Se não é o leitor, quem paga? Parte 1: os modelos de AA

Em recente artigo, Pierre Mounier perguntava “para qual modelo de publicação em acesso aberto estamos nos dirigindo?”, deixando claro que há muito mais em jogo que o livre compartilhamento do conhecimento:

No momento, este debate parece uma arena confusa onde cada um tenta empurrar seu próprio modelo baseado em seus próprios interesses ou objetivos: a Comissão Europeia, por exemplo, empurra para o acesso aberto verde baseado em autoarquivamento em repositórios como Zenodo, porque a principal, senão única, razão pela qual eles querem desenvolver o acesso aberto é acelerar drasticamente a transferência de conhecimento dos laboratórios para a indústria, a fim de promover a inovação na indústria europeia e aumentar sua competitividade nos mercados globais. Os governos do Reino Unido e da Holanda apoiam o modelo comercial de acesso aberto dourado, pois são países onde a publicação acadêmica é uma indústria. Muitas universidades apoiam repositórios institucionais pois são instrumentos importantes para manter o controle de seus ativos científicos. As bibliotecas geralmente vão na mesma direção, porque estão enfrentando um desafio importante em termos de financiamento e uso, como consequência da mudança de um sistema baseado em assinatura para um modelo de article processing charge (APC). Os pesquisadores se posicionam de muitas maneiras diferentes, de acordo com sua disciplina, posição em sua carreira, afiliação e até experiências passadas com publishers.

A que o excerto acima se refere com as expressões “acesso aberto verde” (ou via verde) e “acesso aberto dourado” (ou via dourada)?

Faz referência a duas estratégias para a implementação do acesso aberto, presentes no documento resultante da conferência de Budapest (BOAI , 2002): o auto-arquivamento e os periódicos eletrônicos de acesso aberto:

A primeira estratégia é a de auto-arquivamentovia verde (green road), que trata do arquivamento que poderá ser realizado pelos próprios autores de artigos científicos já publicados ou aceitos para publicação, obtendo autorização (sinal verde) dos editores que os aceitaram para que possam disponibilizar em um servidor de arquivo aberto. A segunda estratégia trata de via dourada (golden road), que abrange os periódicos científicos eletrônicos cujo acesso aberto a seus conteúdos é garantido pelos próprios editores. Sendo assim, a publicação em ambiente de acesso aberto está assegurada no próprio periódico. São essas duas estratégias norteadoras das discussões sobre arquivos abertos. (Alves, 2008  – ênfase adicionada)

Como o AA se sustenta?

Em geral são apontados dois tipos de ações:

a) a ação de agências governamentais, universidades, fundações, sociedades científicas …

b) a cobrança de taxas dos autores, o acesso aberto para apenas parte dos artigos,  o lucro obtido com outros periódicos da mesma editora comercial…

 


Referências

ALVES, Virginia Barbara Aguiar. Open Archives: Via Verde ou Via Dourada? Ponto de Acesso,  2 (2): 127-137, ago. / set. 2008.  https://portalseer.ufba.br/index.php/revistaici/article/view/1780/2172

MOUNIER, P. Em direção ao acesso aberto universal? Por que precisamos de bibliodiversidade em vez de uma “bala de prata” [online]. SciELO em Perspectiva, 2018. https://blog.scielo.org/blog/2018/08/14/em-direcao-ao-acesso-aberto-universal-por-que-precisamos-de-bibliodiversidade-em-vez-de-uma-bala-de-prata/ 

Wikipedia contributors. (2018, June 20). Institutional repository. In Wikipedia, The Free Encyclopedia. Retrieved 21:13, September 6, 2018.  https://en.wikipedia.org/wiki/Institutional_repository

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