way of knowing how another’s data were obtained or what they fully mean. For example, a biochemist collaborating with an X-ray crystallographer or an electron microscopist might not be able to, or struggle to, appreciate the field-specific nuances of the other person’s work. (Borenstein &  Shamoo, 2015: 274)

    Caso se leve em conta quem tomou parte da redação do texto em algum momento, de novo  vem a pergunta: como ficam trabalhos com equipes multidisciplinares,  de diferentes centros (parte deles não nativos da língua em que saíra a publicação)?  E se o número de autores chegar aos milhares, se forem mais de 5000 autores,  por exemplo, como no trabalho sobre o bóson de Higgs de 2015? Ou mesmo 20?  Que contribuições num projeto qualificam alguém como autor de um trabalho?

    A complexidade do problema vem promovendo a proposta, pelo menos desde 2012, de que se deixe claro o tipo de contribuição de cada um, caso da  taxonomia CRediT.

    As áreas têm culturas diferentes. Um exemplo.

    No começo dos anos 1990, passeando pela seção de painéis de um encontro de física, chamou a minha atenção um trabalho sobre estatística de distribuição de níveis de energia em um cristal. [….]  Perguntei ao colega que estava apresentando o painel sobre essa estatística e a resposta foi que ele fizera os cálculos dos níveis de energia, não sabia interpretá-los e quem poderia responder a minha pergunta era o outro autor, que não estava presente. [….] Na época o desconforto que a questão suscitou foi aplacado pela lembrança de uma prática internalizada na comunidade científica a qual pertencia. Experimentos importantes são realizados por diferentes grupos utilizando amostras sofisticadas obtidas em poucos laboratórios. O uso dessas amostras configura um tipo de colaboração comum e os artigos resultantes dessas colaborações sempre têm o produtor das amostras como autor. Faz parte do paradigma da comunidade a percepção clara da função específica daquele autor na lista de autores.  A autoridade dele é sobre a amostra e não sobre a pesquisa resultante em si. (Schulz, 2017)

     


    Referências

    Borenstein, Jason &  Shamoo, Adil E. 2015.  Rethinking Authorship in the Era of Collaborative Research, Accountability in Research, 22: 267-283. http://nursing.msu.edu/research/Resources%20for%20Researchers/Reccomended%20Reading%20Articles/Rethinking%20authorship%20in%20the%20era%20of%20collaborative%20research.pdf

    Castelvecchi, Davide. 2015. Physics paper sets record with more than 5,000 authors. Nature News. https://www.nature.com/news/physics-paper-sets-record-with-more-than-5-000-authors-1.17567#/b1

    Harvard University and the Wellcome Trust. 2012. Report on the International Workshop on Contributorship and Scholarly Attribution, IWCSA Report .   http://projects.iq.harvard.edu/files/attribution_workshop/files/iwcsa_report_final_18sept12.pdf

    Kleves, Daniel J. 1996. The assault on David Baltimore. The New Yorker, 27Maio1996.  http://web.mit.edu/chemistryrcr/Downloads/Baltimore.pdf

    Padula, Danielle, Somerville, Theresa & Mudrak, Ben. 2018. Todos os periódicos devem ter uma política que defina a autoria – aqui está o que incluir [Publicado originalmente no blog LSE Impact of Social Sciences em Janeiro/2018] [online]. SciELO em Perspectiva, 2018.  https://blog.scielo.org/blog/2018/08/31/todos-os-periodicos-devem-ter-uma-politica-que-defina-a-autoria/

    Schulz, Peter. 2017. Já não se fazem mais autores como antigamente. Jornal da Unicamp. 17Out2017. https://www.unicamp.br/unicamp/ju/artigos/peter-schulz/ja-nao-se-fazem-mais-autores-como-antigamente

    [Parte 1] [Parte 2] [Parte 3]

    Ficou linda!

    Segundo o jornal  O Globo, foram cinco anos de tapumes, mas acabou e agora  a Biblioteca Nacional está belíssima. Um senão: não voltou aquela pequena área para cafezinho que havia no andar da entrada faz muitos anos. Uma máquina de expresso já servia.

     

    20181107_100222
    Saindo do 3º andar

    20181107_125945
    Área externa voltada para a rua México

     


    Referências

    Porcidonio, Gilberto. 2018. Após cinco anos de obras, beleza é devolvida à Biblioteca Nacional. O Globo, 31Maio2018. https://oglobo.globo.com/rio/apos-cinco-anos-de-obras-beleza-devolvida-biblioteca-nacional-22734626

    Fotos na página: Maria Carlota Rosa, 07Maio2018.

     

     

    2 – Erro, dados falsos … e a avaliação por especialistas?

     

    Como um artigo pode apresentar  dados não confiáveis, não importa a razão,  se, ao ser submetido a um periódico, é encaminhado para análise de mais de um parecerista, todos especialistas na área do trabalho?

    Primeiramente porque não se espera a má conduta de um cientista. Nas palavras do Prêmio Nobel de Medicina em 1975, David Baltimore, In science, we assume that a colleague is trustworthy and only in extreme do we doubt it (MIT News, 2002).

    A confiança no colega expressa por Baltimore 
    é, nesse caso, mais que retórica. 
    Durante todo o processo de falsificação de dados 
    movido contra Thereza Imanishi-Kari, 
    em sequência à publicação em 1986 
    de artigo na revista Cell em coautoria, 
    ele a defendeu. Imanishi-Kari havia sido denunciada 
    pela então pós-doutoranda Margot O'Toole 
    que trabalhavam em seu laboratório.
    Ao final de um longo processo de cerca de dez anos,  
    Thereza Imanishi-Kari foi inocentada.
    (Kleves, 1996)

    Para Marisa Palácios, do  Conselho Nacional de Saúde/ Comissão Nacional de Ética em Pesquisa e primeira Coordenadora da CTEP-UFRJ,

    a honestidade é pressuposta. É princípio básico do Direito, todos são inocentes até prova em contrário. Isso significa que independente da concepção filosófica que nos oriente, se há uma natureza humana e se ela é boa ou má, se dizer a verdade é um requisito ético para qualquer comunicação científica (código de ética do cientista independente da formalidade disso), então temos razão em dizer que podemos pressupor que todos dizem a verdade. (Comunicação pessoal, 21/07/2015)


    Um exemplo de como pode  ser difícil para um parecerista detectar um problema 

    Scott Reuben (n.1958), anestesiologista no Baystate Medical Center (BMC-  EUA).

    • Em 2005 ganhou bolsa de US$ 75.000 da Pfizer para estudar o Celebrex (um antiinflamatório que, no Brasil, é vendido como Celebra).
    • Em 2007, editorial de Anesthesia & Analgesia  afirmava que Reuben estava na “forefront of redesigning pain management protocols” e caracterizou seus estudos como  “carefully planned” e “meticulously documented” .

    En mayo de 2008, se inició una auditoría interna dentro del BMC, cuando se descubrió que el investigador no había solicitado permiso al Comité Ético Asistencial del hospital para la realización de algunos de los estudios referidos. Como consecuencia de dicha auditoría, el Dr. Scott S. Reuben reconoció finalmente, que los resultados aparecidos en 19 de sus estudios y 2 resúmenes publicados [….], no eran consecuencia de la aplicación de los tratamientos a pacientes reales, sino fruto de su invención y que los datos eran de su responsabilidad exclusiva.

    Además de adulterar datos, el Dr. Reuben parece haber cometido falsificación en la publicación, ya que algunos coautores como el Dr. Evan Ekman, cirujano ortopédico, dijo que su nombre apareció como coautor en al menos dos de los artículos de los que las revistas se han retractado, a pesar de que no había tenido ninguna participación en los manuscritos.  (Rama-Maceiras, Ingelmo Ingelmo, Fàbregas Julià & Hernández-Palazón: 2009)

    • Condenado à prisão em 2009 por fabricação de dados ao longo de 15 anos.

    His research, which was published in a medical journal, has since been quoted by hundreds of other doctors and researchers as “proof” that Celebrex helped reduce pain during post-surgical recovery. There’s only one problem with all this: No patients were ever enrolled in the study! (Adams, 2010)

    • Quando eclodiu o escândalo, seus trabalhos tinham recebido cerca de 1200 citações.

    Retirar a confiança do processo é também atribuir aos pareceristas (e editores, e leitores) um papel que eles não têm, porque “neither the peer reviewers, nor the editors, nor the readers were there as witnesses, so it is up to the authors to certify what took place (Gunsalus & Rennie, 2015).


    Referências

    Adams, Mark. 2010. Big Pharma researcher admits to faking dozens of research studies for Pfizer, Merck (opinion). Natural News, 18Fev2010.  http://www.naturalnews.com/028194_Scott_Reuben_research_fraud.html#ixzz3g9SYCFAa

    Gunsalus, C. K.  & Rennie, Drummond  [2015]. “If you think it’s rude to ask to look at your co-authors’ data, you’re not doing science”: Guest post. Retraction Watch. <http://retractionwatch.com/2015/06/18/if-you-think-its-rude-to-ask-to-look-at-your-co-authors-data-youre-not-doing-science-guest-post/>

    Kleves, Daniel J. 1996. The assault on David Baltimore. The New Yorker, 27Maio1996.  http://web.mit.edu/chemistryrcr/Downloads/Baltimore.pdf

    MIT News. 2002.  Trust essential in scientific collaboration, says David Baltimore. 22Fev2002. http://news.mit.edu/2002/baltimore

    Rama-Maceiras, P. , Ingelmo Ingelmo, I. , Fàbregas Julià, N. & Hernández-Palazón, J. 2009. Algología fraudulenta. Un dolor demasiado profundo para una adecuada analgesia. Revista Española de Anestesiología y Reanimación  56: 372-379, 2009. <http://www.elsevier.es/es-revista-revista-espanola-anestesiologia-reanimacion-344-linkresolver-algologia-fraudulenta-un-dolor-demasiado-90211771 >

    Vasconcelos, Sônia M. R. 2007. O plágio na comunidade científica:questões culturais e linguístcas.  Ciência e Cultura, 59 (3): 4-5 Jul/Set. 2007.  http://cienciaecultura.bvs.br/pdf/cic/v59n3/a02v59n3.pdf

    [Parte 1] [Parte 2] [Parte 3]

     

     

    Artes e Ciências Humanas … na Austrália: ministro bloqueia bolsas de projetos de pesquisa aprovados pelo ARC para essas áreas

     

    Onze projetos em Humanas que deveriam receber bolsa foram vetados em segredo na Austrália pelo então Ministro da Educação Simon Birmingham (agora na pasta do Comércio), veto mantido por seu sucessor no cargo, Dan Tehan. O caso veio à luz na penúltima semana de outubro. Uma vez descoberto, o ex-ocupante da pasta da Educação (2017-2018) escusou-se no Twitter.

    Para Birmingham,no Twitter,
    I‘m pretty sure most Australian taxpayers 
    preferred their funding to be used for research other than 
    spending $223,000 on projects like 
    “Post orientalist arts of the Strait of Gibraltar.”

    A simples leitura do título de cada projeto foi suficiente para que um político preterisse trabalhos que haviam sido recomendados no processo de avaliação por pares (peer review) levado a cabo pelo Australian Research Council/ ARC (para uma ideia de como funciona e o índice médio de aprovação de candidaturas, que é muito baixo, ver Simon Birmingham’s intervention in research funding is not unprecedented, but dangerous).

    É mais um episódio que demonstra que Artes ou Letras, ou Linguística, por exemplo,  não têm importância porque … Por que mesmo? Por que não geram uma aplicação prática imediata? (Bom, o mesmo acontece em outras áreas que ninguém ousa dizer que não são importantes ou, mesmo, que não são científicas).

    Há alguns anos um então famoso talk show na televisão 
    falava de projetos que tinham recebido 
    bolsa para o Exterior. 
    O apresentador leu alguns títulos 
    e selecionou um deles, 
    que focalizava  vogais, para 
    perguntar se não era absurdo 
    alguém ir para a França "para estudar um a".
    A Austrália já não nos parece tão longe.

    Abaixo, um trecho da nota da Universidade de Sidnei, através do Vice-Reitor Michael Spence.

    Peer review must remain at heart of research assessment system
    26 October 2018
    [....]
    “Funding recommendations by the ARC 
    are based on a peer review process, 
    designed to ensure academic integrity,” Dr Spence said.
    “This action by Senator Birmingham must be considered 
    political interference in this process; 
    it is revealing only humanities projects were impacted.
    “It is demoralising for academic staff who work hard 
    to prepare their applications, sometimes 
    for months or years – on the understanding 
    they will be assessed by experts in their field 
    through the rigorous process overseen by the ARC.
    

     


    Fontes

    Karp, Paul. ‘Disgraceful’: university decries ‘political interference’ that blocked $4m in grants. The Guardian, 30Out2018  https://www.theguardian.com/australia-news/2018/oct/30/disgraceful-university-decries-political-interference-that-blocked-4m-in-grants

    Redden, Elisabeth. 29Out2018. Outrage Over Political Veto of Grants in Australia. Inside Higher Ed. https://www.insidehighered.com/quicktakes/2018/10/29/outrage-over-political-veto-grants-australia

    The Sydney University.  Peer review must remain at heart of research assessment system. 26Out2018. https://sydney.edu.au/news-opinion/news/2018/10/26/peer-review-must-remain-at-heart-of-research-assessment-system.html

    Simon Birmingham’s intervention in research funding is not unprecedented, but dangerous. The Conversation,  26Out2018.  https://theconversation.com/simon-birminghams-intervention-in-research-funding-is-not-unprecedented-but-dangerous-105737

     

     

    Depois da Fnac, da LaSelva, da Cultura, agora a Saraiva

     

    Ontem (29Out2018) a livraria Saraiva fechou 20 lojas.

    • A Fnac foi embora.
    • A LaSelva (a dos aeroportos) faliu.
    • A Cultura entrou em recuperação judicial.

    Vai sobrar só a Amazon vendendo livros no Brasil? (Médio, porque vários títulos desse gigante são acompanhados do informe de que não são vendidos para o Brasil).

    Mais?

    PS.: Um colega me lembra que em 29 de outubro se comemora o Dia Nacional do Livro.