Parte 3 – E o Qualis?

 

O Qualis é o instrumental com que a CAPES mede a produção bibliográfica dos programas de pós-graduação. A classificação da produção de um programa de pós-graduação é resultante da  classificação atribuída às revistas em que seu corpo social publicou que, em princípio, devem ser apenas aquelas “com corpo editorial reconhecido, com avaliação pelos pares (pareceristas ad hoc) e dotados de ISSN“:

A estratificação da qualidade dessa produção é realizada de forma indireta. Dessa forma, o Qualis afere a qualidade dos artigos e de outros tipos de produção, a partir da análise da qualidade dos veículos de divulgação, ou seja, periódicos científicos.

Essa classificação operacional, reestruturada em 2008, gera uma lista, disponível na Plataforma Sucupira, que atribui aos periódicos uma das classificações dentre oito estratos: A1 (o nível mais alto), A2; B1, B2, B3, B4, B5 e C (com peso zero)  . A classificação depende da área de avaliação em que o programa de pós-graduação se insere e é atualizada anualmente . Tem mais:

no máximo 50% dos títulos presentes em cada lista podem ser classificados nos três estratos mais altos da classificação: A1, A2 ou B1. Ou seja, qualquer que seja a área de conhecimento, apenas metade dos periódicos utilizados pelos docentes e discentes para veicular suas publicações pode ser classificada entre os de excelência (estratos A) ou de maior qualidade (B1). A segunda regra estabelece que apenas 25% dos títulos em cada lista podem ser considerados de excelência e, portanto, classificados nos estratos A. Ou seja, dentro do conjunto, apenas um quarto dos títulos usados em cada área pode ser
classificado como excelente. A terceira regra estabelece que, entre os títulos classificados no estrato A, aqueles inseridos no estrato A1 têm de, necessariamente, ser em menor proporção do que os classificados no estrato A2. (Barata, 2016. Dez coisas que você deveria saber sobre o Qualis)

Essa classificação de periódicos Qualis é idêntica à classificação de periódicos por fator de impacto numa dada área?

Não. Uma revista pode ter um FI alto, mas não aparecer no Qualis-Periódicos porque esse periódico não foi “indicado por nenhum programa de pós-graduação como veículo de divulgação de sua produção intelectual”.

Estar ou não na lista do Qualis significa tão somente que algum dos alunos ou professores dos programas credenciados publicaram artigos naqueles periódicos. Do mesmo modo, o Qualis Periódicos não é uma base bibliométrica e não permite o cálculo de nenhuma medida de impacto dos periódicos nele incluídos. Sendo assim, o Qualis Periódicos não deve ser considerado como uma fonte adequada de classificação da qualidade dos periódicos científicos para outros fins que não a avaliação dos programas de pós-graduação. (Barata, 2016. Dez coisas que você deveria saber sobre o Qualis)

Além do Qualis-Periódicos, há o Qualis-livros. Em 2009 a CAPES passou também a considerar a publicação em livro, que tem grande importância para algumas áreas, caso da área Letras e Linguística. Em 2016 a Coordenação da Área Letras e Linguística divulgou as Considerações sobre Classificação de Livros  para a Área.

Também em 2009 a CAPES deixou de considerar o Qualis-Eventos. Mas a área Letras e Linguística considera a publicação em anais.


Docentes e discentes apresentam dois tipos de preocupações que [….] não procedem, desde que se conheça o mecanismo de geração da listagem.

O primeiro receio é o de não encontrar na lista o periódico no qual acabaram de ter um artigo publicado. Evidentemente, se o artigo for informado na plataforma Sucupira, no ano subsequente, o periódico estará incluído automaticamente na listagem.

O segundo questionamento, decorrente do anterior, diz respeito à consideração ou não dessa produção para efeito de avaliação. Novamente, trata-se de uma precipitação. Mesmo que, no último ano do período de avaliação, alguns periódicos não estejam incluídos como resultado de falhas no processamento dos dados, as comissões procederão à sua classificação manual, utilizando exatamente os mesmos critérios usados para os demais periódicos.

Outra dúvida frequente entre docentes e discentes surge quando da escolha de uma revista científica para a submissão de um artigo, diante da constatação de que esta ainda não se encontra na listagem da área. Evidentemente, [….]tal revista científica passará a figurar na lista desde que, aceito o artigo, seja a publicação informada por meio da plataforma Sucupira.

(Barata, 2016. Dez coisas que você deveria saber sobre o Qualis)

Enfim, o Qualis é um instrumental para avaliar programas de pós-graduação, não indivíduos.

Mas…

leve em conta que cada vez que seu currículo for avaliado é quase certo que os avaliadores estarão procurando não apenas quantas publicações você já tem, mas se cada texto saiu numa revista classificada em A, B ou C.

 

[Continua]

[Parte 1] [Parte 2] [Parte 3] [Parte 4]

 

 

Anúncios

3 comentários sobre “Parte 3 – E o Qualis?

  1. Além do exposto, ressalte-se que os critérios de avaliação infringem princípios legais e administrativos básicos, tais como o princípio da irretroatividade da norma. Basta lembrar que os critérios criados e divulgados pela Capes em 2016 foram usados para avaliar os números dos periódicos publicados em 2015. Ou seja, os periódicos foram avaliados segundo critérios que desconheciam.

    Curtido por 1 pessoa

Os comentários estão desativados.