Ser citado numa tese vale menos que num artigo?

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Quase na mesma data em que a Web of Science divulga sua lista dos pesquisadores mais citados em 2019 (Highly Cited Researchers – 2019), chamou minha atenção um trecho num artigo de Ernesto Spinak no último boletim Scielo em Perspectiva, sobre a avaliação do impacto de pesquisas com base nas citações no Google Acadêmico (GA), na Web of Science (WoS) e na Scopus. O texto de Spinak reporta pesquisa que demonstra que,  quantitativamente, o GA ultrapassa as duas outras bases:

a simples evidência numérica constatou que o GA tem consistentemente o maior percentual de citações em todas as áreas (93%  96%), bem à frente do Scopus (35% – 77%) e do WoS (27% – 73%). O GA encontrou quase todas as citações do WoS (95%) e do Scopus (92%). A maioria das citações encontradas apenas pelo GA vem de fontes não pertencentes a periódicos (48% – 65%), incluindo teses, livros, documentos de conferências e materiais não publicados. Muitos documentos não estavam em inglês (19% – 38%) e tendiam a ser muito menos citados do que fontes que também estavam no Scopus ou no WoS

Spinak termina seu artigo ressaltando que sua fonte contrapõe à quantidade a qualidade das citações:

Tomados em conjunto, estes resultados sugerem cautela se o GA for usado em vez do WoS ou do Scopus para avaliação de citações. Sem evidência, não se pode presumir que as contagens mais altas de citações do GA serão sempre mais altas que as do WoS e do Scopus, pois é possível que a inclusão de documentos de qualidade mais baixa reduza o grau em que as contagens de citações reflitam o impacto acadêmico Por exemplo, algumas das citações de dissertações de mestrado podem refletir o impacto educacional. Portanto, dependendo do tipo de avaliação a ser realizada, pode ser necessário remover certos tipos de documentos de citações da contagem de citações, conforme sugerido por Prins, et al. (2016)

Retirem-se do cômputo as autocitações (já falamos disso anteriormente, em Posso citar a mim mesm@?; As citações por outro ângulo: o da ética). Mas  qual o problema se a citação surge numa dissertação ou tese? O problema seria porque  há poucas chances de esses trabalhos serem muito citados, diferentemente dos artigos publicados em revistas de luxo? Mas há quem afirme  que 90% dos artigos publicados em periódicos acadêmicos nunca são citados (Maho, 2007). Textos muito  usados em cursos de pós-graduação certamente são citados nas teses e dissertações daqueles que representam o futuro da pesquisa. Isso não deveria contar?


SPINAK, E. Google Acadêmico, Web of Science ou Scopus, qual nos dá melhor cobertura de indexação? [online]. SciELO em Perspectiva, 2019 . Available from: https://blog.scielo.org/blog/2019/11/27/google-academico-web-of-science-ou-scopus-qual-nos-da-melhor-cobertura-de-indexacao/

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