Scielo e a acessibilidade no acesso aberto

“promover ciência aberta e acesso aberto não é, necessariamente, sinônimo de acessibilidade. Se não nos atentarmos a isso, e superarmos as barreiras atitudinais, tecnológicas, comunicacionais e programáticas, acabaremos por legitimar quotidianamente a violação dos direitos individuais dos cidadãos das diversas sociedades a acessarem o que tem sido desenvolvido pelas comunidades científicas.

É imperativo, portanto, que dialoguemos com os preceitos da Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência (UNESCO, 2006), o Tratado de Marrakesh (2013), a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável (ONU, 2015) e os parâmetros determinados pela Web Accessibility Initiative (WAI/W3C). O desenvolvimento teórico-científico e tecnológico relacionado à acessibilidade das informações em ambientes virtuais ganharia, então, mais ênfase nos dias atuais pelas comunidades acadêmicas e político-sociais.”

Com essa visão inclusiva, a Scielo lançou em maio de 2020, em cooperação com o Grupo de Pesquisa Identidades, Deficiências, Educação & Acessibilidade da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), um programa com metas a curto, médio e longo prazo, o que “irá demandar a participação proativa dos editores dos periódicos devido aos ajustes gradativos nas normas de submissão, nas estruturas e no conteúdo dos artigos“.

É uma iniciativa mais que  bem-vinda.


Cabral, Leonardo et alii. 2020. Rede SciELO e acessibilidade: ênfase sobre as políticas, produtos e serviços. Blog Scielo em Perspectiva, 7Aug2020. https://blog.scielo.org/blog/2020/08/07/rede-scielo-e-acessibilidade/#.Xy8LJihKiMo

De volta às aulas, mas…

 

Tempo de leitura: 30s

É estranho começar o ano letivo, de fato,  em agosto. Tivemos uma semana de aulas em março, depois a suspensão e agora, a volta na pós-graduação mas pela internet. Não estaremos olhando para outros olhos, mas para uma câmera. Não estaremos no nosso prédio da Letras. Não nos encontraremos no café. Nem na biblioteca. Nem na salinha de permanência, nem no Departamento, nem no corredor …

Alguns encontros nunca mais poderão acontecer. Nunca mais vou entrar na Faculdade e ouvir do seu Sebastião o “Bom dia, Mestra”.  Ao longo de todo o período sem aulas recebemos da Direção ao menos uma vez por semana uma nota de pesar. Morreram alunos, professores, funcionários, prestadores de serviços e familiares de tanta gente que perdi a conta.

Recomeçamos, mas com a tristeza dizendo “presente”.

 

Foto: Faculdade de Letras, bloco F em 16-05-2019 
por Maria Carlota Rosa

A covid-19 e nossa vizinhança

 

Com base em dados oficiais da prefeitura carioca, uma vez que o DataSUS não mais disponibiliza os CEPs ligados a pacientes e a óbitos, o arquiteto Thales Mesentier desenvolveu um mapa interativo que permite ter uma ideia de como anda a cidade do Rio de Janeiro em relação  à covid-19, rua a rua. É só saber o código de endereçamento postal  (CEP) da rua. Quanto mais escura a bolinha, mais casos registrados no lugar. Uma auréola em torno da bolinha é a indicação de pelo menos um óbito.

A opção “Filtrar casos ativos” apresenta onde estão os infectados atuais registrados, isto é quem estava infectado na data da atualização da página e procurou um serviço de saúde.

Quem quiser conferir: https://covidporcep.rio.br/

Material semelhante foi criado pela FAU da USP para os 25 municípios da região metropolitana de  São Paulo: https://labcidadefau.carto.com/builder/550ac007-b4c9-42ab-9582-29d16ab4e7ee/embed?state=%7B%22map%22%3A%7B%22ne%22%3A%5B-23.677510116481624%2C-46.857360675930984%5D%2C%22sw%22%3A%5B-23.490767702881982%2C-46.468547657132156%5D%2C%22center%22%3A%5B-23.584172123394485%2C-46.66295416653157%5D%2C%22zoom%22%3A13%7D%7D

Há um tempo atrás ninguém falava de retratação…

Tempo de leitura: 2 min

Se nos habituamos ao mundo acadêmico que tem como lema publish or perish, há um outro lado nesse  mundo para o qual Diniz & Terra (2014: 117) chamaram a atenção: “Nada mais constrangedor para o currículo de um pesquisador que ter uma coleção de artigos retratados“. Uma publicação retratada compromete o currículo de seu(s) autor(es), como comentamos anteriormente (Rosa, 2018: 63ss; neste blogue: Posso citar um trabalho que foi retratado? Parte 1;Posso citar um trabalho que foi retratado? – Parte 2 ).

Mas ninguém falava de retratação há um tempo atrás!

O número de retratações é bem maior agora que há 15 ou 20 anos, por exemplo: até o ano 2000 eram em média 100 ao ano (Brainard & You, 2018); mas em 2010 foram 5.190, em 2011, chegaram a 3.149. Desde então parece haver uma tendência de queda nesse número: em média em torno de 1.200 retratações de 2013 a 2018, com leves decréscimos e algumas oscilações, e uma grande queda, para 462, em 2019 (Retraction Watch Database).  Essa curva se reflete na área da Linguística, por exemplo: uma consulta a essa mesma base retorna um caso em 1996, outro em 2007, três em 2009; para 2010 e 2011 retorna, respectivamente, 27 e 9. A partir de então parece haver uma tendência de queda, havendo em 2019 apenas um caso.

A subida em 2010 se segue ao lançamento pelo COPE/ Committee on Publication Ethics, no ano anterior, de um guia para os editores de periódicos científicos de como lidar com as retratações. A versão atual, de 2019, do  Retraction Guidelines  pode ser baixada de https://publicationethics.org/files/retraction-guidelines.pdf.

A difusão de softwares para a detecção de plágio e para a detecção de manipulação de imagens são agora instrumentos para editores científicos. Por outro lado, autores de manuscritos a serem submetidos a um periódico têm mais consciência de diretrizes a serem seguidas no trabalho científico, uma vez que universidades e agências de fomento no país têm divulgado uma série de documentos a esse respeito. Alguns deles:

 


DINIZ, Débora & TERRA, Ana. 2014. Plágio: palavras escondidas. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz.

Retratado, mas ainda citado

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Retratação,  termo que conhecemos no dia a dia com o significado de ‘pedido de desculpas pelo que foi dito’, mas também como ‘correção’, tem no mundo acadêmico  um significado bem específico: a reprovação pública de um trabalho publicado. Basicamente porque está errado e/ou porque lançou mão de más práticas:

A retratação é um mecanismo para corrigir a literatura e alertar os leitores sobre publicações que contêm dados tão falhos ou errados que não se pode confiar em suas descobertas e conclusões. Dados não confiáveis podem resultar de simples erro  ou de má conduta na pesquisa. COPE/Committee on Publication Ethics. Retraction guidelines.

A “literatura zumbi”

Que dizer, então de uma lista dos Top-10  entre os trabalhos retratados mais citados (entenda-se: depois da retratação)? Trabalhos retratados que continuam a ser citados de modo positivo ganharam a classificação jocosa de literatura zumbi.

Entre os primeiros dessa lista dos 10 mais no blogue Retraction Watch lá está um famoso texto de 1998, retratado porque seus autores falsificaram e fabricaram dados para criar evidências — fraudulentas, portanto — da relação entre a vacina tríplice e o autismo. Da tardia retratação em 2010 até maio de 2019 foram 669 citações — mesmo com a repercussão do caso  na imprensa.

Um estudo de caso 

Um grupo de bibliotecários liderados por Elizabeth M. Suelzer decidiu analisar o contexto em que 1153 trabalhos acadêmicos em inglês citaram o artigo fraudulento. Os dados foram buscados na Web of Science Core Collection. Na maioria dos casos (72,7%), a visão sobre o texto retratado era negativa; ainda assim, 8%  dos trabalhos tinham uma visão positiva sobre o texto de 1998. E parte desse conjunto —  quase 30% — não indicava a existência de uma retratação.

Suelzer et alii recomendaram a implementação de diferentes ações: de instruções de como citar um artigo retratado  a bancos de dados bibliográficos sobre retratações, como aquele de iniciativa de Ivan Oransky e Adam Marcus, o Retraction Watch Database:

To ensure the integrity of scholarly articles and research, we believe that better care needs to be taken to ensure that retracted articles are properly cited and that it is ultimately the authors’ responsibility to ensure that their citations are accurately documented. Improvements can be made to the indexing procedures of bibliographic databases, journal publisher procedures for updating retracted articles, and citation management software products to make it more apparent when articles have been retracted. In addition, stronger guidelines from the ICMJE, COPE, and citation styles on how to cite retracted articles appear to be needed. We also believe that authors should take additional steps to verify their citations by using bibliographic databases, such as PubMed and Retraction Watch, or enlisting the help of librarians and that journal editors should hold authors more accountable for checking their references.

Uma questão interessante

Em Retraction Watch (18Nov2019), Suelzer comentou a contagem pura e simples de citações,  não importando se o contexto é negativo:

While most of the references to the Wakefield article are negative, each new citation is noted in databases like Google Scholar, Web of Science and Scopus. As citation counts continue to play a role in determining the significance or importance of an article (for better or worse), even negative citations will ensure that an article gets a higher rank in databases when the results are sorted by citation count. We accept the irony of conducting a study on Wakefield’s paper and adding yet another count to its cited-by number.

 

 

 


 

Retraction Watch. Top 10 most highly cited retracted papers. https://retractionwatch.com/the-retraction-watch-leaderboard/top-10-most-highly-cited-retracted-papers/

Retraction Watch. 18Nov2019. Andrew Wakefield’s fraudulent paper on vaccines and autism has been cited more than a thousand times. These researchers tried to figure out why.  https://retractionwatch.com/2019/11/18/andrew-wakefields-fraudulent-paper-on-vaccines-and-autism-has-been-cited-more-than-a-thousand-times-these-researchers-tried-to-figure-out-why/

Retraction Watch Database.http://retractiondatabase.org/RetractionSearch.aspx? 

Suelzer,Elizabeth M.; Deal, Jennifer;  Hanus, Karen L.;  Ruggeri, Barbara;  Sieracki, Rita;  Witkowski, Elizabeth. 2019. Assessment of Citations of the Retracted Article by Wakefield et al With Fraudulent Claims of an Association Between Vaccination and Autism. JAMA Network Open. 2019; 2(11):e1915552. https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2755486

Luto na Linguística: morre Maria Helena Mateus

 

Um AVC,  coma irreversível.  E a morte.

Maria Helena foi  a pessoa mais importante  para a minha vida acadêmica. Quando a conheci era Professora Catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Mas isso não era o mais importante: era iluminada. Recebeu-me em Portugal como se eu fosse da família, foi incansável durante a minha pneumonia no meu período como bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian.

A luz de Maria Helena agora se apaga. É muito triste.


Coloquei no site da AILP/ Associação Internacional de Linguística do Português: https://ailp.wordpress.com/2020/03/30/a-linguistica/

 

 

De novo a questão da autoria: autor ou colaborador?

Tempo de leitura: 2 min

Em 2019 a Revista da ABRALIN/ Associação Brasileira de Linguística anunciava a adoção da ferramenta CRediT/ Taxonomia da Função de Contribuidor (Contributor Role Taxonomy), da  CASRAI / Consortia Advancing Standards in Research Administration Information, deixando assim de lado o autor e trazendo para a cena o colaborador.

Ao divulgar aquele informe em setembro de 2019 (A Revista da ABRALIN adota a taxonomia CRediT/Contributor Roles Taxonomy (Taxonomia das Funções do Colaborador) chamei a atenção para o fato de  o autor único ainda ser comum na Linguística, o que se reflete nas instruções para a submissão de trabalhos de várias publicações brasileiras e que seria interessante acompanhar a implantação desse modelo na área da Linguística brasileira.

A edição de janeiro de 2020 do Scielo em Perspectiva trouxe algumas considerações sobre a nova ferramenta, num artigo de Elizabeth Gadd. Uma delas é que o modelo não foi pensado para a Artes e Humanidades. E se para a Linguística a figura do autor único ainda não morreu, há que concordar com Gadd que “nomear um único autor como “contribuidor” parece totalmente inapropriado”. Para Gadd, outras questões ultrapassam uma possível inadequação na descrição do papel do único responsável por um trabalho acadêmico.

Uma dessas questões é a linha que separa quem contribui com uma pesquisa e quem é autor num artigo. Em termos legais, quando da publicação de um artigo, o autor correspondente transfere os direitos de publicação; se é apenas um dos contribuidores, deixa de poder assumir esse papel.

Gadd levanta uma questão mais grave:

É claro que nossa obsessão interminável com crédito baseado em publicações inevitavelmente levará alguns a fazer uso do CRediT para avaliações de pesquisa ostensivamente mais justas. Sabemos que fazer uma citação em um artigo no qual você foi o 1.000º autor não pode significar a mesma coisa que fazer uma citação em um artigo no qual você foi o único autor. A Clarivate argumentou recentemente que, com o aumento de artigos de hiperautoria, o fracionamento de citações deve se tornar a norma. Faz sentido. Como é natural, então, começar a ponderar citações com base na função real que você desempenhou em um artigo?

……………………………….

Não tenho certeza de que haja alguma maneira de mitigar os piores efeitos disso. E estou particularmente preocupada porque, é claro, os dados subjacentes do CRediT necessários para executar estas análises serão coletados e pertencerão aos publishers. Observo no site do CASRAI que eles procuram “garantir que o CRediT esteja vinculado ao ORCID e incluído na captura de metadados do Crossref“. Mas nem todos os metadados ingeridos pelo Crossref estão disponíveis abertamente. E o maior publisher de periódicos do mundo, que recentemente anunciou a adoção do CRediT por 1.200 de seus periódicos, de maneira infame, não coopera com serviços de citação abertos.


GADD, Elizabeth. 2020. Verificação CRediT – Devemos adotar ferramentas para diferenciar as contribuições em trabalhos acadêmicos? [Publicado originalmente no LSE Impact Blog em janeiro/2020] [online]. SciELO em Perspectiva, 2020  Available from: https://blog.scielo.org/blog/2020/01/23/devemos-adotar-ferramentas-para-diferenciar-as-contribuicoes-em-trabalhos-academicos/

 

Uma iniciativa surgida no PROFLLIND-UFRJ: a língua Mebêngôkre cooficializada em São Félix do Xingu (PA)

Foto: São Félix do Xingu - por Renato Brito - Google Maps
Tempo de leitura: 3 min

No final de 2017, o Prof. Gean Damulakis postava no blogue do Departamento de Linguística e Filologia da UFRJ um quadro com a indicação dos municípios brasileiros que haviam aprovado a cooficialização de línguas, autóctones ou de imigração, com amplo uso entre seus munícipes. O quadro era anexo ao seu artigo Cooficialização de línguas no Brasil: características, desdobramentos e desafios. Reproduzimos a seguir esse quado .

Cooficializacao de linguas
Quadro em Damulakis (2017)

A lista ganhou mais uma linha em fins de 2019: a língua Mebêngôkre tornou-se cooficial no município de São Félix do Xingu (PA) pela Lei Nº 571, de 13 de novembro de 2019, aprovada pela Câmara Municipal de São Félix do Xingu.

A inciativa de cooficializar a língua Mebêngôkre surgiu entre alunos — parte deles já agora ex-alunos — das três primeiras turmas do Mestrado Profissional em Linguística e Línguas Indígenas/PROFLLIND, do Museu Nacional da UFRJ. Como assinalou a Prof. Marília Facó (comunicação pessoal por email),  o PROFLLIND  é um programa de pós-graduação com “um vínculo direto com a Educação Básica, tendo em vista a proveniência de seu alunado, constituído majoritariamente de professores atuantes em diferentes pontos do país, sobretudo professores indígenas“. 

Projeto de Lei (PL), se aprovado, facilitará a iniciativa de cooficialização  para outras línguas autóctones 

Iniciativas semelhantes podem vir a  ser facilitadas na medida em que o  PL 3074/19, proposto pelo Deputado Federal  Dagoberto Nogueira Filho (PDT-MS), chegue com êxito  ao final da apreciação conclusiva por três comissões da Câmara dos Deputados.

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados já aprovou o Projeto de Lei em  10 de dezembro de 2019. A tramitação, ainda em curso, prevê como próximos passos a apreciação do PL pelas comissões de Cultura (CCULT), onde o PL está desde 12 de dezembro de 2019, e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).


 

CAMARA DO DEPUTADOS. PL 3074/2019 . https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2204433

DAMULAKIS, Gean. 2017.  Cooficialização de línguas no Brasil: características, desdobramentos e desafios . https://lefufrj.files.wordpress.com/2017/12/cooficializac3a7c3a3o-de-lc3adnguas-no-brasil-versc3a3o-ii.pdf 

INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL/ ISA. Povos Indígenas no Brasil. Mebêngôkre (Kayapó). https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Meb%C3%AAng%C3%B4kre_(Kayap%C3%B3)

 

 

 

 

 

 

UFRJ: nota sobre reajuste de calendário acadêmico

Na página https://ufrj.br/noticia/2020/03/19/coronavirus-nota-sobre-reajuste-de-calendario-academico

Coronavírus: nota sobre reajuste de calendário acadêmico

A Pró-Reitoria de Graduação (PR-1) e a Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2) informam que, em virtude da suspensão de todas as atividades acadêmicas em decorrência da COVID-19, o calendário acadêmico precisará ser  reajustado.

Assim que recebermos a recomendação de retorno das atividades acadêmicas, divulgaremos o novo calendário, pontuando a reposição do conteúdo programático das disciplinas.

Ressaltamos que todos os esforços serão realizados para a manutenção da excelência acadêmica, respeitando sempre as especificidades de cada curso, a relação entre professores e alunos e a pluralidade da UFRJ.

19/3/2020
Pró-Reitoria de Graduação
Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa


 

Repositórios mantidos pelo COS em risco; surge o servidor de preprints da Scielo

 

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A mensagem em exibição na página inicial do MarXiv, um repositório de preprints mais focado em questões ambientais, causou surpresa: “Submissions for Marxiv are now closed. Existing preprints will be maintained by COS as part of the long-term data preservation plan”.  Logo abaixo a informação de que o MarXiv é “Powered by OSF Preprints“.

OSF é a sigla para Open Science Framework, a infraestrutura de software desenvolvida e mantida pela empresa Center for Open Science (COS), que disponibiliza entre várias ferramentas a OSF Preprints.

A explicação para se entender o aviso na home page do MarXiv pôde ser lida alguns dias depois numa  nota no Nature Briefing: que repositórios de preprints bem conhecidos, hospedados pela Center for Open Science (COS) correm risco de fechar em decorrência de problemas financeiros.

Quem paga?

Para o COS, os custos com a parte voltada para preprints chegarão em 2020 a US$230.000 e o dinheiro das fundações privadas neste ano não será suficiente para manter a plataforma do COS.  Para os repositórios/servidores no COS,  em geral gerenciados por trabalho voluntário, passa a valer em 2020 o pagamento de uma taxa anual que pode alcançar alguns milhares de dólares norte-americanos. A taxa básica anual de 1000 dólares  não é fixa: aumenta à medida em que aumentam as submissões ao repositório. Cerca de 6000 submissões correspondem a uma taxa de cerca de US$25.000. Com mais de 16.500 submissões anuais, o INA-Rxiv , por exemplo, promete limitar o número de submissões para diminuir os custos.

Num outro cenário…

Por outro lado, em 28 de fevereiro último, a Scielo anunciou o lançamento   da versão beta do Open Preprint Systems (OPS),  armado com as especificações e financiamento inicial do SciELO, juntamente com um financiamento generoso de um doador da Universidade de Stanford” (PUBLIC KNOWLEDGE PROJECT, 2020). A  operação regular teve início em junho de 2020: https://preprints.scielo.org/index.php/scielo 

Preprints e arquivos de dados de pesquisa relacionados a artigos publicados pelos periódicos SciELO podem residir em qualquer um dos servidores de preprints confiáveis e reconhecidos, e nos repositórios de dados de pesquisa. O SciELO também operará um repositório central de dados de pesquisa e um Servidor Central de Preprints, com as possibilidades de que as coleções da Rede SciELO operem seus próprios Servidores de Preprints e repositório de dados. (PACKER & MENDONÇA, 2020)


Mais sobre preprints neste Blog?


 Mallapaty, Smriti. Popular preprint servers face closure because of money troubles. Nature News, 13Fev2020. https://www.nature.com/articles/d41586-020-00363-3?utm_source=Nature+Briefing&utm_campaign=a5478813af-briefing-dy-20200213&utm_medium=email&utm_term=0_c9dfd39373-a5478813af-44329949

PACKER, A.L. & MENDONÇA, A. A via para os preprints (Parte 2): O Servidor de Preprints do SciELO [Publicado originalmente no site do PKP em março/2020] [online]. SciELO em Perspectiva, 2020 . Available from: https://blog.scielo.org/blog/2020/03/09/a-via-para-os-preprints-parte-2/

PUBLIC KNOWLEDGE PROJECT. A via para os preprints (Parte 1): Introdução ao Open Preprint Systems [Publicado originalmente no site do PKP em fevereiro/2020] [online]. SciELO em Perspectiva, 2020 . Available from: https://blog.scielo.org/blog/2020/03/03/a-rota-para-os-preprints-parte-1/

 

Na UFRJ, aulas suspensas a partir desta segunda-feira, 16 de março de 2020; em vigor as determinações das “Diretrizes”

Tempo de leitura: 2 min

Dois dias após a publicação das DIRETRIZES DE CONTINGÊNCIA DA COVID-19 NO ÂMBITO DA UFRJ, de a Organização Mundial de Saúde classificar a COVID-19 como pandemia, a que se somou o agravamento da situação no Rio de Janeiro,  a Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro  determinou nesta sexta-feira 13:

“1) A suspensão das aulas presenciais da educação básica, graduação e pós-graduação, em todos os campi da UFRJ, por 15 dias, a partir da segunda-feira (16/3), sujeita à reavaliação ao final do período.

Recomendamos a permanência dos discentes em seus domicílios, mantendo distanciamento social. Ressaltamos o maior risco de contágio em aglomerações de qualquer natureza.

2) A manutenção do funcionamento normal das unidades hospitalares da UFRJ.

3) A continuidade das atividades administrativas na Administração Central e demais instâncias acadêmicas, conforme orientação dos respectivos dirigentes.

Em relação à manutenção das atividades administrativas, assistenciais e de pesquisa, é preciso salientar o cuidado com servidores e discentes que apresentem sintomas de gripe ou resfriado. Nessa hipótese, eles devem entrar em quarentena produtiva (14 dias) e procurar atendimento médico caso ocorra agravamento do quadro respiratório. A Reitoria ressalta que, no momento, é importante diminuir o número de pessoas que trabalham em um mesmo ambiente, utilizando sistemas de revezamento e trabalho remoto, quando possível.

4) A continuidade de bancas de monografia, dissertação e tese, que podem ocorrer, excepcionalmente, de maneira remota.

5) A manutenção, sempre que possível, das atividades acadêmicas iniciadas, valendo-se do regime domiciliar especial. Em breve, serão dadas instruções sobre uso de aplicativos com essa finalidade.

6) Manutenção das atividades de pesquisa.


UFRJ. 11Mar2020. DIRETRIZES DE CONTINGÊNCIA DA COVID-19 NO ÂMBITO DA UFRJ. https://ufrj.br/sites/default/files/documentos/2020/03/diretrizes_covid.pdf

UFRJ. 13Mar2020. UFRJ suspende aulas por 15 dias, a partir do dia 16/3. https://ufrj.br/noticia/2020/03/13/ufrj-suspende-aulas-por-15-dias-partir-do-dia-163

Foto: O Dept. de Linguística e Filologia vazio.
Autor: Maria Carlota Rosa

 

Texto adicionado:Carta Circular nº 110-SEI/2017-CONEP/SECNS/MS

O CEP-HU da UFRJ solicita a divulgação da carta circular “Sobre o preenchimento da Plataforma Brasil (versão atual) em pesquisas com metodologias próprias das áreas de Ciências Humanas e Sociais” .

O texto pode ser lido na aba “Boas práticas em pesquisa” neste site.

E as férias? (Que férias?!)

Tempo de leitura: 3 min
Foto: Vista da Prainha, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, 
em abril de 2011. Autor: Maria Carlota Rosa.

Ficaram para trás os tempos em que o chato das férias era escrever de 20 a 30 linhas sobre “Minhas Férias” … na volta às aulas. Mais velhos, nas férias havia tempo para ver filmes, ler romances, ir ao teatro  — sem ter de escrever um trabalho acadêmico sobre cada obra. Já nos tempos de streaming, 10 horas seguidas daquela série fantástica (Ops! Binge-watching faz mal!).

Também ficaram para trás os fins de semana sem qualquer conexão com o trabalho, apesar do cansaço acumulado na semana de trabalho, cujos dias começam cada vez mais cedo (vale lembrar que ainda se soma à quantidade de tarefas o trânsito caótico) e ultrapassam em muito a meia-noite — basta atentar para os horários de envio de muitas das  mensagens de trabalho que chegam às nossas caixas postais virtuais.

E qual o resultado disso?

Há 17 anos o professor do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/IBqM) Leopoldo de Meis (1938-2014) e colegas tentavam responder a essa pergunta com dados sobre ensino e pesquisa no  país, focalizando as consequências desse estado de coisas num departamento da UFRJ. Entrevistas com pós-graduandos, pós-doutores e professores sobre as condições de trabalho resultaram em The growing competition in Brazilian science: rites of passage, stress and burnout. síndrome de burnout  começava a ser uma conhecida no nosso meio acadêmico. A UFRJ estaria também em Burnout e fatores associados em docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro  (2016). Em Prevalência e fatores de risco do burnout nos docentes universitários (2018) , Lima Filha & Morais traçariam uma revisão sistemática da literatura sobre o tema.

O dia que precisa de ter mais de 24 horas

Em dezembro de 2019 The BMJ (The British Medical Journal) publicou o resultado de uma pesquisa cujo título reflete uma realidade que soa familiar para quem vivencia o mundo acadêmico atual: Working 9 to 5, not the way to make an academic living: observational analysis of manuscript and peer review submissions over time    [‘Trabalhar de 9 às 5 não é a maneira de fazer uma vida acadêmica: análise observacional das submissões de manuscritos e revisão por pares ao longo do tempo‘]. A análise de Barnett, Mewburn & Schroter teve como corpus 49.464 submissões de manuscritos e de 76.678 peer reviews (contada a primeira submissão apenas) enviadas por meio de uma plataforma online a dois importantes periódicos da área médica (a própria The BMJ  e The BMJ Open)  ao longo de 2.651 dias, isto é, de 1º de janeiro de  2012 a 5 de abril de 2019. Ou seja: apenas uma pequena fração das tarefas do cotidiano e num universo bem restrito.

O estudo revela diferentes culturas em diferentes países: China e Japão tiveram as maiores probabilidades de submissão de manuscritos e peer reviews já na madrugada. Embora bem abaixo desses índices, o Brasil aparece com alta probabilidade perto da meia-noite. Por outro lado, para a Dinamarca a chance maior é de que a submissão se faça em meio ao expediente.

Ansiedade e depressão: comuns entre pesquisadores 

A preocupação com o quadro de exaustão entre pesquisadores fez com que a Scielo divulgasse a solicitação para que pesquisadores respondessem a uma pesquisa organizada pela Editage Insights sobre como se sentem no ambiente de trabalho. Quem quiser participar:

 

Scielo - Cactus

 

A chamada para a pesquisa aponta para a probabilidade seis vezes maior de pesquisadores  apresentarem quadro de ansiedade e depressão do que o restante da população.


Barnett, Adrian; Mewburn, Inger & Schroter, Sara. 2019. Working 9 to 5, not the way to make an academic living: observational analysis of manuscript and peer review
submissions over time. BMJ 2019;367:l6460 . doi: https://doi.org/10.1136/bmj.l6460

Borges, Rosimar Souza &  Lauxen, Iarani Galucio. 2016. Burnout e fatores associados em docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Saúde em Redes, 2 (1): 97-116. https://doi.org/10.18310/2446-4813.2016v2n1p97-116

De Meis, Leopoldo; Velloso, A.; Lannes, D.; Carmo, M.S. & de Meis, C. 2003. The growing competition in Brazilian science: rites of passage, stress and burnout. Brazilian Journal of Medical and Biological Research, 36(9), 1135-1141.  https://dx.doi.org/10.1590/S0100-879X2003000900001

Lima Filha, Cleide do Nascimento Monteiro Borges &  Morais, André Novais. 2018. Prevalência e fatores de risco do burnout nos docentes universitários. Revista Contemporânea de Educação, 13 (27): 453-471.  maio/ago. 2018.
https://doi.org/10.20500/rce.v13i26.12277

 

 

 

 

 

A UFRJ faz 100 anos!

Tempo de leitura: 1 min

 

Criada pelo Decreto nº 14.343, de 7 de setembro de 1920, com o nome de Universidade do Rio de Janeiro, a jovem universidade brasileira constituía-se pela reunião da Faculdade de Medicina (criada em 1808 como Escola de Anatomia, Medicina e Cirurgia), da Escola Politécnica (criada em 1792 como Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho)  e da Faculdade de Direito (resultante da fusão da Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro e a da Faculdade Livre de Direito).

UFRJ - fundacao

 

A Lei nº 452, de 5 de julho de 1937 reorganizou a instituição e mudou sua denominação para Universidade do Brasil.

A atual denominação lhe foi conferida pela Lei nº 4.831, de 5 de novembro de 1965.

Vai começar o ano letivo 2020: atenção às datas dos calendários da UFRJ

Tempo de Leitura: 1 min

Perto do final de cada ano letivo o Conselho Universitário/ CONSUNI aprova e divulga sob a forma de uma Resolução o calendário acadêmico da UFRJ para o ano letivo subsequente.  O calendário da UFRJ para 2020 (que informa, por exemplo, o início e o fim dos períodos letivos, feriados, SIAC…) está  na Resolução CONSUNI nº 24/2019.

Com base nesse calendário mais geral é que os atos acadêmicos para os cursos de Graduação e de Pós-Graduação stricto sensu (Mestrado e Doutorado) são determinados nos respectivos conselhos acadêmicos superiores da UFRJ, a saber, o Conselho de Ensino de Graduação/ CEG e o Conselho de Ensino para Graduados/ CEPG.

Os atos acadêmicos da Graduação (como trancamento, inscrição em disciplinas…) para 2020 estão na Resolução  CEG nº 2/2019.

Já o calendário da Pós-Graduação é aprovado pelo CEPG em três diferentes modalidades, que levam em conta o número de períodos letivos no ano — dois ou quatro.  Para o primeiro caso vale o calendário semestral; para os alunos dos cursos organizados em quatro períodos letivos, o calendário pode ser bimestral ou trimestral.

A modalidade semestral  é aquela adotada na Faculdade de Letras. Para consultar o calendário semestral 2020 da Pós-Graduação stricto sensu, clique aqui; ou clique em outro calendário segundo  seu interesse: bimestral ou trimestral.

 

A Linguística brasileira de luto: morre a Professora Miriam Lemle

 

É com grande tristeza que recebemos hoje cedo  a notícia do falecimento da Prof. Miriam Lemle.  O sepultamento será  hoje, 12 de fevereiro de 2020, no Cemitério Comunal Israelita do Caju, no Rio de Janeiro às 15 horas.

Apesar de aposentada, a Prof. Miriam Lemle continuava ativa na nossa pós-graduação.

Uma vida dedicada à Linguística

Em 1962, três anos depois de se graduar em Letras Neolatinas naquela que atualmente é a UFRJ, e ainda como estagiária no Museu Nacional (Rio de Janeiro), a Professora Miriam Lemle começava seu percurso na Linguística. Nesse momento, a Linguística constituía-se ainda numa novidade no Brasil. O Professor Joaquim Mattoso Camara Jr. lecionara essa disciplina em 1938 na Escola de Filosofia e Letras da antiga Universidade do Distrito Federal (UDF),  extinta por decreto-lei em 1939 e seus alunos transferidos para a Faculdade Nacional de Filosofia, Ciências e Letras (FNF), parte da nova Universidade do Brasil. O currículo de Letras da FNF, que incluiu três diferentes cursos, a saber, Letras Clássicas, Letras Neolatinas e Letras Anglo-Germânicas, não incluiu a Linguística em nenhum deles. Somente em 1948 Câmara Jr. seria convidado a lecionar Linguística, mas apenas para Letras Clássicas. Até o final da década de 1950 esse seria o único curso do Brasil em que havia ensino regular de Linguística.

Por outro lado, no Departamento de Antropologia do Museu Nacional começava a formar-se em torno de Camara Jr. um grupo de jovens pesquisadores. É aí que vamos encontrar a jovem Miriam Lemle em 1962.

Seis anos mais tarde, já Mestre em Linguística pela Universidade da Pensilvânia (EUA), a Professora Miriam Lemle participaria da criação da primeira pós-graduação em Linguística do País, inicialmente no Museu Nacional, mas logo transferida para a Faculdade de Letras da UFRJ: o mestrado e o doutorado em Teoria Linguística, credenciados ambos pelo Parecer CESu 573/70, de 07 de agosto de 1970. Consequentemente, seu nome ficaria ligado à criação e expansão de uma área de conhecimento no Brasil, porque ela teria parte na formação dos professores que, oriundos de diferentes regiões do País, iam estudar essa nova área na UFRJ.

O doutoramento na UFRJ, numa Linguística já consolidada no Brasil como área de conhecimento, viria bem mais tarde, em 1980. A demora na titulação refletia o consenso da época de que o Doutorado não era a condição indispensável para o início de uma carreira acadêmica, mas uma forma de reconhecimento da maturidade acadêmica.

Em fevereiro de 1982 a Professora Miriam Lemle consolidava sua participação nas atividades da Faculdade de Letras da UFRJ ao transferir-se formalmente do Setor de Linguística do Departamento de Antropologia do Museu Nacional para o Departamento de Linguística e Filologia da Faculdade de Letras. Com isso ganhava peso e regularidade seu envolvimento com a graduação.

Esse envolvimento não ficaria restrito à Faculdade de Letras, uma vez que 12 anos mais tarde ela estaria entre os professores do Departamento de Linguística e Filologia que passariam a atuar concomitantemente na Faculdade de Medicina, no então recém-criado curso de Fonoaudiologia da UFRJ.

Coordenou o Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFRJ em 1983-1984, e manteve-se como Vice-Coordenadora até 1986. Em 1985, bolsista Fulbright, faria pós-doutorado no Massachusetts Institute of Technology (EUA). Nessa época, já reconhecida no País como uma figura catalisadora da pesquisa em gramática gerativa, a Professora Miriam Lemle estreitaria seu contacto com o Professor Noam Chomsky, idealizador dessa teoria.

Em 1987 seria eleita para a presidência da Associação Brasileira de Linguística (Abralin) para o período 1987-1989. Atuaria ainda como Substituto Eventual do Chefe de Departamento de Linguística e Filologia da UFRJ em 1993. A partir de  1991 manteve-se como membro da Comissão de Convênios da Faculdade de Letras e, a partir de 1994, quando se tornou Professor Titular, passou a membro nato da Congregação da Faculdade de Letras.  Ministrou cursos de extensão quer na Faculdade de Letras, quer no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ.

Aos muitos encontros de gramática gerativa que organizou na década de 1990, com professores renomados internacionalmente, como, por exemplo, Yosef Grodzinsky, Stephen R. Anderson, Juan Uriagereka, Massimo Piatelli-Palmarini, Michel Degraff  e o próprio Noam Chomsky, acorriam linguistas de todo o Brasil. Seu interesse pela gramática gerativa a conduziria para a Neurociência, no final da década 1990, quando no Brasil essa área não incluía a Linguística, nem a Linguística reconhecia a Neurociência.

Em 22 de maio de 2007, o Departamento de Linguística e Filologia da UFRJ decidiu unanimemente solicitar a concessão do título Professor Emérito para a Professora Miriam Lemle, que se aposentaria em dezembro desse ano, ao completar 70 anos.

Participava atualmente do Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFRJ  na linha de pesquisa “Gramática na Teoria Gerativa”,  coordenava desde 2003 o Laboratório Clipsen (Computações Linguísticas: Psicolinguística e Neurofisiologia).

O texto acima foi minha colaboração para a Wikipedia 
para o artigo "Miriam Lemle".

Um periódico que estimula a pesquisa científica de crianças e jovens

Um artigo de Bec Crew para o Nature Index em 17 de dezembro passado tem o instigante título Peer-review for six-year-olds . E chama a atenção para o Canadian Science Fair Journal, periódico que publica trabalhos científicos de crianças a partir de seis anos, ainda no segundo ano. O periódico foi criado em 2017 por Dayre McNally, intensivista pediátrico do Children’s Hospital of Eastern Ontario e professor na Universidade de Ottawa. O trabalho submetido não pode ter sido publicado anteriormente e cada submissão é acompanhada  da declaração a seguir:

CSFJ - originalidade

 

Cada criança  trabalha com um editor da área do trabalho submetido (Engenharia e Fisica, Química, Comportamento/ Fisiologia, Biologia e Bioquímica, Ciências Ambientais, Ciências da Computação) até o artigo ser publicável — o que seria uma “revisão por pares colaborativa”. O número atual, por exemplo, traz os seguintes títulos:

Preenchendo o Lattes pela primeira vez: o que incluir na formação acadêmica?

O preenchimento inicial do Currículo Lattes vem, em geral, na sequência de uma candidatura a um projeto de Iniciação Científica, de Extensão ou a uma vaga de Monitoria; portanto, preenchido por alguém que está na graduação.

E invariavelmente vem a pergunta acerca da necessidade de incluir na tela Formação Acadêmica os cursos Fundamental e Médio. É possível incluí-los? É. Lá estão listadas essas possibilidades.

Lattes -formacao

 

Para decidir sobre a inclusão ou desistir dela vale levar em conta pelo menos dois aspectos: a) que o Lattes é um currículo para o mundo acadêmico; e b) perguntar-se o que essa informação agrega na superação de outros currículos que também estejam concorrendo à mesma vaga.

 

Mudou o acesso remoto ao Portal de Periódicos da CAPES (e a outros serviços)

 

Com  a entrada da Universidade Federal do Rio de Janeiro na  Comunidade Acadêmica Federada (CAFe) da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), é outro agora o modo de ter acesso ao Portal de Periódicos CAPES para professores, alunos, pesquisadores e técnicos.

Antes bastava entrar na intranet e clicar em PROXY. Agora não, e é necessário fornecer um email institucional. Os novos passos são os seguintes: entrar na intranet ufrj e, quando aparecer a imagem EduRoam , clicar nela.

Roam Sibi

A seguir surgirá a página EduRoam e o pedido de atualização de email  (tem de ser um email institucional) com um”clique aqui“. Tudo certo, vem a mensagem de que houve sucesso e um pedido de “ok”.

Aí, para ter acesso ao Portal de Periódicos, é necessário entrar no Proxy, ir para Periódicos CAPES e na barra superior marcar o “Acesso CAFE“.

O SIBi-UFRJ fez um tutorial bem explicadinho: https://tinyurl.com/tutorialUFRJCAFe

 

Ser citado numa tese vale menos que num artigo?

Imagem "Citation_needed" by Dawihi  is licensed 
under CC PDM 1.0 

Quase na mesma data em que a Web of Science divulga sua lista dos pesquisadores mais citados em 2019 (Highly Cited Researchers – 2019), chamou minha atenção um trecho num artigo de Ernesto Spinak no último boletim Scielo em Perspectiva, sobre a avaliação do impacto de pesquisas com base nas citações no Google Acadêmico (GA), na Web of Science (WoS) e na Scopus. O texto de Spinak reporta pesquisa que demonstra que,  quantitativamente, o GA ultrapassa as duas outras bases:

a simples evidência numérica constatou que o GA tem consistentemente o maior percentual de citações em todas as áreas (93%  96%), bem à frente do Scopus (35% – 77%) e do WoS (27% – 73%). O GA encontrou quase todas as citações do WoS (95%) e do Scopus (92%). A maioria das citações encontradas apenas pelo GA vem de fontes não pertencentes a periódicos (48% – 65%), incluindo teses, livros, documentos de conferências e materiais não publicados. Muitos documentos não estavam em inglês (19% – 38%) e tendiam a ser muito menos citados do que fontes que também estavam no Scopus ou no WoS

Spinak termina seu artigo ressaltando que sua fonte contrapõe à quantidade a qualidade das citações:

Tomados em conjunto, estes resultados sugerem cautela se o GA for usado em vez do WoS ou do Scopus para avaliação de citações. Sem evidência, não se pode presumir que as contagens mais altas de citações do GA serão sempre mais altas que as do WoS e do Scopus, pois é possível que a inclusão de documentos de qualidade mais baixa reduza o grau em que as contagens de citações reflitam o impacto acadêmico Por exemplo, algumas das citações de dissertações de mestrado podem refletir o impacto educacional. Portanto, dependendo do tipo de avaliação a ser realizada, pode ser necessário remover certos tipos de documentos de citações da contagem de citações, conforme sugerido por Prins, et al. (2016)

Retirem-se do cômputo as autocitações (já falamos disso anteriormente, em Posso citar a mim mesm@?; As citações por outro ângulo: o da ética). Mas  qual o problema se a citação surge numa dissertação ou tese? O problema seria porque  há poucas chances de esses trabalhos serem muito citados, diferentemente dos artigos publicados em revistas de luxo? Mas há quem afirme  que 90% dos artigos publicados em periódicos acadêmicos nunca são citados (Maho, 2007). Textos muito  usados em cursos de pós-graduação certamente são citados nas teses e dissertações daqueles que representam o futuro da pesquisa. Isso não deveria contar?


SPINAK, E. Google Acadêmico, Web of Science ou Scopus, qual nos dá melhor cobertura de indexação? [online]. SciELO em Perspectiva, 2019 . Available from: https://blog.scielo.org/blog/2019/11/27/google-academico-web-of-science-ou-scopus-qual-nos-da-melhor-cobertura-de-indexacao/

Uma notícia triste: morre Bartolomeu Meliá, S. J. (1932-2019)

Foto:Wikimedia Commons Bartomeu Meliá (2011).jpg

 

O linguista e antropólogo jesuíta Bartolomeu Meliá, reconhecido por seu trabalho sobre os povos guarani, faleceu nesta sexta-feira 06 de dezembro de 2019 em Assunção, no Paraguai, país em que residia desde 1954.

Quando organizávamos Políticas de línguas do Novo Mundo (Rio de Janeiro: EdUERJ, 2012) Consuelo Alfaro, José Ribamar Bessa Freire e eu ficamos muito felizes quando o Prof. Meliá aceitou não só escrever uma apresentação do livro (“Escutar, aprender, dizer”) mas ainda escrever um capítulo (“De la introducción al Tesoro de la lengua guaraní, de Antonio Ruiz de Montoya”) para o livro.  Agora sua voz se cala.

A notícia do falecimento está em Jesuitas Paraguay. O site Etnolinguística reúne alguns trabalhos de Bartolomeu Meliá.

 

 

Um aplicativo que faz o dever de casa?

Fui apresentada ao Socratic  da Google. Minha colega estava encantada com a ajuda que esse aplicativo oferece aos estudantes. Baixei o Socratic para ver qual seria a minha impressão.

O funcionamento é simples: o aplicativo permite fotografar uma pergunta ou fazê-la em voz alta, clica-se em “pesquisar”  e ele fornece a resposta quase imediatamente. Pode lidar com conteúdos de Álgebra, Geometria, Trigonometria, Biologia, Química, Física, História e Literatura. Realmente essa parte — isto é, a constatação do desenvolvimento tecnológico acessível num num aparelho de celular —  encanta.

Fiz a primeira tentativa de teste com um exercício de Álgebra. A resposta veio como uma linda cola. Uma cola bem explicadinha. Ainda apareceu um “100” sobre a tela final. O segundo teste foi um pedido de demonstração matemática. O aplicativo jogou-me para uma pesquisa no próprio Google.

Tentei questões de uma prova minha antiga, dissertativa. O resultado não pareceu muito diferente de uma pesquisa no Google com uma palavra chave. Alguém reclamava na internet de que o aplicativo não dava respostas para  questão que contivesse texto.

A vantagem apresentada — a resposta de um problema e como se chegou a ela — pode ser uma ferramenta interessante para um bom aluno ou para um autodidata que se vê diante de um obstáculo que não consegue ultrapassar. A mesma vantagem pode ter um lado negativo: um aluno que recebe uma tarefa para casa pode tornar o aplicativo um recurso para copiar respostas. Nesta situação o aplicativo se torna uma versão sofisticada dos livros didáticos que trazem as respostas dos exercícios lá nas páginas finais.

Banca com participação por videoconferência: como fica a ata?

A UFRJ  publicou este mes de novembro uma resolução que permite àquele que preside uma banca examinadora de mestrado ou de doutorado assinar a ata da defesa pelo membro ou membros da banca cuja participação tenha sido por videoconferência, dispondo que

O presidente da banca poderá assinar a ata da defesa em nome dos membros da banca que participarem por videoconferência. Neste caso, a ata deve mencionar sua participação por videoconferência ao lado do nome do membro da banca.

Essa e outras alterações estão na Resolução CEPG nº 03/2019, de 01 de novembro de 2019.

Apresentei um pôster (snif, snif?)

Depois da emoção de explicar o trabalho para gente que se mostrou interessada por ele num encontro acadêmico na área, o pôster pode ir para o cv-lattes. Pode ser colocado em “Apresentação de trabalho”, mas … ops! Não tem nada para pôster no lattes! Sobra um mísero “Outra” para incluir essa produção.

Ao desencantamento com o lattes se junta a inacessibilidade do trabalho que se segue à participação no evento. Então quem não foi ao congresso ou perdeu o dia do pôster não vai poder ver aquele trabalho tão legal que custou tão caro por causa da plotagem?

Existe uma possibilidade que vem sendo pouco explorada: fazer uma versão digital com resumo e palavras chaves e solicitar sua inclusão no repositório institucional. Na UFRJ esse repositório é o Pantheon. Num  mundo cada vez mais digital não faz sentido deixar um trabalho ser acessível por apenas um dia. Afinal, se era para esconder o trabalho não se faria uma apresentação num congresso.

É quase verão na Letras

Fotos: Maria Carlota Rosa
2019-10-31 Vista do DLF
A jaqueira que fica em frente ao Dept. de Linguística e Filologia (e também Letras Clássicas, Orientais e Eslavas) está magnífica.

 

20191112_091314

2019-11-12 Estátua

 

O pátio do café20191112_091017

O pátio entre os blocos D e F

2019-10-31 Vista de baixo do corredor do DLF.jpg
A jaqueira vista do térreo do bloco D (com alguém descansando perigosamente embaixo dela).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

UFRJ/Departamento de Linguística e Filologia – Monitoria-2020

Departamento de Linguística e Filologia – Seleção para a Monitoria-2020 : 


Inscrições online:de 13 de novembro a 06 de dezembro de 2019
 bit.ly/monitoriadlf2020
Prova:
10 de dezembro de 2019, de 14h às 16h 
Auditórios E-2 e E-3 da Faculdade de Letras
 

Mais informações: https://lefufrj.wordpress.com/2019/11/13/selecao-para-monitores-do-departamento-de-linguistica-e-filologia-ano-2020/

 

Imagem: A jaqueira em frente ao Dept. de Linguística e Filologia
Autor: Maria Carlota Rosa, em 31Out2019

 

Lattes e ORCID

Em 2016 a plataforma para preenchimento do currículo Lattes passou a permitir a inclusão da identificação ORCID/ Open Researcher Identifier (Identificador Aberto para Pesquisadores), embora a inclusão do número na página do Lattes não remetesse para a página no ORCID.

Em maio de 2018 a inclusão desse identificador no Lattes se tornou impossível: não se conseguia validar o número e surgia a mensagem “Não foi possível verificar o identificador ORCID. Tente mais tarde” .

Agora é novamente possível fazer a inclusão do identificador e, ao clicar nele, abre-se a página de autor no ORCID. Para conseguir essa ligação:

  1. Fazer um registo  ORCID: https://orcid.org/register.
  2. Entrar na página da Plataforma Lattes do CNPq: http://lattes.cnpq.br/;
  3. Entrar em “Atualizar currículo”;
  4. Entrar em “Dados Gerais”/”Identificação”/ “Outros Identificadores” e inserir o número.

 

 

Em 2020-1

 

 

30 anos depois da publicação de Linguística Cartesiana, Chomsky explicava na USP que havia dois modos de entender o título da obra, desse modo ainda ecoando a repercussão negativa de parte da crítica. A publicação de Linguística Cartesiana fomentou, porém, o debate acerca de o que entender por Historiografia da Linguística. Esse será o tema da minha disciplina LEF856 (Doutorado) O que é Historiografia da Linguística? Em torno da “Linguística Cartesiana”  no primeiro semestre de 2020.

Com acesso aberto, estabilidade, revisão por pares e sem APCs: os “wiki-periódicos”

Imagem: 
File:WikiJournal of Science publishing pipeline (wiki first).svg  
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:WikiJournal_of_Science_publishing_pipeline_(wiki_first).svg

Sério: eu não sabia o que era “wiki”, embora soubesse da Wikipedia e da Wikicommons.  Na verdade nunca tinha pensado em “wiki” como algo diferente de uma marca, algo já registrado como propriedade intelectual. A Wikileaks atrapalhava esse entendimento, mas … Até que ontem me deparei com os wikijournals.

Afinal, que é ‘wiki’?

Dei um Google (ou teria googlado?) e encontrei a resposta num artigo de Sérgio Rodrigues publicado na revista  Veja em 2012:

No mundo da computação, wiki passou a ser usado como nome genérico de websites colaborativos, ou seja, aqueles cujo conteúdo pode ser modificado pelo usuário. O termo foi criado em 1994 pelo programador americano Ward Cunningham, que desenvolveu o primeiro software wiki e o batizou de WikiWikiWeb. Note-se que as iniciais dialogam com o www de world wide web (rede mundial de computadores), mas Cunningham garante que sua inspiração foi mais prosaica: limitou-se a copiar o nome dos ônibus expressos do aeroporto de Honolulu, Wiki-Wiki, uma expressão regional havaiana que significa “rapidinho”. 

Depois descobri um longo artigo “Wiki” na própria Wikipedia, com um enorme histórico de modificações desde 2003.

Os periódicos wiki

Os períódicos wiki surgem em integração com a Wikipedia com o objetivo explícito de aumentar “the accuracy of the encyclopedia, and rewards authors with citable, indexed publications with much greater reach than traditional scholarly publishing”  (WikiJournal User Group). No momento há quatro títulos: WikiJournal of Humanities;  WikiJournal of Medicine; WikiJournal of Science; WikiJournal Preprints

Wikigroup

A imagem em destaque é de  Mikael Häggström 
(Own work, based on:From Pixabay, Public Domain.,CC BY 4.0, 
https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=49038393. 
Está descrita como "a lightbulb, symbolizing the creation of ideas 
latitude and longitude stripes around the lightbulb, 
symbolizing a global scope".

Um exemplo extraído do periódico voltado para a área de Humanas é o longo artigo  A grammatical overview of Yolmo (Tibeto-Burman), em que  Lauren Gawne (Dept, de Línguas e Linguística, Universidade La Trobe, Austrália) é o autor (mas  o  et alii nos lembra que o material é, por definição, colaborativo). Pode ser lido no formato já conhecido do material da Wikipedia ou em pdf.

A iniciativa é mais um passo na integração da Wikipedia com a educação. Uma visão de como essa  integração já ganhou terreno de 2001 a 2016 pode ser lida em 15 years of Wikipedia and education.


 

 

 

 

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No Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ, palestra “Direitos Autorais, Pesquisa e Inovação”

 

Direitos Autorais, Pesquisa e Inovação 
com o Prof. Sean Flynn, 
da American University Washington College of Law
Data:  1 de novembro de 2019, sexta-feira, às 15h 
Local: Colégio Brasileiro de Altos Estudos/CBAE-UFRJ 
Av. Rui Barbosa, 762 - Flamengo

http://cbae.ufrj.br/index.php/eventos/proximos-eventos/236-20191101

“Os Tratados Internacionais de Direitos Autorais criam um conjunto de padrões obrigatórios que estão sujeitos a limitações e exceções para permitir diversos usos essenciais à pesquisa e educação, bem como para criar um ambiente de inovação sustentável. As ferramentas modernas de pesquisa de mineração de textos e dados apresentam oportunidades para expandir radicalmente o que podemos saber sobre o mundo ao nosso redor. Mas o uso destas tecnologias permanece ilegal sob as regras de direitos autorais em vigor em grande parte do mundo atualmente.

O Professor Sean Flynn abordará as oportunidades e desafios de reformar a Lei de Direitos Autorais para permitir as promessas da pesquisa digital hoje. Sua apresentação incluirá o exame do potencial de reforma do sistema internacional de direitos autorais para reconhecer um conjunto de direitos de acesso ao conhecimento e à informação, incluindo direitos de uso de materiais protegidos por direitos autorais para pesquisa, educação, preservação cultural por bibliotecas, museus e arquivos, bem como para a promoção da inovação.

A mediação será feita pelo Prof. Dr. Allan Rocha de Souza (PPED/UFRJ – UFRRJ/ITR – INCT Proprietas).

O evento é aberto ao público e não necessita de inscrição prévia.

Endereço: Av. Rui Barbosa, 762 – Flamengo”

 

Sobre livros, bibliotecas e usuários

Um colega chamou minha atenção para um artigo publicado este ano no jornal The Atlantic, com o título The Books of College Libraries Are Turning Into Wallpaperque apontava para o declínio da consulta e empréstimo de livros nas bibliotecas universitárias.  Segundo o artigo, para a última década, os números em Yale viram uma queda de 64%; na também prestigiosa Universidade da Virgínia no ano letivo 2007-2008 os estudantes de graduação consultaram 238 mil livros; em 2017-2018, 60 mil.

Os dados para as 45 bibliotecas da UFRJ estão abertos  para um período de tempo bem menor: 2017 e 2018. No tocante à Biblioteca José de Alencar da Faculdade de Letras, eles demonstram que  o movimento diminuiu não apenas para a graduação: em 2017, o movimento da biblioteca foi de 93.548 usuários; no ano seguinte de 2018, foi de 79.945. Mas a consulta e empréstimo de obras monográficas aumentou no período de 17.346 para 18.289, apesar de a biblioteca ter perdido quase 2000 m2 da sua área original e, no período, sua única cabine de estudos.

Ninguém  mais lê na graduação e na pós-graduação? Bom, muita coisa vem mudando, em especial nos últimos 50 anos. Em primeiro lugar, (basta comparar as referências — o tipo e a quantidade — para cada trabalho publicado, como assinalou Van Noorden para as Ciências Sociais) a ênfase nos artigos científicos mudou o foco dos usuários — da biblioteca para o Portal de Periódicos. Além disso, restrições orçamentárias severas têm depauperado o acervo das bibliotecas universitárias brasileiras de impressos e não impressos e dificultado melhorias no espaço físico, que, por sua vez, também acabam por afetar o acervo.


 

Cohen, Dan. 2019.  The Books of College Libraries Are Turning Into Wallpaper. The Atlantic, 26Maio2019. https://www.theatlantic.com/ideas/archive/2019/05/college-students-arent-checking-out-books/590305/

UFRJ/SiBI – Sistema de Bibliotecas e Informação. Panorama. http://www.sibi.ufrj.br/index.php

Van Noorden, Richard. 2017.  The science that’s never been cited. Nature Briefing, 13Dez2017. https://www.nature.com/articles/d41586-017-08404-0

 

 

 

Chegou o dia da defesa

As horas que antecedem a defesa da dissertação ou da tese são um misto de emoções, da alegria à ansiedade. Em geral tudo termina bem, mas vale a pena ter atenção a alguns detalhes.

  • A defesa é uma situação muito formal.

Pode-se medir a formalidade da situação pelo tempo de preparação para aquele momento e pela papelada para sua realização. Até tem ata!

Em algumas universidades de muitos séculos a formalidade chega ao vestuário, com normas sobre a vestimenta específica para esse ato: quem pode usar veste talar, beca, cinto, traje passeio… No Brasil não há normas determinando um vestuário específico. Em geral, a banca e o candidato ao grau estão um pouco mais arrumadinhos que nas aulas.

"Um pouco mais arrumadinhos" significa que não importa 
que neste Rio de Janeiro esteja a 43°: não é hora para shortinhos, 
bermudas, chinelos, camisa aberta. Não vai dar para mostrar 
a tatuagem? Certamente ninguém está lá por causa dela.
Nem é hora para aquele minivestido drapeado matador 
que ficou lindo (deixe esse para a comemoração).
  • Demonstre cortesia com a banca.

A banca precisa de tempo hábil para ler o trabalho. O exemplar da tese deve chegar a cada membro da banca, suplentes incluídos, cerca de um mes antes da defesa.

Apenas o exemplar, sem lembrancinhas que, certamente, 
causarão constrangimento e podem vir a ser mal interpretadas. 
  • A defesa é pública.

Em geral, respondem  à divulgação do evento com a presença outros pesquisadores do mesmo tema e colegas de pesquisa. Podem também assistir à defesa familiares e amigos. 

Na UFRJ a defesa fechada ao público, com cláusula de 
confidencialidade e sigilo é excepcional, 
podendo ser autorizada "mediante solicitação do orientador, 
acompanhada do acordo de todos os membros da banca, 
com aprovação da comissão deliberativa 
do programa de pós-graduação, 
da comissão de pós-graduação e pesquisa, se houver, 
da congregação ou colegiado equivalente 
e do conselho de coordenação do Centro Universitário" 
(Resolução CEPG 01/2006, Art. 56, par. único).
  • Não se atrase.

Chegue bem antes da hora marcada. Use o tempo para confirmar se a sala está liberada, se a aparelhagem está funcionando (em especial se parte dos membros participar  da banca por videoconferência). E para não ficar mais nervoso ainda.

  • Durante a espera…

À medida em que os membros da banca forem chegando, cumprimente cada um, mas nesse momento nenhum deles é “coleguinha”.

Certamente nenhum deles é parente do candidato.
Nem sócio. Nem qualquer membro da banca 
pode ser parente do orientador. Conflitos de interesse
não são bem vistos.

Nem pensar em distribuir presentes para a banca antes da defesa (na verdade, nem depois).

  • É indispensável ter em mãos uma cópia da dissertação ou tese durante a defesa.

Ela será necessária para responder à arguição e para anotar as passagens do texto que merecerem reparos da banca.

  • Vai começar. Celular desligado.

Atenção ao que está sendo dito. No correr da defesa  não confira se há novas mensagens no celular, nem tente postar selfies

  • E começou!

Em geral a defesa tem início com o presidente da banca (que pode ser o Orientador ou não — depende do regimento de programa de pós-graduação) dando início aos trabalhos. Nesse introito há a  apresentação dos componentes da banca, os agradecimentos a eles por terem aceitado participar da defesa e agradecimentos à presença dos demais.

Finda essa abertura, o presidente da banca passa a palavra ao candidato ao grau de mestre ou doutor para que faça uma apresentação do trabalho. A  duração dessa apresentação (e até se deve ou não haver uma apresentação) é estipulada pelas normas do programa de pós-graduação.

Terminada a apresentação, tem início a arguição. Cabe ao presidente da banca decidir a ordem dos arguidores. O arguidor escolhe se quer respostas a cada pergunta ou todas ao final das perguntas.

  • Quem pode ter uso da palavra.

No Brasil e em muitos países apenas a banca e o candidato têm direito à palavra, que  é concedida pelo presidente da banca. Os demais presentes, mesmo que especialistas na área, assistem em silêncio e não podem interromper a defesa. 

O candidato tem de deixar isso claro para seus convidados. 
O candidato está numa avaliação e não pode 
ter de se preocupar com o comportamento de outras pessoas.
Imagine que um convidado se levanta e começa a cantar  
em homenagem ao parente/amigo (posso garantir que é esquisito
para todos os presentes, mas, para o candidato é de perder o chão); 
ou pior: que um convidado resolve destratar os arguidores, 
porque demonstraram que não gostaram do trabalho. 

  • E acabou!

Após a leitura da ata pelo presidente com o resultado final, cumprimente todos os membros da banca e não saia para a comemoração antes de assinar todos os documentos necessários.

A regulamentação geral da UFRJ sobre a pós-graduação 
está na Resolução CEPG nº 01/2006. 
A Resolução CEPG nº 02/2015 introduziu a possibilidade 
de participação por videoconferência, mas com restrições.

Sugiro a leitura dos seguintes textos:

Enago Academy. 2019. Como Defender uma Dissertação/Tese. 16Jul2019. https://www.enago.com.br/academy/defender-dissertacao-tese/

Sgarbi, Adrian. 2013. O que não fazer em sua defesa de dissertação ou tesehttp://pesquisatec.com/new-blog/2013/9/2/o-que-no-fazer-em-sua-defesa-de-dissertao-ou-tese

Apresentando um trabalho num encontro da área

 

Trabalho aceito, tudo arrumado… E a apresentação? Se for a primeira vez nessa situação,  o nervosismo é a norma. Como não estragar tudo?  Algumas sugestões.

1.  Mantenha-se dentro do tempo estipulado para a apresentação. 20 minutos são 20 minutos, não meia hora. Nem pensar em pedir mais uns minutinhos ao coordenador da mesa para focalizar um importantíssimo ponto do trabalho. Para o coordenador da mesa, permitir tempos desiguais para os participantes criaria justificado mal-estar; para a organização do encontro,  um atraso numa sessão é uma dor de cabeça em cadeia.

2. O computador e o programa PowerPoint são aliados nessa hora. Ou não. Vejamos:

  • já pensou que o sistema operacional pode ser outro? Que o PowerPoint desconfigura no Linux? Uma segunda versão, em pdf, por exemplo, pode ajudar numa hora dessas;
  • não há necessidade de ilustrar os slides; caso isso seja feito, certifique-se de que não existem direitos sobre as imagens utilizadas;
  • tenha certeza de que está com  a versão correta do trabalho; de que,  perante uma plateia, não terá de vasculhar todas as pastas do computador ou do pendrive para descobrir onde ficou a versão revisada para a apresentação;
  • se precisar de reprodução sonora, contacte a organização do evento com antecedência sobre a disponibilidade de caixas de som e programas compatíveis;
  • não use fontes menores que 28: são ilegíveis para a plateia;
  • se tem tempo para comentar 10 slides,  não faça uma apresentação com um montão de  slides a mais, que serão pulados: vai parecer que não se preparou para o evento e que está aproveitando um trabalho antigo;
  • prepare-se para uma eventual falta de luz ou pane de equipamento: a sessão pode não ser cancelada apesar disso.

3. Se tiver de pegar avião (pior: com conexões), ônibus, navio, leve o trabalho na bolsa de mão, com cópia em nuvem, no email …

4. Se houver perguntas, honestidade nas respostas: em princípio, todos na plateia são especialistas na área e tentar enrolar essa turma não é boa ideia.

5. E se alguém for grosseiro no questionamento do trabalho? Você não será o único a testemunhar a grosseria. Não desça do salto nessa hora; afinal, quem está assistindo às apresentações gastou dinheiro e tempo e estava ali pelo seu trabalho e pelo trabalho de todos na sessão e não para uma sessão de mal-estar. Pense neles, respire fundo e responda ao malcriado educadamente. Certamente o coordenador da mesa terá de intervir se a agressividade do participante continuar a interromper o trabalho.

6. Nossas tomadas brasileiras de três pinos não são usadas no resto do mundo. Se o encontro for fora do país, não esqueça de adaptadores.

 

Um prêmio estranho

 

IMAGEM 
"TROPHY DESIGN" by PROTOTYPUM, 
Martin Žampach is licensed under CC BY-NC-ND 4.0

 

A  Publons (agora da Clarivate Analytics) mais uma vez promoveu o Global Peer Review Awards, anunciado na Peer Review Week deste ano, que teve lugar entre 16 e 20 de setembro.  Em  2019 o prêmio contou com três categorias: os pareceristas top-10 , os pareceres de excelência e uma categoria para editores.

A Publons, cuja missão declarada é “speed up science by harnessing the power of peer review“, vem assumindo o papel de treinar a produção de pareceres e ajudar a indústria de publicações acadêmicas a encontrar nomes para atuarem como pareceristas (ver Crotty, 2018).

    O nome numa lista e …

    Em meio a muita discussão sobre o trabalho gratuito de pessoal altamente especializado  em prol de revistas científicas que cobram taxas muito caras dos autores para a publicação em acesso aberto e/ou de assinaturas também de preço elevado, publicadas por editoras cujos lucros andam na casa dos 40% — diferentemente da crise do mercado livreiro — não há como não se perguntar se esse prêmio é valorização suficiente para aquele que deixou de lado seu próprio trabalho e contribuiu de graça para uma indústria bilionária (em dólares ou euros); nem se esse prêmio não seria o equivalente da estrelinha que se ganhava na escola quando criança: confere algum status num pequeno círculo.

    Embora se diga que escrever pareceres sobre artigos acadêmicos submetidos a revistas científicas é parte do trabalho acadêmico, essa não é uma das cláusulas de qualquer contrato de trabalho como professor ou pesquisador (ver Watson, 2017).

    Trabalho necessário, mas que conta pouco para quem o faz

    Ninguém nega a importância do trabalho dos pareceristas. A divulgação do trabalho científico, no mundo atual ligada à avaliação por pares, é importante para a Ciência e igualmente importante nos processos formais de avaliação de professores e pesquisadores. Escrever pareceres é, porém, trabalho voluntário, certamente não prioritário na lista de afazeres.

    Agora, se esse trabalho é tão importante, se uma revista cobra alguns milhares de dólares do autor para publicar seu artigo por conta dos custos que alega ter com o preparo do manuscrito para a publicação, por que o par (ou trio) de pareceristas que recomendaram (ou não) a publicação não pode ser remunerado?

    Pode-se argumentar  que esse profissional terá seu nome listado como parecerista de uma revista de luxo. Mas, pensando bem: se um pesquisador concorre a uma vaga de professor ou pesquisador , ter uma enorme lista de pareceres  ou não incluir essa parte no lattes vai fazer diferença? Ter escrito críticas a trabalhos alheios, como notou Crotty (2018), impressiona mais uma banca que a qualidade do próprio trabalho? Por outro lado, para a revista ter um profissional renomado listado entre seus pareceristas é relevante.

    E as revistas em acesso aberto que não cobram taxas dos autores,
    caso da quase totalidade das revistas nacionais no Qualis? 
    Não são periódicos predatórios; têm papel importantíssimo na
    divulgação das pesquisas no país; 
    solicitam pareceres dentro de prazos razoáveis. 
    Atender ao convite de um desses periódicos para emitir um parecer
    continua sendo trabalho voluntário, não prioritário, 
    mas essas publicações, que não visam lucro e lutam para se manterem,
    merecem a colaboração, ainda que não remunerada,
    de todos nós.

     


     

    Crotty, David. 2018. Credit for Peer Review: What is it Worth? The Scholarly Kitchen, 18Out2018. https://scholarlykitchen.sspnet.org/2018/10/18/credit-for-peer-review-what-exactly-does-that-mean/

    Watson, Mick (@Biomickwatson). 2017. Let’s keep saying it, and say it louder: REVIEWERS ARE UNPAID. Opiniomics, 23Agos2017. http://www.opiniomics.org/lets-keep-saying-it-and-say-it-louder-reviewers-are-unpaid/

    A Revista da ABRALIN adota a taxonomia CRediT/Contributor Roles Taxonomy (Taxonomia das Funções do Colaborador)

    Em agosto de 2018 informávamos da adoção da taxonomia CRediT pela Scielo (Quem é o autor do trabalho afinal? Decisões sobre coautoria). Não obstante o número de autores por artigo em Linguística no Brasil estar, em geral,  em torno de dois ou três e de algumas revistas da área ainda trazerem instruções que remetem ao autor único, agora é a vez da revista da ABRALIN/ Associação Brasileira de Linguística adotar o CRediT .

    Os trabalhos com mais de um autor submetidos à Revista da ABRALIN deverão indicar a atribuição dos seguintes papeis:  Conceptualização –  Curadoria de Dados –  Análise Formal – Aquisição de Financiamento – Investigação – Metodologia –  Administração do Projeto –  Recursos – Software –  Supervisão –   Validação –   Visualização –  Escrita –  Escrita 

    Sai o autor, entra em cena o colaborador

    Como recentemente apontou Alex Holcombe, a atribuição de autoria em muitos periódicos leva em conta a definição de autor do ICMJE/ International Committee of Medical Journal Editors que não tem lugar para muitos tipos de colaboração necessários ao desenvolvimento de pesquisas.

    No caso da Revista da ABRALIN, a inovação no estabelecimento da autoria/colaboração vem juntar-se à revisão por pares aberta, anunciada recentemente e os dados abertos. Será muito interessante, portanto, acompanhar a implantação desse modelo na área da Linguística brasileira.

     

    Informações: http://www.abralin.org/circulares/rabralin/CRediT.pdf

    Holcombe, Alex. 2019. Farewell authors, hello contributors. Nature 571, 147 (05Jul2019)  https://www.nature.com/articles/d41586-019-02084-8

     

    As citações por outro ângulo: o da ética

    Imagem "Citation_needed" by Dawihi 
    is licensed under CC PDM 1.0 

    A construção de indicadores quantitativos tem traduzido para as agências de fomento e as instituições de ensino a importância do pesquisador e do periódico em que trabalhos são publicados e tornou-se talvez o principal pilar para promoções na carreira e solicitações de diversos tipos de auxílios.

    Nesse cenário de métodos bibliométricos, as tentativas de manipulação de indicadores começaram a se tornar fonte de preocupação. E levaram o COPE/ Committee on Publication Ethics a divulgar recentemente um documento que aponta práticas condenáveis relativas às citações (COPE, 2019). A preocupação também está presente na seção sobre Editor Roles and Responsibilities  do livro branco do Council of Science Editors, atualizado em 2018.  Em outras palavras: chama-se a atenção para o mau uso de citações.

    Se parte do problema seria quer de iniciativa dos autores — a autocitação que tem por objetivo inflacionar o número de citações do próprio trabalho ou a troca de citações (ing. citation swapping) entre colegas — quer da iniciativa de pareceristas que solicitam a inclusão de citações de seus trabalhos, outras práticas estão ligadas à editoria de periódicos. Por exemplo,  no nível do periódico, a autocitação transforma-se em citação coercitiva (ing. coercive citation): a demanda da editoria do periódico aos autores (particularmente se no início da carreira) para que façam a inclusão de citações de trabalhos publicados naquela mesma revista a fim de que o texto submetido tenha mais chances de ser aceito. As citações solicitadas são desnecessárias e sequer  se indica para os autores da submissão que deficiências seria necessário rever lançando mão de textos (quais?) anteriormente publicados no periódico que está recebendo a submissão.

    A citação honorária envolve a citação excessiva e desnecessária de nomes notáveis na área — como o editor da revista, por exemplo.

    O empilhamento de citações (ing. citation stacking) diz respeito a um acordo entre editores de diferentes periódicos para que os textos publicados em cada um deles reúnam citações dos demais periódicos desse grupo.

    Vale a pena participar desses esquemas?

    Em outras palavras: deixar de lado a integridade na vida acadêmica ajuda o pesquisador ou editores? Certamente não e isto vale para qualquer momento da carreira.

    Há seis anos atrás, em 2013, a empresa que detinha o Journal Citation Reports (JCR) acusou a prática de empilhamento de citações em quatro periódicos médicos brasileiros de longa tradição no país (Clinics, Jornal Brasileiro de Pneumologia, Revista da Associação Médica Brasileira Acta Ortopédica Brasileira) que haviam demonstrado grande melhora bibliométrica e os suspendeu do JCR por um ano. Todos os editores à época se defenderam da acusação, com argumentos sobre o cenário brasileiro de publicações nessa área específica e a necessidade de tornar os periódicos brasileiros mais atrativos. A biblioteca SciELO Brasil, de que os quatro periódicos fazem parte, determinou a retratação dos artigos em que os números revelados podiam ser interpretados como envolvimento nessa prática; já a CAPES/Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior levou a punição para além dos editores e autores retratados: nenhum dos artigos publicados nesses periódicos entre 2010 e 2012 foi contabilizado na avaliação trienal da pós-graduação de 2013 (van Noorden, 2013), retirados todos do Qualis (FAPESP, 2013). Artigos já aceitos para a publicação foram retirados a pedido de seus autores.

     Although such behavior may result in a short-term gain, the strategy may not work in the long term (CSE, 2018: 13)

     


     

    COPE – Committee on Publication Ethics. 2019. Citation Manipulation. COPE Discussion Document, Version 1: July 2019. https://publicationethics.org/files/COPE_DD_A4_Citation_Manipulation_Jul19_SCREEN_AW2.pdf 

    CSE-Council of Scientific Editors/ Editorial Policy Committee. 2018. CSE’s White Paper on Promoting Integrity in Scientific Journal Publications. https://www.councilscienceeditors.org/resource-library/editorial-policies/white-paper-on-publication-ethics/

    FAPESP.  2013. Punição para citações combinadas.  Revista Pesquisa FAPESP, 213. Nov.2013. https://revistapesquisa.fapesp.br/2013/11/18/punicao-para-citacoes-combinadas/

    Fong, Eric A. & Wilhite,  Allen W. 2017. Authorship and citation manipulation in academic research. PLoS ONE, 12(12): e0187394.  https://doi.org/10.1371/journal.pone.0187394

    Sampaio, Rafael. 2013. Índice internacional suspende revistas científicas brasileiras. G1/ Ciência e Saúde, 30Ago2013. http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/08/indice-internacional-suspende-revistas-cientificas-brasileiras.html

    University of Alabama in Huntsville. 2012. Research ethics: Coercive citation in academic publishing.  ScienceDaily, 2 February 2012. www.sciencedaily.com/releases/2012/02/120202164817.htm 

    Van Noorden, Richard. 2013. Brazilian citation scheme outed. Nature 500: 510-511. http://www.nature.com/polopoly_fs/1.13604!/menu/main/topColumns/topLeftColumn/pdf/500510a.pdf 

     

    CONCURSO PARA DESENVOLVIMENTO DE MARCA INSTITUCIONAL PARA O CENTRO DE LETRAS E ARTES | CLA

    O CLA/ Centro de Letras e Artes, instância da  Universidade Federal do Rio de Janeiro que reúne quatro Unidades — a Faculdade de Letras, a Escola de Música, a Faculdade de Arquitetura  e Urbanismo e a Escola de Belas Artes — lança um concurso para uma nova marca institucional do CLA.

    Podem concorrer os estudantes regularmente matriculados nos cursos de graduação ou de pós-graduação das unidades componentes do CLA. Inscrições até 25/10/2019.

    Para os interessados, o edital Edital Logo CLA

    E se esse texto nunca for citado?

    É uma anedota na vida acadêmica  que um texto não citado é um episódio de fracasso. Ninguém leu? Não despertou interesse? Irrelevante, então. (Tem-se aqui em conta a citação feita por outros pesquisadores, de outros grupos de pesquisa, não a autocitação). Mais ou menos a mesma sensação que sentimos quando o livro que consultamos na biblioteca tem a ficha em branco. Bom, a foto que ilustra este texto é um indício de que essa visão é um tanto simplista.

    Num mundo em que as citações são contabilizadas e lançadas no curriculum vitae, em que pontuam os pedidos de progressão ou promoção é previsível que todos os pesquisadores queiram um índice-h igual a 18 — e reconhecimento em vida.  Mas isto não equivale a dizer que se um texto não recebeu citações ao longo de cinco,  dez anos é porque é trabalho sem valor.

    O impacto de  um trabalho durante o tempo de vida do autor pode enfrentar dificuldades completamente alheias à qualidade — problemas que vão da censura à língua em que um texto foi escrito.

     

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    Van NOORDEN, Richard. 2017.  The science that’s never been cited. Nature Briefing, 13Dez2017. https://www.nature.com/articles/d41586-017-08404-0

    Citações e referências: posso citar a mim mesm@?

    Eu ainda estava no Doutorado e numa conversa com o saudoso Carlos Franchi (1932-2001) no prédio da Praia Vermelha — onde tínhamos assistido a uma palestra do também saudoso Fernando Tarallo (1951-1992) —  ouvi do Prof. Franchi que não citava trabalhos dele mesmo. Aquela conversa ficaria na minha memória, junto com as palavras de Rodolfo Ilari na homenagem póstuma ao amigo: “a vontade de pesquisar com humildade” (Ilari, 2002: 87).

    Tornei a lembrar-me dessa conversa por estes dias: um estudo sobre um corpus de 100 mil pesquisadores muito citados mostrava que 250 deles, em pelo menos 50% das vezes em que foram citados, haviam citado a si ou recebido citação de seus co-autores; em alguns dos casos, em 94% das citações.

    Os tempos mudaram desde aquela conversa. Um pesquisador como o Prof. Franchi, cuja produção foi “altamente informal, tendo preferido a exposição em seminário ao impresso, e o working paper ao livro” (Ilari, 2002: 85), hoje seria forçado não só a publicar mais (o que nos faz lembrar da anedota de que Saussure atualmente não conseguiria lugar num programa de pós-graduação em Linguística porque não publicava — a respeito desse saussureano “horreur d’écrire”, ver Piller, 2013, texto já mencionado neste blogue), mas também a demonstrar o impacto de sua pesquisa pela contabilização de referências, de quantificação mais fácil que o respeito acadêmico e a influência sobre  alunos e colegas.

    Ao  longo das últimas décadas aumentou o número de grupos de pesquisa e, em paralelo, houve aumento no número de trabalhos referidos num artigo, não importa de que área. Nas Ciências Sociais, por exemplo, se na década de 1960 o número médio de citações por trabalho estava um pouco abaixo de 10 títulos, em 2015 a média já chegava a 50 (Van Noorden, 2017). Em 2005 surgia o índice-h, uma medida do impacto das pesquisas que toma por base as citações. E assim as citações entraram no cv Lattes, passaram a pontuar pedidos de progressão na vida acadêmica…

    Deixando de lado por enquanto os maus usos das auto-referências, em que situações citar/referir nosso próprio trabalho chega mesmo a ser necessário? Afinal, o mesmo estudo apontava 12,7 % como valor médio de auto-citações.

    Em primeiro lugar, em razão da continuidade da pesquisa: se estamos voltando a material que já publicamos — e, como aconselha o Prof. Ataliba de Castilho, especialmente se mudamos de ideia em relação a trabalho que publicamos no passado — temos de referir o que publicamos anteriormente. Em segundo lugar, se utilizamos material nosso anteriormente publicado, para evitar acusações de autoplágio (COPE, 2019,Legitimate Reasons for Self-Citation). Este segundo motivo era desconhecido até bem pouco tempo  e nem mesmo sua denominação era encontrada em português.

    Sobre autoplágio, neste blogue:
    Autoplágio ou reciclagem textual -1 
    Autoplágio ou reciclagem textual -2

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    COPE/ Committee on Publication Ethics. 2019. Citation Manipulation. COPE Discussion Document, Version 1: July 2019. https://publicationethics.org/files/COPE_DD_A4_Citation_Manipulation_Jul19_SCREEN_AW2.pdf

    Hirsch, J. E. 2005. An index to quantify an individual’s scientific research output.

    Ilari, Rodolfo. 2002. Humildade na pesquisa para construir o futuro. Revista do GEL/ Grupo de Estudos Linguísticos do Esta do de São Paulo. Número Especial.  “Em memória de Carlos Franchi (1932-2001), 2002, nº 0. São Paulo: Contexto. p. 83-87 https://revistas.gel.org.br/rg/article/download/178/154 

    Piller, Ingrid. 2013. Saussure, the procrastinator. Language on the Move, 30Out2013. https://www.languageonthemove.com/saussure-the-procrastinator/
    Van Noorden, Richard. 2017.  The science that’s never been cited. Nature Briefing, 13Dez2017. https://www.nature.com/articles/d41586-017-08404-0
    Van Noorden, Richard &  Chawla, Dalmeet Singh. 2019. Hundreds of extreme self-citing scientists revealed in new database. Nature Briefing, 19Ago2019

    https://www.nature.com/articles/d41586-019-02479-7

    Duas infrações à integridade acadêmica: cola e plágio

    O texto a seguir, de Roberto Imbuzeiro Oliveira, pesquisador titular do IMPA/ Instituto de Matemática Pura e Aplicada, foi publicado no blog “Ciência & Matemática“, de Claudio Landim, também do IMPA e Coordenador da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP).

    O foco central é a cola, a cópia de respostas de outrem  durante um teste ou prova. No passado “outrem” (entidade que ocupa o lugar que deveria ser das fontes de pesquisa) era um colega de sala, um livro ou anotações com o conteúdo previsto para o exame; com o avanço da tecnologia, “outrem” pode agora ser um indivíduo bem longe do local da prova ou mesmo um site. Se ao invés de um teste ou prova temos um trabalho, o uso impróprio das fontes é tratado como plágio.

    Oliveira, baseado em autores como McCabe (2005), ressalta a difusão desses comportamentos entre os estudantes dos diferentes níveis de ensino. E a dificuldade para mudar essa atitude. Até porque, como defende McCabe, a busca de mudança tem de vir do envolvimento da instituição e dos estudantes. Ambos difíceis.


    Sobre a cola

    Roberto Imbuzeiro Oliveira  – Pesquisador titular do IMPA

    Segundo o psicanalista Luiz Alberto Py, o aluno que cola numa prova está angustiado por desconhecer a matéria. Essa opinião foi transcrita no Jornal O Globo de 17 de maio de 1990 em uma matéria que falava do suicídio de um aluno do Colégio Militar do Rio de Janeiro. Celestino José Rodrigues Neto, de 14 anos, fora pego com um livro aberto numa prova de Geografia. Sua mãe foi chamada pelo colégio e ouviu pelos autofalantes da escola o nome de seu filho e sua punição pela transgressão. O menino não se perdoou pela humilhação da mãe e tirou sua própria vida.

    No chutômetro, diria que pelo menos 25% dos meus colegas de Ensino Fundamental e Médio colava regularmente. O número dos que colaram pelo menos uma vez por ano certamente era maior que 40%. Em geral, isso não era fruto de desespero: no máximo, o aluno sentia uma aflição mixuruca pensando na mãe braba com o boletim. Mesmo quem não colava, como eu, achava aquilo tudo natural e até engraçado.

    (Parêntese em nome da honestidade: eu nunca colei, mas dei cola em algumas ocasiões. Devo ter subido no conceito dos meus amigos com isso, mas fico triste em pensar que algum professor meu pode estar lendo isto aqui.)

    Na faculdade, as matérias ficaram mais difíceis e a cola, mais sofisticada. Meus colegas de turma eram excelentes alunos e quase todos estudavam bastante. Ainda assim, alguns trocavam informações durante os exames. Era como se fizessem a prova juntos! Alunos menos bons também colavam e plagiavam trabalhos. Inclusive, tirei zero num trabalho que um colega roubou da porta da sala do professor, copiou e devolveu pro lugar.

    De repente, eu me vi vítima da cola e do plágio alheios. O jogo era mais sério: todo mundo ali era maior de idade e a expectativa era que uma boa performance naqueles cursos renderia oportunidades futuras. Havia gente que, sem vergonha aparente, conseguia um “up” no histórico com base na malandragem.

    Do momento que eu fui prejudicado, deixei de achar a cola algo maroto e divertido. Daí para eu rever minhas ideias foi um pulo. A cola, o plágio e seus congêneres são, sim, trapaças e mentiras. É obrigação do estudante prezar pela própria formação e ter respeito pelos professores. Poucas coisas irritam tanto quanto descobrir a desonestidade de um aluno, mesmo que não seja meu. O caso do Colégio Militar continuou parecendo absurdo, mas, ao mesmo tempo, deixei de achar graça de quem colava.

    O problema no Brasil e no mundo

    Por alguns anos, minha descoberta me deu pretexto para falar mal daquele tipo chamado “o brasileiro,” aquele cara de quem, paradoxalmente, todo brasileiro fala. “O brasileiro” joga lixo no chão, fura a fila, suborna o guarda de trânsito e vaia o hino nacional alheio. Na certa “o brasileiro” também cola na escola e não acha nada demais dos filhos seguirem a tradição. Resolvi que era isso mesmo: nossa cultura ancestral de levar vantagem em tudo era a responsável por tantas trapaças.

    Infelizmente, não era só isso mesmo. Pode até ser verdade que há um “tabu” maior com relação a cola e plágio em outros países. Ainda assim, as trapaças também são bastante difundidas no resto do mundo.

    Há uma literatura acadêmica especializada nesse assunto. Donald McCabe, dos Estados Unidos, passou a vida estudando este tema. Sua conclusão é que a cola e o plágio são bem difundidos nos EUA e no Canadá, e os alunos não veem nada muito grave nisso [1]. Outros trabalhos corroboram esses estudos em outros países. Até um lugar como Cingapura, draconiano no combate ao chiclete, tem problemas parecidos no mundo dos alunos [2].

    Esse quadro global quase faz com que eu me sinta o alienista de Machado de Assis: de repente sou eu que estou doido. Não cheguei a esse ponto, mas observo que a linha de trabalhos descrita acima também se preocupa em estudar o porquê dos alunos colarem. Para além dos estudantes que acham que colar “tá de boa”, vê-se que há os que não se sentem acolhidos no ambiente acadêmico e os que sentem que os honestos ficam para trás [3]. Certamente há nisso um quê de angústia do doutor Py, mas, ao invés de virar um drama ou tragédia, ela se resolve num cálculo racional: muita gente cola e isso parece valer a pena.

    O que fazer a respeito?

    O quadro acima também sugere uma saída racional para as trapaças acadêmicas. Por um lado, o aluno tem de ser acolhido. Por outro, as falcatruas têm de valer menos a pena. Mas qual é a receita? Entre passar a mão na cabeça – o que parece errado –, dar zero em quem cola – que não parece adiantar – e o Colégio Militar do Rio – que, ao menos em 1992, chegava a ser cruel –, não é fácil decidir o que fazer.

    Como alguém que trabalha com saber e educação, meu sonho seria não alterar o comportamento dos alunos, mas sim seus sentimentos. Eu gostaria que cada aluno ouvisse da sua própria consciência que colar e plagiar é errado.

    Um ex-aluno meu que é professor disse que perdoaria mais facilmente um estudante que o esmurrasse do que aqueles que pega colando. Eu não chego a tanto, mas entendo esse sentimento. O nome dele é angústia e ele atinge também quem ensina e cria saber.

    Bônus: um “causo” esdrúxulo

    Como este texto está meio depressivo, parece boa ideia fechá-lo com uma história engraçada. Talvez eu ainda ache graça nisso de vez em quando.

    Eis o “causo”. Estava aplicando uma prova no IMPA. Na época não me preocupava em ficar em cima dos alunos 100% do tempo: era difícil imaginar pós-graduandos de um centro de elite colando. Por isso, como de costume, saí da sala e voltei várias vezes.

    Numa dessas saídas, acabei passando um bocado de tempo numa cabine do banheiro. De lá escutei uma pessoa chegar ao mictório e depois, outra. Depois dos barulhos esperados, os dois entabularam uma conversa:

    — E aí, cara? A prova tá difícil, né?

    — É.

    — Pois é, também achei.

    — É.

    Reconheci uma das vozes: era de um aluno fazendo a prova. A outra certamente era de outro estudante da mesma turma.

    Depois de uma pausa, voltou o papo.

    — As duas primeiras questões são fáceis, mas a 4 eu não sei…

    — É…

    Mais uma pausa — ou seria hesitação? — e o segundo aluno disse:

    — Na 4, o que você tem que pensar é o seguinte: …

    Caramba, dois mestrandos marmanjos estavam prestes a passar cola no banheiro!

    Pensei em esperar mais dois segundos, abrir a porta da cabine de repente e pegar os dois no flagra. Isso me causou um incômodo físico: era estranho eu fazer isso sem nem lavar as mãos. Além do mais, havia o incômodo moral: eu podia ser benevolente e impedir que o erro deles se consumasse. Foi o que resolvi fazer gritando com eles lá do “trono”:

    — OLHEM LÁ O QUE VOCÊS VÃO DIZER AÍ! O PROFESSOR TÁ ESCUTANDO VOCÊS!

    Muito se fala do poder da palavra; naquele dia, aprendi que a minha palavra tem o poder de desintegrar alunos espertos. Ou pelo menos foi o que pareceu, já que, depois de eu falar, fez-se silêncio absoluto no recinto. Era como se ninguém jamais tivesse passado por ali.

    Imagino que eles perceberam o bem que fiz, mas não sei se sentem gratidão. De um jeito estranho, acho que consegui ser a voz da consciência daqueles rapazes.

    —-

    [1] McCabe, D.. “Cheating among college and university students: A North American perspective,” International Journal for Academic Integrity,vol. 1, no. 1 (2005).

    [2] Lim, V. K. G.; See, S. K. B.. “Attitudes Toward, and Intentions to Report, Academic Cheating Among Students in Singapore.” Ethics and Behavior vol. 11, no. 3 (2001).

    [3] Norris, E. J.. “Academic integrity matters: five considerations for addressing contract cheating.” International Journal for Educational Integrity vol. 14, no. 15 (2018).


     

    Oliveira, Roberto Imbuzeiro. Sobre a cola. In: Landim, Claudio. Blog “Ciência e Matemática, 18Jul2019. https://blogs.oglobo.globo.com/ciencia-matematica/post/sobre-cola.html

    3º D-Ling/ Debates em Linguística

     

    logo D-Ling

    3º D-Ling / Debates em Linguística

    De 24 a 26 de setembro de 2019

    UFRJ/ FL/ Auditório E3 

    O Departamento  de  Linguística  e Filologia da Faculdade de Letras da UFRJ convida para o 3º D-Ling, que  objetiva integrar a pesquisa, o ensino e a extensão do Departamento de Linguística e Filologia como forma de divulgação das pesquisas de seu corpo docente e de convidados para incentivar nos estudantes de graduação o interesse pela Linguística e pela Filologia e pela continuidade nos estudos nessas áreas.

    O  tema da edição 2019 é Linguística: uma ciência com muitos percursos possíveis de pesquisa.

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    Inscrições para a apresentação de pôsteres até 09/09/2019  através do link bit.ly/dling-poster.

    Inscrições em minicursos até 23/09/2019 pelo link bit.ly/dling-minicurso

    ALGUMAS INFORMAÇÕES DE HORÁRIOS:
    Palestras da manhã: 
    terça e quinta 10h às 11h15
    quarta 11h15 às 12h30
    
    Palestras da tarde: 14h às 15h15
    Palestras de noite: 18h às 19h15
    
    Sessões de pôsteres: terça e quinta de 11h15 às 12h30 
    
    Minicursos:
    1) “Coisas legais em Linguística” 
    Diogo Pinheiro (UFRJ) e Alessandro Medeiros (UFRJ)
    terça e quinta de 15h45 às 17h45
    
    2) “Voz, fala e expressividade”
    Letícia Rebollo Couto (UFRJ)
    terça, quarta e quinta de 8h às 9h30
    
    Coffee breaks:
    Manhã – 9h30 às 10h / Tarde – 15h15 às 15h45
    

     

    Comissão Organizadora: Prof. Adriana Leitão Martins (Coordenação); Prof. Alessandro Boechat de Medeiros; Prof. Deise Cristina de Moraes Pinto; Prof. Maria Carlota Amaral Paixão Rosa.

    Plataforma Brasil: problemas com o Mozilla

    A seguir, o informe da  Unidade Técnica Plataforma Brasil



     

    Prezados (as) Usuários (as),

    Devido à incompatibilidade com o versão atual do Mozilla Firefox, a Plataforma Brasil tem apresentado inconsistência no momento da emissão dos pareceres, tranzendo informações cruzadas neste documentos. Visando mitigar essas falhas, recomendamos que façam a instalação da seguinte versão do Mozilla Firefox ou utilizem o Google Chrome:

    Mozilla Firefox ESR

    https://download.mozilla.org/?product=firefox-esr-next-latest-ssl&os=win64&lang=pt-BR (64 bits)

    https://download.mozilla.org/?product=firefox-esr-next-latest-ssl&os=win&lang=pt-PT (32 bits)

    Caso ainda apresente erro, pedimos que entrem em contato pelos canais de atendimento da Plataforma Brasil para que possamos averiguar melhor os casos.

    Desde já agradecemos pela paciência.

    Atenciosamente,

    Unidade Técnica Plataforma Brasil

     

     

    Na UERJ/ São Gonçalo, extensão universitária, Língua Portuguesa e inclusão social: o Projeto LetraJovem,vencedor do I Pitching Social do Canal Futura

    A Universidade do Estado do Rio de Janeiro/ UERJ, através da sua Faculdade de Formação de Professores, no campus São Gonçalo, desenvolve desde 2014 o Projeto LetraJovem/Oficinas de Língua Portuguesa para Jovens e Adultos em Situação de Vulnerabilidade Social em parceria com o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e com o Centro de Recursos Integrados de Atenção ao Adolescente (CRIAAD), de São Gonçalo, unidade do DEGASE/ Departamento Geral de Ações Socioeducativas que trabalha com medidas socioeducativas de semiliberdade.

    O Projeto, coordenado pela Prof. Márcia Lisbôa Costa de Oliveira, tem como público:

    • jovens de 16 a 24 anos que cometeram infrações e cumprem ou cumpriram medida socioeducativa em semiliberdade ou em liberdade assistida;
    • jovens de 18 a 24 anos oriundos de famílias de baixa renda ou em situação de risco social;
    • pais e mães de famílias em risco social e
    • egressos do sistema penitenciário.

    (Fonte: cv lattes da Coordenadora)

    Não é difícil perceber a importância do Projeto face aos números: dados da Pesquisa Nacional de Medidas Socioeducativas em Meio Aberto realizada em fevereiro/março de 2018 pelo Ministério do Desenvolvimento Social  mostravam que o Brasil, àquela época, contava com 117.207 adolescentes e jovens em cumprimento de medidas socioeducativas de liberdade assistida e/ou prestação de serviços à comunidade. Sem liberdade, internados em 461 estabelecimentos socioeducativos existentes no país, mais 22.640 jovens, em dados de novembro de 2018. Em situação de vulnerabilidade, os números ampliam-se exponencialmente.

    E o que Língua Portuguesa, a temida disciplina escolar, tem a ver com isso? As variedades linguísticas da maioria desses falantes não têm prestígio; a evasão escolar entre essa população é altíssima: em torno de 70%. Sendo assim, “alguns desafios do projeto são combater o preconceito linguístico e discutir o ensino de língua portuguesa em contextos de exclusão”, “desenvolver metodologias de ensino voltadas aos jovens, principalmente quanto à leitura e à produção de textos”.

    Mais informações: um documentário de 15 minutos sobre o Projeto está agora disponível na internet. É o “Todas as línguas”, vencedor do I Pitching Social do Canal Futura, disputado entre universidades do SE e CO com projetos sobre o tema “Juventudes”.  O Canal Futura apoiou financeiramente a realização do documentário e o colocou em sua grade de programação em julho passado.


     

    UERJ/Futura. 9Jul2019. Todas as línguas. Direção Cássia F. Andrade.  Duração: 15 min.  https://www.youtube.com/watch?v=Eh-tfuPPHC0 

    [Ministério do Desenvolvimento Social /Secretaria Nacional de Assistência Social]. s.d. Relatório da Pesquisa Nacional de Medidas Socioeducativas em Meio Aberto no Sistema Único de Assistência Social.  http://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/relatorios/Medidas_Socioeducativas_em_Meio_Aberto.pdf

    Recomeçando o CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO DE LÍNGUAS INDÍGENAS / CELIN do Museu Nacional da UFRJ

    O incêndio que em 2 de setembro de 2018 destruiu o Palácio do Museu Nacional fez com que o acervo do CELIN virasse cinzas. Uma pálida ideia do que o CELIN conservava ainda nos chega numa página de internet,  legado da comemoração dos 200 anos do Museu —  projeto para 2018, agora uma lembrança nostálgica.

    “Sobramos nós, que estamos aqui e vamos recomeçar”

    Com o espírito sintetizado nessas palavras da Prof. Marília Facó Soares, cujo conhecimento daquele acervo e dedicação ao Museu Nacional da UFRJ nos legou a organização do Guia de fontes e bibliografia sobre línguas indígenas e produção associada/ Documentos do CELIN, publicação de 2013, começa agora o esforço de reerguer o CELIN.

    O auxílio pode tomar uma das formas a seguir:

    RECONSTITUIÇÃO DO ACERVO DO CELIN SOB FORMA DIGITAL: enviar a colaboração por e-mail para

    • marilia@acd.ufrj.br  (responsável pelo CELIN)
    • lcristac@gmail.com (bibliotecária do CELIN).

    DOAÇÃO AO CELIN-MN/UFRJ DE LIVROS, PERIÓDICOS, MATERIAIS LINGUÍSTICOS
    TEXTUAIS, MATERIAIS EM SUPORTE FÍSICO (CDs/DVDs, fotografias, mapas,
    microfichas) doação pelos Correios para

    Centro de Documentação de Línguas Indígenas – CELIN-MN/UFRJ -–LINGUÍSTICA       Setor de Protocolo
    a/c Prof. Marília Lopes da Costa Facó Soares 
    Museu Nacional – prédio da Biblioteca
    Av. Gen. Herculano Gomes, s/n
    Quinta da Boa Vista – São Cristóvão
    Rio de Janeiro – RJ
    CEP 20941-360

    AJUDA FINANCEIRA AO CELIN:

    Passo 1: fazer um depósito identificado em favor do CENTRO DE
    DOCUMENTAÇÃO DE LÍNGUAS INDÍGENAS – MUSEU NACIONAL/UFRJ
    (CELIN-MN/UFRJ).para:

    Associação Amigos do Museu Nacional
    Banco do Brasil (001)
    Agência: 3010-4
    Conta: 60618-9
    CNPJ: 30024681/0001-99

    Passo 2: enviar o comprovante digitalizado do depósito por e-mail com duplo endereçamento, para:

    (i) sosmuseunacional@samn.org.br

    (ii) marilia@acd.ufrj.br

    Importante:  deixar claro, no e-mail, que o depósito se dá em favor do CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO DE LÍNGUAS INDÍGENAS – MUSEU NACIONAL/UFRJ (CELIN-MN/UFRJ).


    Referências

    SOARES, Marília Facó (org.).2013. Guia de fontes e bibliografia sobre línguas indígenas e produção associada/ Documentos do CELIN. Rio de Janeiro: Museu Nacional UFRJ. http://www.museunacional.ufrj.br/dir/celin/docs/Soares_org_2013_Guia_CELIN.pdf

    Dados abertos e avaliação por pares aberta chegam à linguística brasileira

     

    A discussão sobre os pareceres abertos apresentada nas postagens A avaliação por pares em discussão – Partes 1, 2 e 3 ganhará forma, em breve, na Revista da Abralin, periódico da Associação Brasileira de Linguística. Mas não só.

    Numa circular aos associados datada de 16 de julho de 2019, as editoras-chefes da revista, argumentando que “[a] ciência vive um momento de crise, que vai muito além da crise da replicabilidade; […] uma crise de credibilidade, que decorre da falta de transparência no processo, que é, no cenário brasileiro, majoritariamente financiado pelo contribuinte”; que “o processo de revisão duplo cego (em que pareceristas não sabem quem são os autores, e vice-versa) não tem se mostrado transparente“;  que “o trabalho do parecerista, essencial para o aprimoramento do texto e com contribuições substanciais para a forma final, não é reconhecido publicamente” , solicitam aos associados já doutores  que se cadastrem como pareceristas para uma nova fase da revista: “a partir de 2020, as submissões à Revista da Abralin passarão por processo de revisão aberto, em que autor e parecerista não são anônimos“.

    Não será a única parte da inovação. Ainda na sequência de decisões que colocam o periódico no movimento Ciência Aberta, no tocante às submissões de manuscritos serão priorizadas as submissões à Revista da Abralin “que apresentarem a indicação de compartilhamento dos conjuntos de dados de análise, instrumentos, scripts de análise estatística, roteiros e materiais adicionais, que devem estar em repositórios online abertos, tais como OSF e Figshare, por exemplo”.

    Também serão priorizadas as submissões “que se comprometerem a contribuir com um texto de popularização a ser publicado na Roseta, revista da Associação Brasileira de Linguística voltada para a popularização científica, de modo a promover a Ciência Cidadã”.

    A circular pode ser lida em http://revista.abralin.org/index.php/abralin/announcement/view/4

    Autoplágio ou reciclagem textual – 2

     

    Algumas situações em que um trabalho já publicado ganha nova publicação:

    • na tradução para outra língua;
    • na apresentação do trabalho para um público diferente.

    Isso é problema?

    Nenhum problema, mas a publicação anterior deve ser claramente indicada e, se for o caso, o novo editor deve ser avisado quando da submissão do manuscrito. Isso diminui as chances de publicação? Muito provavelmente. Mas é muito melhor do que ter um trabalho retratado.

    E se for apenas a reutilização de porções de texto já publicado num novo texto?

    Uma saída é tratar esses trechos como citação de trabalho anterior, com aspas e referência.

    Mas se reapresentar um trabalho, no todo ou em parte, é autoplágio, se assim é não posso colocar meu manuscrito no meu blogue ou num servidor de preprints? Até a Scielo está construindo um repositório de preprints (que está no âmbito da questão mais ampla do acesso aberto)! 

    Bom, aí complica, porque revistas têm políticas próprias, que podem ou não permitir essa prática. No que respeita a preprints, a Wikipedia arrolou vários periódicos com alto fator de impacto e apontou a política de cada um quanto a essa publicação prévia.


    FAPESP. Aos 20 anos, SciELO planeja plataforma de preprints. Pesquisa FAPESP, 272. Out2018. https://revistapesquisa.fapesp.br/2018/10/22/aos-20-anos-scielo-planeja-plataforma-de-preprints/

    Roig, M. 2010. Plagiarism and self-plagiarism: What every author should know Biochemia Medica,20(3):295-300. https://www.biochemia-medica.com/en/journal/20/3/10.11613/BM.2010.037

    Wikipedia contributors, “List of academic journals by preprint policy,” Wikipedia, The Free Encyclopedia, https://en.wikipedia.org/w/index.php?title=List_of_academic_journals_by_preprint_policy&oldid=899808896 .

    [Parte 1] [Parte 2]

    #dealforscience e o Brexit

    A preocupação com o Brexit chegou à ciência: uma petição online solicita que a União Europeia e o Reino Unido cheguem a um acordo quanto à colaboração científica. A preocupação envolve recursos para a ciência: o Reino Unido poderia perder acesso, por exemplo, ao Horizon 2020 (por ano, no período 2014-2020, £ 1,5 bilhão por ano para o Reino Unido) ou ao seu sucessor, o Horizon Europe , ao Erasmus+. Alguns registros dessa preocupação:

     

    A petição: KEEP THE EU AND UK COLLABORATING IN SCIENCE #DEALFORSCIENCE https://www.openpetition.eu/petition/online/keep-the-eu-and-uk-collaborating-in-science-dealforscience


    Brexit é um cruzamento vocabular (ou blend, ou palavra-portmanteau) formado a partir das palavras inglesas Britain e exit; denomina a saída do Reino Unido da União Europeia. Segue o mesmo modelo de Grexit, palavra criada para denominar o movimento que solicitava que a Grécia deixasse a zona do euro (e que na Grécia foi denominado ελλέξοδος, de Ελλάς + έξοδος).


    Imagem:

    Wikimedia Commons contributors, “File:UK location in the EU 2016.svg,” Wikimedia Commons, the free media repository,  https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=File:UK_location_in_the_EU_2016.svg&oldid=344772331

    Autoplágio ou reciclagem textual – 1

    Autoplágio é termo recente que vem sendo definido como a republicação de um trabalho no todo ou em parte, pelo autor, sem que se informe ao leitor da publicação anterior — em suma: apresenta-se como novo algo que não é novo. Daí a denominação alternativa reciclagem textual.

    Pode causar estranheza considerar essa uma atitude censurável: afinal, plágio diz respeito a lançar mão do trabalho de outrem como se fosse próprio. Por que, então, reapresentar um trabalho próprio é considerado má conduta?

    Esse comportamento é problemático se revela a intenção de inflacionar a produção no próprio cv, mas também se incorre em problemas ligados a copyright.

    [Continua]

    [Parte 1] [Parte 2]

    Aceito ou não o convite para um parecer?

    O COPE/ Committee on Publication Ethics apresenta, em forma de fluxograma, um guia para ajudar na decisão a se tomar quando se é convidado a emitir parecer para uma revista.

     

    COPE - peer review

    O COPE sugere que se levem em conta dois conjuntos de critérios. O primeiro levanta:

    a) a respeitabilidade do periódico (e sugere, para isso, uma consulta ao site Think. Check. Submitb) a política de revisão por pares apresentada; e c) os potenciais conflitos de interesse.

    Resolvida essa parte, a decisão deve levar em conta: a) se o trabalho poderá ser entregue no prazo estipulado; e b) se o texto a ser avaliado se enquadra em nossa área de especialidade.


    Referências

    COPE/ Committee on Publication Ethics. What to consider when asked to peer review a manuscript.  https://publicationethics.org/node/34241

    Think. Check. Submit. https://thinkchecksubmit.org/

    A terceirização na avaliação por pares -2

    A defesa da terceirização dos pareceres toma por base, em geral, a necessidade de treinamento nessa tarefa acadêmica. Se a questão é o treinamento de orientandos,  há formas mais eficazes. McDowellKnutsen, GrahamOelker & Lijek  apresentam o modelo implementado por uma professora  da University of California Santa Cruz, Needhi Bhalla, transcrito abaixo. Há também treinamentos online, como, por exemplo:

    Já a não inclusão do nome do colaborador foi  justificada, na pesquisa, com argumentos como esconder dos editores que o parecerista convidado, ao nomear os colaboradores no parecer, demonstraria ter quebrado o sigilo da avaliação; mais estranho foi o argumento  de não haver um campo no formulário para incluir a colaboração.

    O nome de quem escreveu ou teve co-autoria deveria receber créditos. Se alguém escreve um parecer mas outrem o assina, estamos diante de uma prática conhecida como autoria fantasma. Não é uma boa prática.

     


    Template from Dr. Needhi Bhalla (UCSC) for peer review training using preprints

    Assignment description

    “Your assignment is to pick a cell biology preprint from biorxiv (http://biorxiv.org/collection/cell-biology) and review it. This assignment is due [DATE] [TIME], Please submit your review as a word document so that I can edit it.

    I’ll assess, edit and grade your review. Afterwards, you will email your edited review to the corresponding author(s), cc’ing me on this email. Your grade is contingent upon submission of your review to the authors.

    I’d like you to organize your review as follows:

    Part 1. Summary (less than 500 words):

    Write a brief overview of the author’s findings and provide a general assessment on the quality of the work: strengths and weaknesses.

    Part 2. Detailed comments:

    Address each of the questions below, providing specific examples to justify your comments.

    1. Significance 

      Does the author provide justification for why the study is novel and how their results will influence the field?

    2. Observation

      Are the author’s descriptions of the data accurate and are all key experiments and hypotheses covered? Are the author’s arguments logically and coherently made? Are counterbalancing viewpoints acknowledged and discussed? Are they sufficiently detailed for a non-expert to follow? Do they include superfluous detail?

    3. Interpretation

      Are the inferences supported by the observations? Do you agree? If not, what experiments would you need to see to be convinced? Please limit any requests for new work, such as experiments, analyses, or data collection, to situations where the new data are essential to support the major conclusions. Any requests for new work must fall within the scope of the current submission and the technical expertise of the authors.

    4. Clarity

      Is the manuscript easy to read and free of jargon, typos, and grammatical or conceptual errors? Is the information provided in figures, figure legends, boxes and tables clear and accurate? Is the article accessible to the non-specialist?

      Tips:

      It is important to provide a helpful review that you would want to receive. Critical thinking does not need to be negative to be convincing!

      Let me know if you’d like to consult with me about your choice of papers or have any questions.”

     


    McDowell, Gary S. et alii. Co­reviewing and ghostwriting by early career researchers in the peer review of  manuscripts.  bioRxiv preprint first posted online Apr. 26, 2019; doi: http://dx.doi.org/10.1101/617373.

    [Parte 1] [Parte 2]

    A terceirização na avaliação por pares – 1

     

    Três postagens anteriores (A avaliação por pares em discussão – Partes 1, 2 e 3) focalizaram a discussão que atualmente envolve diferentes possibilidades de implementação da avaliação por pares aberta. Todas as propostas em discussão reconhecem o tanto de trabalho que a atividade soma à já sobrecarregada vida acadêmica, mas consideram a figura o avaliador único.

    Um artigo de Benderly no magazine Science, porém,  traz para primeiro plano uma prática obscura: a terceirização de pareceres, assinados por pesquisadores de ponta, mas escritos de fato por pesquisadores em início de carreira: pós-graduandos ou pós-docs.

    [Continua]

     


    Benderly, Beryl Lieff.  Early-career researchers commonly ghostwrite peer reviews. That’s a problem. Science/Taken for Granted, 6Maio2019.  https://www.sciencemag.org/careers/2019/05/early-career-researchers-commonly-ghostwrite-peer-reviews-s-problem

    McDowell, Gary S. et alii. Co­reviewing and ghostwriting by early career researchers in the peer review of  manuscripts.  bioRxiv preprint first posted online Apr. 26, 2019; doi: http://dx.doi.org/10.1101/617373.

    [Parte 1] [Parte 2]

     

    Na InterFORENSICS 2019, uma sessão para a Linguística como Ciência Forense

    A InterFORENSICS/ Conferência Internacional de Ciências Forenses é “o maior evento integrado de Ciências Forenses da América Latina”, com 13 grandes áreas das Ciências Forenses.

    Na edição de 2019, que teve lugar na última semana em São Paulo, a Linguística teve espaço na programação da tarde de sexta-feira, 24/Maio, na área temática ICMedia –  Ciências Forenses em Multimídia e Segurança Eletrônica:

    14h às 14h30 – SALA 6, com tradução
    Videoconferência – The relevance of Phonetics/Linguistics to the field of Forensic Speaker Comparison.
    Peter French – University of York
    14h30 às 15h – SALA 12
    A contribuição da Linguística de Corpus para a área forense.
    Tony Berber – PUC/SP
    15h às 16h – SALA 12
    Painel Comparação Forense de Locutor: o que é necessário para o fazer competente.
    Plínio de Almeida Barbosa – Unicamp
    Tiago Petry – IGP/SC
    Rafael de Oliveira Ribeiro – Polícia Federal

    A avaliação por pares em discussão – Parte 3

    As alternativas ao modelo de avaliação por pares hegemônico na atualidade —  referidas como open peer review (OPR) — são um conjunto de combinações de abertura como indicado na postagem de 20 de maio passado e começam a gerar pesquisas na comunidade científica. Assim, em julho de 2018, o repositório do Consejo Superior de Investigaciones Científicas/ DIGITAL.CSIC publicava os resultados de uma enquete com 158 pesquisadores da Espanha (Bernal & Román-Molina, 2018) . Ao assumirem o papel de revisor ou de autor, os pesquisadores consultados demonstraram sua preferência pelo duplo-cego:

    CSIC- duplo cego autor

    CSCI-duplo cego revisor

    Dentre as conclusões da pesquisa chama a atenção a falta de consenso em relação à implantação de mudanças:

    Los encuestados valoraron las oportunidades y los beneficios de una posible reforma del sistema dominante de revisión por pares de manera dispar. Así, algo más del 60% de los encuestados piensa que hacer públicas las revisiones de los artículos científicos puede ser beneficioso como información complementaria para los lectores y que la calidad de las propias evaluaciones aumentaría. Por otro lado, no existe consenso entre los encuestados sobre el riesgo de que un sistema de revisiones públicas actuara como obstáculo para realizar evaluaciones especialmente críticas, con casi 47% de respuestas tendentes a pensar que tal riesgo existiría. Finalmente, algo más del 50% de los encuestados piensa que publicar la identidad de los revisores ayuda a reducir posibles conflictos de intereses.

     

    CSCI- Contra e a favor

    Nassi-Caló (2015) arrola seis argumentos favoráveis à revisão aberta por pares e cinco contrários. Entre os riscos Nassi-Caló vê um aspecto mais grave que uma possível represália: “Certos comentários nos pareceres poderiam ser distorcidos e descaracterizados para reduzir a credibilidade da pesquisa, de uma área do conhecimento ou da ciência como um todo. Esta probabilidade seria maior em periódicos que publicam pesquisa com maior risco de discussão política”. Nota que a aceitação ou rejeição da OPR não é a mesma em todas as áreas; que pesquisadores mais jovens estão mais propensos a concordar com sua implantação. Para os editores, a adoção de um modelo que publicasse não só o artigo em sua forma final, mas outras versões submetidas, comentários dos pareceristas, respostas dos autores e decisão do editor não seria “trivial”.


     

    Bernal, Isabel &  Román-Molina, Juan. 2018. Encuesta sobre evaluación por pares y el módulo “Open Peer Review” de DIGITAL.CSIChttp://digital.csic.es/bitstream/10261/167425/3/encuesta_DC_peer_review_oprm_2018.pdf

    NASSI-CALÒ, L. Potenciais vantagens e desvantagens na publicação de pareceres [online]. SciELO em Perspectiva, 2019 . https://blog.scielo.org/blog/2019/04/30/potenciais-vantagens-e-desvantagens-na-publicacao-de-pareceres/

    [Parte 1]   [Parte 2] [Parte 3]

    300m de imagens em uso gratuito

    A Creative Commons lançou em abril a nova versão do CCSearch, com 300 milhões de imagens, mantida a possibilidade de filtragem para modificar e adaptar a imagem e de seu uso comercial. Informam, porém, que

    Please note that CC does not verify whether the images are properly CC licensed, or whether the attribution and other licensing information we have aggregated is accurate or complete. Please independently verify the licensing status and attribution information before reusing the content. For more details, read the CC Terms of Use.

    O banco de imagens pode ser pesquisado em  https://search.creativecommons.org/  ou, na versão antiga, em https://oldsearch.creativecommons.org/

    A avaliação por pares em discussão – Parte 2

    Quais são as alternativas? São muitas. Ernesto Spinak (2018), com base na literatura sobre o tema, organizou um quadro das alternativas em discussão:

    OPR - Spinak

    [Continua na Parte 3]

     


    SPINAK, E. Sobre as vinte e duas definições de revisão por pares aberta… e mais [online]. SciELO em Perspectiva, 2018 https://blog.scielo.org/blog/2018/02/28/sobre-as-vinte-e-duas-definicoes-de-revisao-por-pares-aberta-e-mais/

    [Parte 1]  [Parte 2]  [Parte 3]